Três Cumes de Lavaredo, nas Dolomitas: hiking nas montanhas escarpadas dos Alpes Italianos

Tre Cime - Trilha nos Alpes italianos, Dolomitas

Tão altas que, perto delas, nos sentimos minúsculos. As montanhas nos Alpes Italianos são um convite para trilhas exuberantes com cachoeiras, lagos de água verde esmeralda e cumes pertinho do céu. Há tempos, as Dolomitas povoavam meus sonhos… E, em um surto de final de semana, decidimos que era hora de, enfim, dar um pulinho até a Itália – afinal, as Dolomitas ficam a apenas 330km de Munique – e explorar essa beleza toda!

Para desbravar as Dolomitas, cadeia de montanhas reconhecida como Patrimônio da Humanidade pela Unesco (por conta de suas belezas naturais excepcionais!), optamos pela trilha circular com vista para os três famosos picos nos Alpes Italianos — Três Cumes de Lavaredo (ou Tre Cime di Lavaredo, em italiano; Drei Zinnen, em alemão). As Dolomitas são casa de 18 picos que crescem acima de 3 mil metros de altura.

Dá para ter ideia da magnificência desse lugar?

Não sei se dá para imaginar. Mas a gente sonha.

Hiking em Três Cumes de Lavaredo

Distância: 18,35 km
Tempo: 5h30 (com direito às paradas nos refúgios!)
Elevação: 1217m
Dificuldade: Fácil/Médio

A rota circular de hiking em Três Cumes de Lavaredo

Nossa trilha começou no vale Fischleintal (em italiano, Val Fiscalina), que pode ser alcançado de Sexten-Moos (em italiano, Sesto Moso) de ônibus ou carro. Estacionamos o carro em um parking em Fischleinboden e partimos a pé para a trilha.

As paisagens bucólicas da trilha para Tre Cime de Lavaredo
Vale Fischleintal: o começo da trilha para Tre Cime, nas Dolomitas
Vale Fischleintal: o começo da trilha para Tre Cime, nas Dolomitas

Enquanto caminhamos pelo vale Altensteintal, passamos pelo refúgio Talschluss, ainda no comecinho da trilha. Mais alguns metros e seguimos a trilha com sentido a  Drei-Zinnen-Hütte. Ali a subida começou!

Uma trilha com paisagens assim <3

Passamos por duas belas cachoeiras – onde você pode se refrescar, se tiver coragem. A segunda, “escondida” em um grande buraco, era particularmente encantadora.

Parece tão pequena, né? Mas olha só o tamanho da pessoa no canto inferior direito!

Enfim, chegamos na área com vista para os dois lagos verde cintilantes Bödensee (Laghi dei Piani, em italiano). Ali também estava o primeiro refúgio nas montanhas de verdade: o refúgio Drei-Zinnen (2.407 m), com a maravilhosa vista para os Três Cumes. Hora de um cappuccino e apreciar a beleza da paisagem!

Bödensee/Laghi dei Piani: incrivelmente verdes!

Seguimos a trilha 101, passando por Toblinger Riedl (ou Forcella di Toblin), e pelas belas encostas de Bödenknoten (ou Croda dei Piani) e Paternkofel (ou Monte Paterno). Dali era possível avistar outro pequeno lago de águas incrivelmente verde. A paisagem, por sua vez, era absurdamente cinza e até um pouco lunar.

Passamos pelo pequenino refúgio Büllelejoch (2.544 m) e a descida começou. Seguimos para o refúgio Zsigmondy-Comici, onde paramos para um pequeno almoço. A vista do lugar para o impressionante Einserkofel também valia alguns minutos extras para apreciação. Uma gigante e inóspita montanha cinza! Continuamos a descida com vista para o igualmente magnífico Zwölferkofel (em italiano, Cima Dodici) até chegar novamente no Vale Altensteintal.

Foram quase 20 quilômetros de uma das trilhas mais bonitas que já fiz e, apesar de torcer o tornozelo em uma queda na trilha cheia de pedras, valeu a pena!

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O que levar para a trilha

Caminho cheio de pedras e alguns obstáculos: prefira usar botas de trilha

Água e alguns snacks
Botas de trilha
Capa waterproof
Fleece
Protetor solar
Boné
GPS
* No topo da montanha o tempo pode mudar muito, muito rápido. Por isso, mesmo que a previsão do tempo garanta um dia ensolarado, não deixe de levar agasalho e calça na mochila.

Três Cumes de Lavaredo: onde se hospedar

Nos hospedamos em Sexten, na Pension im Wiesengrund, uma pensão simples com café da manhã, estacionamento e uma bela vista das montanhas, mas afastada da cidade. De manhãzinha seguimos de carro rumo ao vale Fischleintal.

Se você prefere um pouco mais de conforto, o Hotel Monika oferece spa com saunas finlandesas, piscina indoor, academia e bio sauna. Outra experiência interessante (e mais aventureira) é se hospedar no camping Caravan Park Sexten, com seus bangalôs de madeira (e kitchenette), banho turco e academia – e exatamente no lugar de onde sai a trilha!

Dica extra: alugue um carro!

Alugar um carro para viajar pelas Dolomitas é uma das melhores coisas que você pode fazer! Isso porque o caminho pela região é um parque de diversões para adultos, com pequenas cidades charmosas pelo caminho, estradas sinuosas e vistas de tirar o fôlego.

Soinsee: um lago escondido nos Alpes bávaros

Soinsee - Lago nos Alpes Bávaros

Aos poucos, a vida está voltando ao normal aqui na Alemanha. Quer dizer, caminhamos para o “novo normal” – talvez. Agora, podemos sair de casa e encontrar amigos sem correr o risco de levar uma multa por isso. As máscaras, no entanto, viraram regra em locais fechados como transportes públicos e supermercados. Na porta das lojas, há sempre um vidrinho com álcool em gel para que higienizemos as mãos antes de entrar.

Na última semana, decidimos aproveitar os primeiros dias de liberdade e sol para fazer uma trilha nos arredores de Munique. A escolhida? A trilha para Soinsee, um lago escondido no alto das montanhas dos Alpes bávaros (a 1.458 metros de altitude!), que fica congelado de seis a oito meses por ano.

A trilha para Soinsee: como chegar

Com até doze metros de profundidade, o Soinsee está localizado no município de Bayrischzell. O lago só pode ser acessado a pé a partir de Bayrischzell ou Spitzingsee.

Osterhofen: uma vilinha com as famosas construções bávaras

Por isso, pegamos um trem de Munique até Osterhofen (cerca de 1h20), município que faz parte de Bayrischzell, e seguimos a pé até a trilha para Soinsee. Eis a trilha que seguimos:

A trilha é relativamente fácil e apenas nos quilômetros finais se tornou cansativa de verdade.

Soinsee: o início da trilha
Soinsee: o início da trilha

Como estamos na primavera, as paisagens dos Alpes ganharam cores e cores por causa das flores. Rosas, azuis, lilases, muitos e muitos amarelos. Os campos abertos, as vistas lá do alto das casinhas isoladas e as montanhas ao redor… Absolutamente tudo idilicamente bonito!

Clássica: uma foto com as florzinhas da trilha para o Soinsee

O que me encantou de verdade foram os pequenos riachos que correm a montanha. À medida que você chega perto do topo da montanha onde está localizado o lago e acompanha com o olhar o caminho que a água faz, percebe uma cachoeira caindo logo à frente.

Lá no alto da montanha, grupos de trilheiros se reuniam para piqueniques à beira das águas verde esmeralda do Soinsee. Uma mulher decidiu se arriscar nas águas geladas e um labrador nadava empolgado. Uma enorme pedra cortava a paisagem e o lago também.

Soinsee: onde grupos se reúnem para piqueniques

Não há cabanas, nem abrigos na trilha e no lago. Por isso, não se esqueça de levar bastante água e snacks. Como era feriado, os restaurantes e cafés da pequena Osterhofen também estavam todos fechados.

Alguns trilheiros se aventuravam a ir ainda mais alto. Nós, no entanto, decidimos voltar… É que o cansaço da primeira trilha do ano já estava instalado.

Devagar a gente vai longe – dizem.

Soinsee: quando ir?

O Soinsee é um lago que fica congelado até oito meses por ano. Por isso, o melhor período para visitá-lo é no fim da primavera e durante todo o verão, quando as paisagens já ganharam mais cor e o gelo derreteu.

Onde se hospedar

A trilha para Soinsee é perfeita para ser feita em um day trip a partir de Munique, mas se você preferir ficar na região pra explorar outras trilhas e apreciar a paisagem com calma, vale a pena se hospedar em uma das tradicionais guesthouses bávaras, como o Exklusives Alpenchalet, com sauna e jacuzzi, e o DEVA Hotel Alpenhof, com piscina e spa.