Verão em Munique: 19 ideias para aproveitar a cidade ao ar livre

Verão em Munique - Biergarten

O verão em Munique é único! E, apesar de a cidade estar bem longe do mar, o verão por aqui não perde nada para outras cidades costeiras. E isso é tão verdade que no verão a gente tenta ficar na Alemanha para aproveitar ao máximo tudo o que Munique oferece nessa estação do ano – mesmo que isso signifique abrir mão de outros destinos badalados nessa época.

Sim, há muito o que fazer em Munique no verão! Abaixo, listei os meus 19 passeios ao ar livre preferidos. Alguns passeios ainda não fui, mas estão na minha lista há um tempo e pretendo assim que o calor chegar (e a pandemia acabar, claro).

1. Opera für Alle

A magia da Opera für Alle em Munique

A Bayerische Staatsoper (Ópera do Estado da Baviera) promove concertos abertos ao público e gratuitos no verão. Os concertos da Münchner Opernfestspiele (Festival de Ópera de Munique) geralmente acontecem em determinados sábados do mês de julho, bem frente ao Nationaltheater, no centro da cidade, e você pode conferir a agenda aqui.

Leve uma toalha para se acomodar no chão, alguns snacks e aproveite o clima descontraído com boa música!

2. Tollwood

O Tollwood é um festival cultural e ambiental com proposta de defesa dos direitos humanos, bem-estar animal e do meio ambiente. Ele acontece duas vezes por ano: no verão e a no inverno (quando ele mais se parece um mercadinho de Natal).

No verão, geralmente o Tollwood tem uma vibe de circo e acontece no Olympiapark. Por lá, você encontrará barraquinhas com comidas de vários países, tendas de música e uma área para concertos (em alguns casos, pagos). A entrada é gratuita e o evento acontece nos meses de junho e julho.

3. Nadar e tomar sol no Eisbach

Verão em Munique - Eisbach
Verão em Munique: que tal um banho gelado no Schwabinger Bach?

É um dos meus programas de verão em Munique preferidos. Nos dias quentes, o parque lota com grupos fazendo pique-niques à beira do Eisbach, o riacho artificial de 2 km que corre dentro do Englischer Garten. Se tiver coragem, dê um mergulho na água gelada (“Eisbach” literalmente significa “riacho de gelo”)!

4. Passar o dia em um dos lagos perto de Munique

Lago Starnberger em um dia de verão

Se você estiver cansado da cidade (difícil!), pode ser uma boa ideia explorar os lagos dos arredores de Munique. Alguns bem famosos são o Lago Starnberger (25km, 30 minutos de trem) e o Lago Tegernsee (55km, 1h10 de trem). Nesses lugares existem áreas com gramados e píer na beira da água, além de restaurantes e ciclovias.

5. Piscinas públicas

Passar o verão nas piscinas públicas, conhecidas como Freibäder, é um costume dos alemães. A Dantebad é uma das maiores piscinas de Munique (a única piscina aquecida ao ar livre que funciona também no inverno). A Naturbad Maria Einsiedel é uma piscina abastecida com água do Rio Isar, que corta Munique – não estranhe se encontrar nudistas por ali. Já a Ungererbad é rodeada por gramados, possui toboágua para as crianças, além de quadras de vôlei de praia e campo de futebol.

Para horários e endereços, visite o site da SWM.

6. Open Air Kino

No verão, pipocam cinemas ao ar livre em Munique – há até estilo drive-in. O mais famoso deles é o Kino am Olympiasee, localizado no Olympiapark. O cinema funciona todos os dias no verão, a partir das 19h. Os bilhetes são vendidos apenas online e alguns filmes são exibidos em inglês.

7. Biergarten

Existe coisa mais alemã do que aproveitar o dia de verão em um Biergarten? Eu acho que não! Os Biergärten ficam lotados nessa época do ano e é essa mesmo a graça.

Os meus preferidos: o Seehaus, nas margens do Lago Kleinhesseloher, no Englischer Garten. O Biergarten da Torre Chinesa, também no Englischer Garten, é famosíssimo entre os turistas. Para um bom café da manhã bávaro (versão mais arrumadinha), o Kaisergarten é uma ótima opção – apesar do serviço nem sempre simpático. Bom, o que não faltam são Biergärten em Munique!

8. Munique de bicicleta: bike na beira do Isar

Ok, aqui é o Eisbach no Englischer Garten – mas vale também!

Munique é uma cidade com ótimas ciclovias, porque andar de bike aqui não é apenas um programa de lazer, mas um tipo de transporte que as pessoas usam no dia a dia. E, por isso mesmo, as regras devem ser respeitadas.

Um dos percursos mais legais para aproveitar Munique de bicicleta é o caminho que sobe o Rio Isar, e passa por Icking.

9. Que tal um sorvete de sabor nada óbvio?

Uma sorveteria específica ganhou fama por causa dos seus sorvetes de sabores inusitados: a Der Verrückte Eismacher. Com decoração que parece ter saído de “Alice no País das Maravilhas”, a sorveteria vende sorvete de sabores como bolognesa, cheeseburger e bacon.

Mas se você é do time que prefere os sabores mais tradicionais, experimente a Bartu (eles tem um quiosque no Englischer Garten). Os sorvetes de lá têm a fórmula bio. Meus sabores preferidos? Figo e New York Cheesecake. Muito, muito bons!

10. Churrasco na beira do Rio Isar

É um costume entre os alemães se reunir na beira do Rio Isar para churrascos. Uma grelha, um pouco de fogo, batatas embrulhadas no alumínio, pimentões no palito e o churrasco alemão está preparado!

Mas, atenção: em algumas áreas essa prática é proibida. Veja as regras para fazer o seu churrasco na beira do Isar ou em um dos parques da cidade aqui.

11.Passear no Jardim Botânico de Nymphenburg

Se você gosta é adora plantas, uma boa ideia pode ser visitar o Jardim Botânico de Nymphenburg. Lá, são cultivadas cerca de 19.600 espécies e subespécies de plantas. Aproveite para conhecer os interiores do Palácio de Nymphenburg, um palácio barroco de 1675 que serviu como morada de verão dos governantes da Baviera.

12. Fim de tarde no café da Faculdade de Arquitetura

Um dos lugares mais disputados para assistir o pôr-do-sol no verão em Munique é o café da Faculdade de Arquitetura, o Café im Vorhoelzer Forum. De lá, é possível ter a vista do skyline da cidade e dos Alpes enquanto toma um drinque com os amigos.

13. Bons drinques no Kulturstrand

Falando em bons drinques, no verão Munique também ganha bares com espreguiçadeiras e areia para você curtir o verão como se estivesse na praia. O mais famoso deles é o Kulturstrand, na beira do Rio Isar, com música e eventos culturais.

14. Pôr do sol no Olympiapark

Olympiapark: um pôr do sol com 360 graus de vista para o skyline de Munique

Além do café da Faculdade de Arquitetura, muita gente se reúne na montanha do Olympiapark para assistir o pôr do sol com 360 graus de vista.

Isso depois de um passeio no parque, que foi construído para receber os Jogos Olímpicos de Verão de 1972, um dos cartões-postais mais famosos da cidade.

15. Suco no Virtualienmarkt

O centro histórico de Munique é uma graça e por isso não poderia deixar de estar aqui um passeio pelo Virtualienmarkt, certo? Com suas tendas de frutas, embutidos e até Biergarten, vale a pena parar ali nem que seja para tomar um suco fresquinho depois de bater perna nas vielas do centro.

16. Dança na Praça dos Museus

Dança no pátio em um dos museus na Königsplatz

Há quem ame dançar. Nesse caso, vale a pena dar uma espiada nos grupos que se reúnem bem nos vãos dos museus de Munique. Grupos de apaixonados por tango e forró (sim, forró!) se reúnem por ali.

17. Colher morangos, amoras, mirtilos e framboesas

Taí um passeio que eu estou adiando há tempos, mas quero muito fazer. Em Munique, no verão é possível ir a uma fazenda de morangos (ou amoras, framboesas e mirtilos) e colher a fruta do pé.

Funciona assim: você paga um valor fixo, geralmente em torno de 10 euros, e pode levar uma caixa da fruta para casa (e comer lá dentro à vontade enquanto colhe). Alguns lugares ainda possuem um café, com bolos, tortas e sobremesas feitas com as frutas colhidas por ali mesmo. Uma experiência deliciosa!

18. Descer o Isar de bote inflável

Para quem curte um pouco de adrenalina, descer o Isar de bote é o programa perfeito para um verão em Munique! Nessa época, os alemães se reúnem com amigos e fazem até festas no bote. A descida é tranquila, mas em alguns trechos é preciso muito cuidado – principalmente em época de chuvas, quando troncos e galhos ficam presos entre as pedras.

A rota de descida do Isar geralmente começa em Icking (dentro de Munique, o uso de botes é proibido) e passa por hidrelétricas. Minha dica? Esteja com alguém que já conheça o percurso, porque alguns trechos são, de fato, perigosos. Você irá passar por algumas ilhas e praias de pedra onde os grupos se reúnem… É muito, muito legal!

19. Bahnwärter Thiel

Verão em Munique - Bahnwärter Thiel
Bahnwärter Thiel: onde há arte por toda a parte

O Bahnwärter Thiel é um lugar que nem todo mundo conhece e totalmente fora dos roteiros tradicionais sobre o que fazer em Munique. É um espaço criativo que mais lembra Berlim, é verdade.

Trata-se de um conglomerado de bondes e vagões de metrô, contêineres pintados e um guindaste, equipado com gôndolas flutuantes e carruagens, onde acontecem concertos, mercados de pulgas, noites de cinema, leitura… Enfim, é uma área cultural bem interessante e vale a pena visitá-la para descobrir o que está acontecendo por lá.

Nos meses de maio em junho, em Landshut, uma cidade a 70km de Munique, acontece o Landshuter Hochzeit 1475. No festival, que acontece a cada 4 anos, cerca de 2400 pessoas se reúnem para celebrar um casamento medieval entre um duque e uma princesa que aconteceu em 1475. Vale a pena visitar!

Outros posts sobre a Alemanha

Kotor, Montenegro: explorando os mais belos fiordes do Mar Mediterrâneo

Baía de Kotor, em Montenegro

Uma das cidades mais bonitas de Montenegro e, talvez, da Europa. A belíssima cidade de Kotor, também conhecida como Cattaro, está localizada em Montenegro, um minúsculo país dos Balcãs, e impressiona pela localização de beleza ímpar: bem escondida no final de um fiorde – os fiordes mais setentrionais da Europa, aliás.

As suas águas são cristalinas e cor de esmeralda, as montanhas acinzentadas crescem repentinamente 1500 metros e o verde que ali brota ganha tons amarelados no outono. Palmeiras por toda a parte. Se você reparar bem, olhando de longe perceberá uma muralha que sobe a montanha a partir da cidade. No topo, um castelo medieval. E essa é só a primeira impressão de Kotor, conhecida como pérola do Adriático.

É difícil não se impressionar com a beleza exuberante de Kotor.

“No nascimento de nosso planeta, o encontro mais bonito entre a terra e o mar deve ter sido na costa montenegrina”
— Lord Byron

A frase acima foi escrita pelo poeta inglês Lord Byron quando visitou Montenegro no século 19. E desconfio que, ainda hoje, quem visita Kotor pela primeira vez tem a mesma impressão…

Na Idade Média, Kotor era um importante centro comercial e artístico com escolas de iconografia e alvenaria. Suas construções preservadas, com palácios e conjuntos monásticos, rendeu ao lugar um posto na lista de Patrimônios Mundiais da Unesco.

Kotor foi nossa última parada durante a viagem de carro por Montenegro e fechou com chave de ouro nossa primeira visita ao país. Foram duas noites bem vividas e, definitivamente, um dos highlights dessa viagem pela Croácia e Montenegro. Você vai entender o porquê logo mais!

Baía de Kotor, em Montenegro
Apreciar o visual de cada cantinho – uma das grandes vantagens de viajar de carro em Montenegro

Onde está Kotor (e como chegar)?

Kotor está localizada na costa da Montenegro, na região norte do país, bem pertinho da fronteira com a Croácia. Os aeroportos mais próximos são os aeroportos de Dubrovnik (71,3km) e Podgorica (81km). Há ainda o aeroporto de Tivat, localizado a 7,9 km do centro da cidade, mas que atende principalmente companhias aéreas regionais.

Vista a partir da fortaleza de Kotor, em Montenegro

O que fazer em Kotor: 10 atividades para colocar no roteiro

1. Old Kotor: um passeio pela Cidade Velha

A viagem em Kotor quase sempre começa com um passeio pela cidade antiga. A cidade murada guarda belezas como igrejas, restaurantes e até bazar entre suas ruelas de pedra. Em apenas uma tarde ou manhã é possível explorar o que o lugar tem de melhor. Mas também é uma delícia percorrer as ruelas em busca de tesouros arquitetônicos sem prestar atenção no relógio. Há muito o que fazer na baía de Kotor!

2. Pausa para um café (gelado!)

Em um dia de verão, pode ser desconfortável passar a tarde explorando as ruelas. O calor é de outro mundo! Por isso, uma pausa em um dos cafés da cidade antiga para um affogato é mais do que bem-vinda.

Em nossa viagem em 2020, as ruas estavam vazias porque não haviam cruzeiros ancorados no porto de Kotor. Mas dizem que a cidade fica lotadíssima no verão – e eu acredito.

3. Trilha para a fortaleza de Kotor

A trilha para a fortaleza é, talvez, o passeio mais conhecido de Kotor. Também, pudera, a vista é linda lá do alto! Ela consiste em uma escadaria até as ruínas do Castelo San Giovanni. A subida é cansativa, mas não é difícil. Levamos cerca de 40 minutos para subir, mas geralmente o percurso dura pelo menos uma hora. Dizem que são mais de 1200 degraus, ufa!

De lá do alto: a vista para os fiordes da trilha para o Castelo San Giovanni

O melhor horário é logo pela manhã, antes do nascer do sol – e antes que o calor de verdade comece! A partir das 8 horas da manhã (até às 20h), há um controle no começo da trilha cobrando a entrada de 8 euros. Passamos antes disso e não fomos cobrados. Quer uma dica? Vá de tênis e leve água!

Dali, saímos por uma pequena escada que nos levou onde pastores ainda hoje criam cabras. Passamos por uma pequena igrejinha abandonada, a Sveti Juraj, e seguimos até encontrar um pequeno negócio com vista para a baía. Ali, uma família montou um pequeno negócio em seu sítio escarpado onde vende queijos de cabra produzido ali mesmo. Uma delícia! Dali, é possível pegar uma outra trilha que zigue-zagueia até a baía.

Segunda trilha: o caminho em zigue-zague até a cidade

4. Passeio de barco pela baía de Kotor

Arrisco-me a dizer que este foi definitivamente um dos passeios mais legais da viagem. Com cerca de três horas, a primeira parada do passeio foi na Igreja Nossa Senhora das Rochas, bem no meio da baía de Kotor, e uma das ilhas de Perast.

Passeio de barco na Baía de Kotor: as ilhas artificiais abrigam igrejas e museus

A Igreja Nossa Senhora das Rochas é um templo católico com aparência por muçulmana não por acaso: foi construída assim para evitar ser atacada pelo Império Otomano. Diz a lenda que a ilhota foi construída após marinheiros encontrarem ali uma estátua da virgem Maria em 1452. A partir de então, sempre que retornavam de uma viagem bem-sucedida, os marinheiros lançavam uma pedra na baía.

Seguimos rumo a Gruta Azul, fora da baía. Antes, entramos em um dos túneis para submarinos usados na Segunda Guerra Mundial. Do barco, também avistamos a Fortaleza de Mamula na ilha Lastavica – e que, atualmente, está sendo transformada em resort de luxo. A fortaleza foi considerada o ponto mais austral da K.U.K. Kriegsmarine, a marinha do Império Austro-Húngaro. Depois, foi usada como prisão fascista por Mussolini. E, infelizmente, agora por conta da construção do resort não está mais aberta a visitação.

Na Gruta Azul, foi possível dar um mergulho na beleza de imensidão azul.

O passeio pode ser reservado antecipadamente pela Civitatis. Há duas possibilidades: o passeio de duas horas, com visita a Nossa Senhora das Rochas e a vila de Perast; e o passeio de três horas, que inclui além da Nossa Senhora das Rochas, também a Gruta Azul e os túneis. O agendamento pode ser feito aqui.

5. Explorar as igrejas de Kotor

O que não faltam são igrejas em Kotor! Pequeninas, grandiosas, na trilha… Um dos destaques é a Igreja Blazena Ozana no centro antigo de Kotor. Lá estão os restos mortais da santa Blazena Ozana (ou Osanna de Cattaro) em um caixão de vidro.

6. Um banho de mar na praia

Se você visitar Kotor no verão, uma pausa em uma das praias ou píeres espalhados pela baía é essencial para lidar com o calor. Ali, pertinho do centro, há uma opção de praia sem areia, mas com pequenas pedras e águas cristalinas.

Uma belezinha a praia de Kotor, não?

7. Conhecer o bazar

Como muitas cidades mediterrâneas, Kotor abriga um bazar onde os comerciantes antigamente faziam negócios. Hoje ocupado por barraquinhas de souvernirs, o bazar de Kotor vale uma visita rapidinha. Ele está localizado entre a Saint Claire Church e a Saint Nicholas Church.

8. Desvendar a baía de Kotor

Duas pequenas cidades nas margens da baía de Kotor geralmente são parada obrigatória de quem passa alguns dias a mais em Kotor. São elas: Lovcén e Perast.

9. Esbaldar-se com frutos do mar

Assim como outros países do Mediterrâneo, Montenegro é casa de uma gastronomia rica em ingredientes da terra como azeitonas e berinjela, mas também vindos do mar. Melhor: os preços dos pratos são relativamente mais baratos do que os países vizinhos, Grécia e Croácia.

Lulas grelhadas e o tradicional acompanhamento de batatas com espinafre

O peixe é o carro-chefe da culinária montenegrina. A versão grelhada tradicionalmente acompanha salada de batatas e espinafre refogado. A tradicional salada Shopska sempre é uma boa pedida. Ostras e salada de polvo? Podem vir!

10. Day trips: explore as cidades vizinhas

Kotor é a cidade mais visitada de Montenegro, e também pode servir como ponto de partida para day trips para outros lugares interessantes.

Dubrovnik, na Croácia: a apenas 92 km de Kotor


Parque Nacional de Lovcén – É a montanha que deu inspiração ao nome Montenegro, por causa de suas densas florestas. É o destino perfeito para quem gosta de trilhas: no alto da trilha mais famosa está enterrado o enterrado o poeta montenegrino Petar II Petrović-Njegoš. Bônus: a estrada que vai de Kotor ao parque é cenográfica com suas curvas fechadas.

Dubrovnik – A verdade é que muita gente vem de Dubrovnik e tem Kotor como day trip. Apenas 92 km separam as duas cidades – lembre-se que Montenegro não faz parte da União Europeia e, por isso, ainda há o controle fronteiriço.

BudvaApenas 22 km separam Budva e Kotor. Localizada na costa do país, Budva é conhecida por ser um destino de férias muito badalado. Clubes e belíssimas praias dão o tom na agitada cidade – mas eu confesso que o charme mora mesmo é na cidade antiga.

Onde ficar em Kotor?

Em Kotor, hospede-se na Cidade Velha para ficar por dentro do burburinho noturno do lugar. Os restaurantes nas praças e toda a aura de cidade medieval deixam a experiência muito mais interessante.

Palazzo Drusko: decorado com móveis de 150 anos
Cada detalhe do Palazzo Drusko era bem especial…

Nos hospedamos duas noites no Palazzo Drusko, localizado em um palazzo de pedra de 600 anos de idade bem no centro da cidade antiga. Cada quarto possui uma temática e é decorado com móveis de 150 anos de idade. Super charmoso! Apesar de não oferecer café da manhã, o hotel possui uma cozinha comunitária.

Se a sua intenção é aproveitar a baía com tranquilidade, o HUMA Kotor Bay Hotel and Villas, com uma praia privativa, pode ser uma ótima ideia. O hotel funciona como um grande clube a 3,6 km do centro histórico de Kotor.

Prefere uma vila com vista para a baía? Então dê uma olhada na Villa Me Gusto. A vila possui piscina com vista para as montanhas e a baía e hidromassagem coberta. Está a 8 km de Kotor.

Onde comer em Kotor?

Há diversos restaurantes charmosos dentro da cidade murada. O restaurante Cesarica é famoso pelos frutos do mar e tem um ótimo custo-benefício – a foto acima das lulas grelhadas foram tiradas lá!

Se procura por uma boa sobremesa ou apenas um refresco para uma tarde de calor, a Marshall’s Gelato é famosa por tem um dos melhores gelatos da cidade.

Mais informações úteis

Capital: Podgorica
Língua: Montenegrino, uma língua bem parecida com o croata e o sérvio.
Moeda: Euro (apesar de Montenegro – ainda – não fazer parte da União Europeia!).
Clima/Quando Visitar: Julho e Agosto são os meses de alta temporada, quando o clima está seco e muito quente (e os preços estão lá no alto!). Nós viajamos em Agosto e confesso que entre 12h e 15h era muito difícil fazer qualquer atividade ao ar livre por causa do calor extremo. Maio, Junho, Setembro e Outubro são meses em que as temperaturas estão mais amenas e ainda é possível nadar, mas alguns bares e restaurantes podem estar fechados.
Visto para brasileiros: Dispensa visto por até 90 dias.

Você também encontrará mais informações no nosso roteiro de uma semana de viagem de carro em Montenegro.

Postais de San Marino: uma joia no coração da Itália

Vista do castelo de San Marino no outono

Imagine um país pequenininho encrustrado na Itália e bem próximo à costa do Mar Adriático. Esse país tem um castelo no alto de um penhasco e uma cidadezinha medieval charmosa com ruelas e becos de pedra. De lá do alto, dá para ver o mar no horizonte e as pequenas cidades que o rodeiam. Parece um sonho, né? Mas essa joia existe, tem nome e sobrenome: San Marino!

A menos de uma hora de Rimini, San Marino é o estado nacional mais antigo do mundo. San Marino é o nome do país, com apenas 61 km², e o nome da capital também – o foco desse post, aliás é a cidade. A cidade de San Marino também é aquele tipo de lugar tão charmoso que a gente coloca na bucket list só para poder se encantar um pouco. Mais: em apenas um dia você conhecerá o principais pontos turísticos da cidade!

Vista de San Marino

Breve história de San Marino

San Marino surgiu em 301 d.C., quando o cristão Marinus se refugiou no Monte Titano para escapar de perseguições. Os anos passaram, a comunidade que ali vivia cresceu e San Marino ganhou estatutos em 1600, considerados a mais antiga constituição do mundo. Hoje em dia, San Marino é dona de uma das rendas per capita mais altas da Europa. San Marino e o Monte Titano foram declarados Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 2008.

As casinhas de San Marino

Viela de San Marino

Onde fica San Marino?

San Marino está localizada a menos de 10km da Riviera Romagnola. Por isso, é o passeio perfeito para quem está passando o verão nas praias de Rimini ou Riccione. Também vale uma visita se você está em Bologna, conhecendo as delícias da gastronomia da região.

E que tal conhecer Rimini, cidade com as praias mais badaladas na Itália?
+ Rimini: 5 coisas que você deve fazer na sua próxima viagem

San Marino no outono

San Marino: o que fazer no pequenino país?

O passeio por San Marino consiste basicamente em explorar as ruelas da cidade medieval no alto do Monte Titano. A 700 metros de altura, dá para ver o mar lá do alto!

Ruela San Marino

Teleférico de San Marino – O teleférico de San Marino leva os turistas do Borgo Maggiore até a Città di San Marino, onde estão as torres, as lojinhas e principais restaurantes. 

Vista – Uma das coisas mais incríveis de San Marino é a vista. Há um mirante, mas a vista mais impressionante e bonita de verdade é aquela com o castelo na beira do penhasco. Por isso, não deixe de caminhar entre as torres em busca do melhor ponto para a fotografia perfeita.

As Três Torres – Guaita, Cesta e a Torre del Montale são os principais pontos turísticos da cidade de San Marino.

A Primeira Torre (Rocca Guaita) foi construída na metade do século XV e é onde  as pessoas costumavam se abrigar durante os cercos. Alguns quartos foram usados como prisão até outubro de 1970.

Castelo de San Marino no Outono
Castelo de San Marino no Outono

O trecho que leva a Primeira Torre a Segunda Torre é  o mais charmoso (como a foto aí em cima mostra)! O trecho de muralhas pertence aos restos da segunda muralha da cidade construída no século XIII. A cidade de San Marino foi fortificada por três muros da cidade construídos em três períodos diferentes e que, infelizmente, foram demolidos para permitir que a cidade se expandisse.

A Segunda Torre está localizada no segundo pico do Monte Titano, o mais alto, a 756 metros de altura. Ali também está o Castelo do Cesta, também chamado Fratta. Construída no final do século XI, a Segunda Torre era a sede da guarita e também abrigava algumas celas de prisão. Ali hoje está o Museu de Armas, com mais de 500 objetos de diferentes períodos, entre a Idade Média e o final do século XIX. Ingresso: 3 € (cada torre) ou 4,50 € (para visitar a Primeira e a Segunda Torre).

A Terceira Torre foi construída no século XIII e tem a melhor posição para os vigias que protegiam o lugar.

Basilica del Santo – Construída em 1826, a basílica com estilo neoclássico é um edifício grandioso que chama a atenção entre as ruelas apertadinhas da cidade. Ali está guardada uma urna com os restos mortais de San Marino.

San Marino: zona tax free

E, sim, compras! San Marino é uma zona tax free. Por isso, não se assuste com a quantidade de lojinhas vendendo perfumes, maquiagens, óculos e itens de couro. É uma ótima oportunidade para economizar alguns euros naquele item que você está sonhando há tempos.

San Marino: quando ir?

A melhor época para ir a San Marino é na primavera. No verão, as ruelas são lotadas de turistas. No outono, o lugar fica incrivelmente lindo com as folhas alaranjadas, mas venta demais. No inverno, diversas passagens (como o trecho que liga uma torre a outra) são fechados por causa da neve.

Vista castelo San Marino
Vista castelo San Marino

 

 

 

 

 

 

 

Como ir de Rimini ou Bologna a San Marino

Bologna – San Marino:
A maneira mais fácil para ir de Bologna a San Marino é por meio do shuttle que sai do aeroporto de Bologna. O trajeto custa 20 €  (online) ou 25 € comprando o bilhete com o motorista. Outra maneira mais trabalhosa (e demorada!) é indo de Bologna a Rimini de trem e depois pegar o ônibus que liga Rimini a San Marino.

Rimini – San Marino:
A melhor maneira de ir de Rimini a San Marino é por meio do ônibus que sai na frente da estação ferroviária de Rimini. O ponto está localizado próximo ao Burger King. O bilhete custa 5 € o trecho e é vendido no Tabaccaio em frente à estação. Para encontrar o melhor horário, acesse o site da companhia Bonellli, aqui

Atenção: verifique os horários de acordo com a estação do ano. Há diferentes horários para o verão (“corse estive”) e inverno (“corse invernale”).

Curiosidades sobre San Marino

  • San Marino é considerado o Estado nacional mais antigo do mundo. O país foi fundado em 3 de setembro de 301 por Marinus de Rab.
  • San Marino é um microestado europeu, assim como Liechtenstein, Vaticano, Mônaco, Andorra, e Malta.
  • San Marino tem a menor população de todos os membros do Conselho da Europa.
  • A Constituição de San Marino é histórica – não escrita.

Como é fazer um safári no Addo Elephant Park?

Addo Elephant Park - Safári

Enfim, o último post sobre a viagem para a África do Sul (apesar de termos continuado a viagem rumo a Joanesburgo e Limpopo depois do safári)! Já adianto: o safári no Addo Elephant Park é uma das experiências mais incríveis que alguém pode ter na vida.

Recapitulando: Port Elizabeth foi a nossa parada final na Garden Route e também o ponto de partida para o tão esperado safári na África do Sul. E ali, a 72km de Port Elizabeth, está o Addo Elephant Park – que, como o nome diz, é praticamente um santuário de elefantes!

Seguimos para o parque com o carro que alugamos na Cidade do Cabo e, durante o dia, fizemos safári com ele mesmo – ponto forte: a autonomia é muito maior do que um passeio de 4×4, por exemplo.

O safári com carro próprio, no entanto, não substitui a versão feita com carro 4×4 oferecida pelo parque – e daqui a pouco eu conto o porquê. Abaixo, separei os momentos mais incríveis dessa jornada pela vida selvagem africana. Vem comigo!

1. Safári no Addo Elephant Park, na África do Sul: os elefantes são protagonistas

Criado em 1931 para salvar 11 elefantes da extinção, o Addo Elephant Park é o terceiro maior parque da África do Sul. Quanto aos elefantes… Bem, eles se multiplicaram e hoje já são mais de 350. Sinal de que o trabalho está sendo bem feito em um país que, infelizmente, ainda sofre com a caça ilegal de elefantes para a venda de marfim.

Safari - Elefantes do Addo Elephant Park
O Addo é deles!

É por isso mesmo que esses animais são um dos pontos altos do passeio: os elefantes podem ser vistos em grupo, sozinhos e, muitas vezes, compartilhando um water hole com outros animais. Em alguns momentos, os elefantes até se aproximam do carro – e a sensação, juro, é indescritível. Mas, melhor manter distância… Apesar de acostumados com a presença humana, eles ainda são animais selvagens, certo?

2. A expectativa é um tempero especial

Safári é o tipo de passeio temperado com incertezas. Você nunca sabe o que encontrará no caminho e tudo depende da equação tempo + sorte. Viajamos em outubro e, quando fizemos o safári, o dia estava quente e nublado. Quanto aos animais, do BIG 5 (os cinco animais mais difíceis de serem caçados pelo homem) apenas não avistamos o leopardo! O rinoceronte negro foi tímido e marcou sua presença bem, beeem de longe – por isso, binóculos, câmeras superzoom ou SLR com lentes 75-300mm devem estar na bolsa para o passeio.

zebras no Addo Elephant Park -Safári
Elas estão em todo o lugar!

Acordamos cedinho, antes do nascer do sol, e partimos rumo a entrada do parque. São 75km de estradas em área protegida – que também abriga algumas paradas de descanso para pique-nique. O horário é fator importante em um safári: é no pôr-do-sol ou à noite, por exemplo, quando o rinoceronte preto e os búfalos são mais facilmente avistados. Cada espécie possui seus próprios hábitos e, por isso, para uma experiência mais completa inclua passeios em diferentes faixas de horário – pela manhã beeem cedo, no pôr do sol e à noite.

Safári no Addo Elephant Park
Spotted: animal de chifres torcidos (a.k.a. cudo) se alimenta na savana

Safári no Addo Elephant Park com carro alugado

Pretende visitar o parque em veículo próprio? Então será necessária uma autorização que custa pouco mais de 15 dólares. Autorização ok e com o mapa das estradas em mãos, percorremos o parque por quase oito horas. Tarefa fácil quando há tanto o que ver! O tempo passou voando e eu me sentia uma criança na espera do próximo animal incrível que apareceria em nossa frente. Assim como os elefantes, as zebras são onipresentes na maior parte do parque e tem lá seu charme.

Timão - Safári na África - Addo Park
Hakuna Matata!

Os olhos devem estar sempre atentos a qualquer movimento! Encantada mesmo eu fiquei com os suricates. Simpáticos, eles são pequeninos e discretos. Para avistá-los enquanto sobem e descem no meio da vegetação rasteira é preciso ter olhos de lince. Entre hienas, leões e javalis você perceberá que existe muito de O Rei Leão em um safári – sério! É o tipo de experiência para se ter em diferentes fases da vida. Uma viagem para ser feita com amigos, família estilo caravana, com o namorado… Já disse que a África do Sul é apaixonante, né? Então.

3. Os animais estão em seu habitat natural

Toda viagem carrega um tanto de responsabilidade social. Sempre é bom lembrar que o turismo influencia diretamente na cultura, economia e natureza de um lugar. E assim como o nosso lindo-porém-problemático Brasil, a África do Sul é um país que sofre com suas inúmeras questões sociais e ambientais.

Pumba - Safári na África - Addo Park
Nice to see ya, Pumba

Por isso, quando você inclui em seu roteiro um passeio no Zoo Lujan, na Argentina, por exemplo, você está escolhendo financiar um tipo de turismo que explora animais deixando-os em jaulas e, ao que tudo indica, dopa animais selvagens para que os visitantes possam tirar suas  ~corajosas~ (porém covardes, vamos combinar) selfies. O quão descolado isso é? Você decide. Mas quando o assunto é vida animal, eu prefiro que meu rico dinheirinho vá para instituições de preservação ou santuários.

Beware of Lions - Addo Park
Beware of lions: coragem, tem que ter corageeeem!

Como disse, o Addo é um parque que funciona como santuário de elefantes e tem cumprido muito bem sua tarefa de proteger essas espécies. Como visitante, o bônus também é alto! Diferentemente de um zoo onde os animais estão fora de contexto, no safári os animais estão em seu habitat natural e, por isso, suas relações dentro da natureza também são uma atração à parte. Ser atacado por um leão, claro, é uma possibilidade.

4. O safári noturno é um espetáculo a parte

No safári noturno, que só pode ser realizado em veículos do parque e com guias, essas relações animais ficaram mais evidentes para nós.

Durante o dia, por exemplo, vimos um avestruz fêmea chocando um ovo. À noite, o ovo estava abandonado. Oportunidade perfeita para que um chacal rolasse pela vegetação tentando quebrá-lo! Mas o animal não teve êxito e, no dia seguinte, a avestruz fêmea já estava novamente cumprindo seu papel. É bom ressaltar que: 1. a avestruz fêmea costuma chocar o ovo durante o dia e o macho durante a noite; 2. o comportamento animal pode ser muito parecido com o comportamento humano, né?

Também avistamos uma lebre, um leão rodeado por fêmeas e uma in-fi-ni-da-de de búfalos.

5. Onde se hospedar no Addo Elephant Park: os lodges dentro do parque são incríveis

Churrasco na África do Sul
braai + vinho tinto é muito amor

Nos hospedamos dentro do parque, em uma forest cabin. A casinha de madeira abrigava duas camas de solteiro, banheiro com chuveiro quente (<3), forninho elétrico, utensílios domésticos (como panela, pratos e talheres) e uma churrasqueira do lado de fora. Há diversas opções de hospedagem dentro do parque: cottages, chalets, guest houses, áreas para motorhome e camping, por exemplo.

Como reservar hospedagem no Addo Elephant Park

Você pode fazer a reserva online acessando o site dos Parques Nacionais da África do Sul. Aqui você terá uma lista completinha dos tipos de hospedagem disponíveis e preços dentro do Addo Elephant Park.

A nossa estada de dois dias no parque foi uma delícia! Apesar de o Addo possuir um bom restaurante, havíamos levado carne de avestruz para o braai (churrasco ao ar livre tradicional entre os sul-africanos), vegetais para uma saladinha grega e vinho tinto diretamente de Stellenbosch para regar belamente a refeição.

zebra - addo elephant park

Uma das coisas mais legais de se hospedar dentro do parque é que, durante a noite, os animais fazem barulho e você fica ali, refletindo sobre imensidão, beleza e sorte… Dormir com o som dos animais da savana é uma experiência maravilhosa e, na minha breve história de vida, só pode ser comparada a dormir ao lado da cachoeira aos pés de Machu Picchu, em Águas Calientes.

Se você tiver a chance de fazer um safári no Addo Elephant Park, eu recomendo de olhos fechados e coração aberto: vá!

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Um final de semana com as bruxas de Bamberg, na Alemanha

Poço - Castelo em Bamberg

Bamberg, essa cidade alemã tão especial, surgiu em nosso caminho quase sem querer. Uma vez que o namorado mora em Munique e eu em Berlim (são mais de 500km de distância), passar os dias de folga em um lugar no meio do caminho parecia uma boa ideia. Por isso, quando a prima dele que mora lá sugeriu um final de semana na cidade, a ideia pareceu perfeita. Bamberg é uma ótima para um bate e volta a partir de Munique.

Como a gente não perde tempo, na semana seguinte já estávamos no centro de Bamberg arrastando a mala de rodinhas pelas ruas e procurando a casa dela! Boa notícia: a viagem de trem na Alemanha costuma ser rápida e as cidades são bem interligadas. 

As encantadoras casas de tons pastel
As encantadoras casas de tons pastel um pouco mais afastadas do centro da cidade

Para começar, é bom saber: Bamberg é uma cidadezinha do estado da Baviera encantadora e cheia de história. E isso é tão verdade que em 1993 ela foi eleita patrimônio mundial pela Unesco. Mas você não precisa ler guias de viagem ou a Wikipedia para perceber isso. Enquanto anda pelo centro histórico você tem certeza de que está em uma cidade histórica medieval. E aí mora toda a magia do lugar.

Cidade medieval de Bamberg, na Alemanha
Cidade medieval de Bamberg: de repente, você você está em um outro século

Era uma vez uma catedral…

Como muitas cidades europeias, a cidade de Bamberg cresceu ao redor de um castelo – o castelo da família Babenberg, daí o nome da cidade. O castelo, no entanto, deu lugar à catedral da cidade em meados do ano 1000. Então Bamberg virou sede de uma diocese e até foi centro do Império Sacro Romano – por pouco tempo, mas foi.

Catedral de São Pedro e São Jorge em Bamberg, na Alemanha
Um pedacinho da torre da catedral de São Pedro e São Jorge

A catedral de São Pedro e São Jorge, construída no ano de 1002, é um dos pontos altos da visita à cidade. Nela, você encontrará os túmulos de um imperador e sua esposa, o túmulo do único papa ao norte dos Alpes, uma estátua misteriosa de um cavaleiro – o Cavaleiro de Bamberg – que ninguém sabe explicar quem é até hoje, mas todo mundo só desconfia (como todo bom boato milenar de uma cidade de interior deve ser, risos).  Poetas alemães, inclusive, se inspiraram na estátua em suas obras  e muita gente acredita que o cavaleiro poderia representar um rei antigo ou messias.

Bamberg - Jardim de rosas
Jardim de rosas da nova residência dos bispos

Na praça da catedral você também encontra a nova residência dos bispos, construída em 1802. Para conhecer alguns dos quarenta luxuosos quartos e as galerias de arte do lugar você deve pagar 4,50 euro. Pulamos essa parte e fomos para o jardim de rosas da residência, que é gratuito e possui uma vista incrível da cidade. Não tínhamos muito tempo, afinal.

Postcards - Bamberg
Postais engraçadinhos… E fora de contexto

Bamberg: ponto de encontro de bruxas?

Se você conhece um pouco da história da caça às bruxas, também já deve ter ouvido falar de Bamberg. Entre os anos de 1626 e 1631 a cidade foi palco de julgamentos e mortes da inquisição promovida pela igreja católica. Foi nesse período também que, não por acaso, o príncipe bispo Johann Georg II Fuchs de Dornheim ficou conhecido como “o queimador de bruxas”.

Pequeninos detalhes
Pequeninos e delicados detalhes

A igreja perseguiu toda a população indiscriminadamente, inclusive gente que era contra a bruxaria. Um dos casos mais famosos é o do prefeito da cidade: acusado de bruxaria em 1628, o prefeito Johannes Junius escreveu uma carta para sua filha Veronika defendendo a sua inocência e contando detalhes sobre como os carrascos o torturavam na prisão. Decapitado e queimado, ele virou mártir.

A casa amaldiçoada

Enquanto passeia pelo centro, uma casa pode chamar sua atenção. Bonita por fora, ela esconde uma história não tão bela assim em seu interior. Conhecida como Maleficent, a casa de porta adornada com símbolos cristãos e letras de ouro estampadas no portão principal ficou conhecida por ser o local onde os pagãos eram torturados até confessar crimes de bruxaria – depois, eram queimados na fogueira.

Muitas vezes, a igreja fazia pagar com a vida crimes que as pessoas não haviam cometido. Os carrascos torturavam os perseguidos até que eles citassem nomes de pessoas da cidade, por isso o terror espalhou-se facilmente. Dizem que em Bamberg a igreja católica matou três vezes mais pessoas do que a Espanha toda – um país que também ficou conhecido pela dureza dessa tal de “Santa” Inquisição. Por esse passado triste, a cidade recentemente construiu uma instalação em memória dos mais de mil homens, mulheres e crianças torturados e mortos pela igreja católica na cidade.

Bamberg, Germany
A sede da antiga Câmara Municipal foi construída no meio de um rio!

Rauchbier: as melhores cervejas estão aqui!

As cervejarias de Bamberg também são um passeio imperdível – são nove no total. À noite, não deixe de visitar a Schlenkerla, uma taverna que existe desde o ano 1405, onde você encontra a Rauchbier, famosa cerveja defumada, com sabor tão especial quanto aquela de Český Krumlov, na República Tcheca. A taverna, aliás, tomou o lugar de um monastério, que existiu ali até 1310.

Beer Bamberg
Ops. Deu sede. Que tal uma weissbier?

Sempre lotada, pode ser difícil achar um lugar para sentar dentro do lugar. Mas quem se importa? Se é noite de verão, é só se juntar aos grupos que bebem cerveja do lado de fora do estabelecimento, em pé mesmo, enquanto papos animados tomam conta de toda a gente, que também repara no movimento de vai e vem das pessoas.

Lá no alto, o castelo de Altenburg

Residência nos séculos 14 e 15 dos bispos de Bamberg, o castelo de Altenburg também é imperdível. Lá, por apenas um euro, você pode subir na torre mais alta e ter uma vista panorâmica da cidade. Vale a pena! Demos sorte e no vão do castelo acontecia uma peça teatral para crianças. Fofo, vai.

 

Poço - Castelo em Bamberg
Um poço no castelo de Altenburg, em Bamberg
Teatro no castelo em Bamberg, na Alemanha
Teatro no poço do castelo <3

E, bem, uma vez na Alemanha, os biergartens são lugares perfeitos para descansar da caminhada pelo centro. Então, paramos para almoçar comida bávara em um deles e, claro, tomar mais cerveja. Enfim, Bamberg definitivamente vale a visita! E viva o chucrute.

Passeio de barco em Bamberg

Bamberg é uma cidade medieval com canais super charmosos, a Klein Venedig (ou “pequena Veneza”, em português). Por isso, um passeio de barco é uma ótima maneira de conhecer a cidade de uma maneira diferente: passando pelo centro e suas casinhas coloridas até a área industrial da cidade.

O passeio de barco começa bem no coração da cidade, percorre a Klein Venedig, passa por várias pontes em direção ao porto de Bamberg (incluindo uma comporta!) e à confluência do Rio Regnitz e do Rio Meno com o Canal Meno-Danúbio.

O barco abriga um café, com lanches e bebidas para você desfrutar enquanto aprecia a vista. O passeio dura 80 minutos e custa € 12 por adulto.

Visita guiada no centro da cidade

Se você é do time que prefere uma visita com guia, vale a pena agendar um free tour para conhecer os principais pontos turísticos de Bamberg. Nesse caso, o passeio gratuito não tem preço fixo, mas cada pessoa oferece ao guia o valor que considera adequado, dependendo do seu nível de satisfação.

Onde se hospedar em Bamberg?

Bamberg é uma cidade turística e, por isso, boas opções de hospedagem não faltam. O melhor lugar para se hospedar é no centro histórico da cidade, de onde é possível fazer todos os passeios a pé.

Uma boa opção de hospedagem em Bamberg é o Hotel am Dom, a 150 metros da catedral. Além da boa localização, tem quartos super charmosos e apartamentos de dois quartos para famílias.

O City Hotel Bamberg é ideal para quem prefere ficar perto da estação rodoviária com um buffet de café da manhã caprichado.

+ Tem planos para se mudar para a Alemanha? Veja 7 costumes alemães que foram um choque cultural e esteja preparado!

Camden Town, um lugar especial em Londres

Camden Town movimentada

Eu confesso que para escrever esse texto coloquei uma trilha sonora muito especial: Amy Winehouse! E, não por acaso. A cantora cresceu nesse bairro tão especial chamado Camden Town, em Londres.

Mas eu não sabia disso quando escolhi Camden Town para me hospedar. O motivo foi outro: Camden Town é um dos lugares mais maravilhosos que eu já conheci – eu já havia passado pelo bairro em uma das viagens feitas pela cidade e foi paixão à primeira vista. O lugar transborda vida, arte e é onde tudo acontece. Eu poderia até morar aqui, acho (e olha que eu não sou a maior fã de Londres – acho o estilo de vida muito corrido, sabe).

Camden Town movimentada
As ruas de Camden Town estão sempre cheias de turistas… Mas tudo bem.

Por que visitar Camden Town?

Passei dez dias em Londres para fazer um curso na London Fashion College. As manhãs e tardes eram corridas, mas reservei algumas horinhas só para passear tranquilamente por Camden. O lugar é repleto de mercadinhos de rua, com brechós, lanchonetes, food trucks, lojas repletas de camisetas de bandas e tudo de novo & mais antigo que você pode desejar.

Charles Dickens viveu aqui. Morrissey também. Resumindo: Camden Town é um desses lugares maravilhosos para estar. É inspirador. E eu acho que é um privilégio também.

Estátua de Amy Winehouse em Camden Town.
Estátua em homenagem a Amy Winehouse – que cresceu no bairro!

Camden Town: como chegar lá

Camden Town fica em um bairro no norte da cidade de Londres e chegar lá é muito fácil: é só pegar a linha norte do metrô e descer em, veja só, Camden Town. Sem truques.

Camden Town - Graffitti
As fachadas são famosas em Camden Town. Mas olha esse graffitti… <3

Camden Town - Fachadas
As famosas fachadas 3D de Camden Town.

Os famosos street markets de Camden Town

As fachadas em 3 dimensões são muito famosas. Por ali, assim que sair do metrô, você encontrará um viaduto com a inscrição Camden Lock. Esse é um dos mercadinhos mais famosos da região. Mas, enfim, não é preciso ter muito roteiro para conhecer o lugar. A única regra é: seja curiosa! Assim como Notting Hill, há tanta coisa em Camden Town que o passeio vale o dia inteiro. Se você gosta de brechós, ilustrações ou simplesmente de acessórios fora do comum, Camden Town é para você. Se procura um coturno, casaco militar ou uma capa de chuva transparente e bem estilosa (que agora todo mundo usa por lá) você certamente encontrará em uma dessas lojinhas. Maravilhoso.

Camden Town - Lustres
Lustres – ou imagine só o teto de um quarto assim?

Camden Town - Market
Os markets possuem brechós, lojas de acessórios, tatuadores e comida, claro!

Stables Market é outro mercadinho da região, com cerca de 700 lojas (!). Vale reparar na arquitetura do local, que abrigava estábulos (daí o nome) e um hospital para cavalos antes de 1900 (!!). A cidade se reinventa todos os dias, enquanto o novo e velho convivem aceitando suas diferenças.

Camden Town - Vestidos com ilustrações
Um pouco de tule, alguns quadrinhos e um tanto bom de criatividade = vestidos originais

Camden Town - Proud Wonderland
Proud. Wonderland. E eu já amo esse lugar!

Camden Town - Open Minded
Um mercadinho open minded <3

É definitivamente um lugar único e que vale a visita. Diria até que é um lugar bastante eclético. Tão eclético que, infelizmente, vi algumas meninas inglesas arranjando confusão com três turistas asiáticas. Pois é, tem gente de todo tipo mesmo: então é bom ficar de olho. E longe de confusões, por favor.

Conheça mais de Londres em:
+ Sky Garden: Vista panorâmica de Londres

Cinque Terre: dicas para conhecer esse pedacinho de céu na Itália

Corniglia, em Cinque Terre, na Itália. Foto: Mariana Gabellini.

Uma pitadinha de tons pastel, muitas flores (ah, a primavera!) e casinhas construídas em encostas rochosas onde batem as ondas do mar Mediterrâneo. Eis uma das descrições possíveis para as cinco vilas que formam a famosa Cinque Terre, no norte da Itália,  próxima a Pisa (cerca de 90km) e Milão (220km). O nome delas? Monterosso, Vernazza, Corniglia, Manarola e Riomaggiore.

O charme das pequenas vilas, no entanto, vai muito além: elas são o tipo de lugar onde você pode respirar um pouco da perfumada dolce vita italiana.

Bons restaurantes, um mar de tirar o fôlego e roupas no varal secando ao sol despretensiosamente. Tanta beleza só poderia ser tutelada pela Unesco como Patrimônio Mundial da Humanidade! Na dúvida sobre o que fazer em Cinque Terre? Vem comigo!

Essa foi minha segunda vez nas terre e a passagem pelas cinco vilas fez parte de uma road trip com minha família durante o final de abril e começo de maio – o que significa temperaturas amenas e, ah que beleza, menos turistas. Cinque Terre é, na minha opinião, um desses passeios imperdíveis para quem visita pela primeira vez a Itália.

Como preparar o roteiro em Cinque Terre

Pois bem, em uma manhã de sábado fomos de carro até La Spezia e deixamos o veículo em um estacionamento público (0,80 centavos/hora). De lá, saímos de trem rumo a última terre, Monterosso al Mare.

Erro: optamos por comprar um bilhete para cada trajeto, que custo cerca de dois euros. E, a cada viagem nova entre as terre, menos dois euros na carteira. O ideal é comprar o bilhete que dura o dia todo e não há limite de trechos. O Cinque Terre Card custa 12 euros.

Monterosso é a única terre em que é possível jogar a canga sob a areia e tomar sol na praia. De lá, seguimos para Vernazza.

Além do trem, há a possibilidade de circular entre as pequenas vilas por trilhas – mas eu, infelizmente, nas duas vezes que fui não pude fazer o passeio. É que, devido às chuvas, é comum acontecerem desabamentos na região e, então, as trilhas ficam interditadas. Também é importante lembrar que, para entrar nas trilhas, é preciso ter em mãos o Cinque Terre Card. No total, são 12 km de caminhos.  Há ainda a possibilidade de fazer o passeio de barco.

 

Monterosso al Mare, em Cinque Terre. Foto: Mariana Gabellini.
Monterosso al Mare, em Cinque Terre: prepare sua canga!

Cinque Terre: onde se hospedar?

Localizada no norte do país, ela está próxima de Pisa. Separe pelo menos um dia inteiro se quiser conhecer as cidades com relativa calma. Não vale a pena fazer um bate e volta – é cansativo demais. Melhor se hospedar em uma das terre ou, se achar as diárias caríssimas, opte por uma cidade próxima.

Minha família e eu decidimos ficar em um camping em Marina di Massa – o que depois descobrimos ser uma região não tão famosa entre os turistas estrangeiros, mas com lugares interessantes para visitar, como as montanhas de mármore de Carrara. E que valem outro post!

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Riomaggiore, em Cinque Terre, na Itália
Um pedacinho de Riomaggiore, em Cinque Terre

Cinque Terre gourmet: não deixe de experimentar…

Basicamente, o passeio pelas terre consiste em circular entre as casas coloridas, tomar um gelato e degustar um ou outro petisco tradicional da região. Os frutos do mar fazem especialmente sucesso e, quando estiver em Monterosso ou Riomaggiore não deixe de provar o cone de frutos do mar, com calamares, camarão e peixes fritos bem temperadinhos com limão. Ah!

Mar de Cinque Terre
Esse Mediterrâneo não está para brincadeira, não!
Vaso de flor na janela
Sobre a beleza e a simplicidade

Há também cemitérios, castelos e estátuas que explicam um pouquinho sobre a história desse lugar tão especial. Mas, ah, o gostoso mesmo é passar por ali e aproveitar um dia bonito. Simples assim.

Monterosso al Mare, Cinque Terre, na Itália
Tons pastel por todos os lados!

 

cinque terre_monterosso_pier_Itália
Mais um pouquinho de Monterosso al Mare

Fim do passeio: o pôr-do-sol incrível em Riomaggiore

Quando já tiver passado por todas as vilas, provavelmente a noite estará caindo – e o cansaço, acredite, pesando. Por isso, um pouco antes do pôr-do-sol pegue um trem rumo Riomaggiore, a terre mais próxima de La Spezia. Quando chegar lá, dispute por um lugarzinho para sentar nas rochas à beira-mar e assista o sol caindo. Em silêncio.

cinque terre_por do sol_riomaggiore_Itália
O pôr do sol em Riomaggiore é de tirar o fôlego. Mesmo.

Se você pretende viajar de carro pelos campos da Toscana, vale tentar incluir Cinque Terre no roteiro de viagem – já que as vilas estão bem próximas de destinos como Florença e Pisa.

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