Trilha do Bonete, em Ilhabela: tudo o que você precisa saber

Trilha do Bonete Ilhabela - Vista do Mirante

Antes mesmo de conhecer Ilhabela, a fama da Trilha do Bonete já havia chegado até mim: diziam por aí que era longa, difícil e que, principalmente, ela era imperdível. Verdades sejam ditas, já adianto: a Trilha do Bonete é mesmo um dos passeios mais incríveis de Ilhabela.

A trilha é um atrativo e vale a pena ser feita completa porque possui cachoeiras e belas paisagens. Se você vai e volta de barco perde, infelizmente, muito da graça de chegar até o Bonete. Existe um ditado que diz: “o mais importante é o caminho, não a chegada”. E isso meio que é verdade: se a praia do Bonete é um paraíso, o caminho que leva a ela é mais encantador ainda! É maravilhosa a sensação de estar imerso na Mata Atlântica – e só assim para a gente perceber a importância de sua preservação.

Toda a exuberância da Mata Atlântica na Trilha do Bonete

Trilha do Bonete: o básico

Distância e localização
São cerca de 12km de trilha, da entrada do Parque Estadual de Ilhabela até a praia do Bonete. A trilha do Bonete está localizada no extremo sul de Ilhabela. Ela começa na Ponta da Sepituba, onde termina a estrada de asfalto. Levamos três horas para completar o percurso, com algumas pausas para banho nas cachoeiras.

Nível de dificuldade
Apesar da fama, eu diria que a dificuldade da Trilha do Bonete é média. Em alguns momentos, era preciso recobrar o fôlego nas subidas e o acesso em determinados trechos é relativamente difícil, uma vez que o solo possui muitas valas por conta da vazão da água em dias de chuva. Há pouco de ganho de altitude (com elevação máxima de 185 metros). É preciso ter, sim, preparo físico para completar a trilha.

É uma trilha bem demarcada pelo caminho de terra batida, por isso o risco de se perder é baixo.

Horário de abertura do parque
O Parque Estadual de Ilhabela está aberto todos os dias, das 7h às 16h. Mas se você pretende fazer a trilha, é indispensável começá-la pela manhã. Chegamos às 11h30, um pouco tarde já para voltarmos no mesmo dia, uma vez que o último barco da Praia do Bonete de volta para o centro costuma sair às 17h. Também é sempre bom levar em consideração o horário do pôr-do-sol para não correr o risco de escurecer e ainda estar na trilha: se tivéssemos chegado às 8h poderíamos ter curtido muito mais as cachoeiras do percurso. É, uma pena!

Uma das pontes suspensas da Trilha do Bonete

Como chegar na Trilha do Bonete?

A trilha do Bonete começa na Ponta da Sepituba, no extremo sul de Ilhabela, onde termina a estrada de asfalto. Chegamos até lá de carro, mas é possível ir de ônibus (último ponto, sentido bairro Borrifos) até poucos quilômetros antes da entrada.

Estacionamento na Trilha do Bonete

Há mais de uma opção de estacionamentos no começo da Trilha do Bonete. Optamos por deixar o carro no Estacionamento Zé da Sepituba, localizado logo na entrada da trilha. Pagamos R$ 20 pela diária.

A Trilha do Bonete e as cachoeiras do caminho

Logo na entrada do parque, há um controle de entrada, onde um funcionário explica sobre o trajeto – vale pegar o mapa oferecido por eles! Ali, você também deve assinar uma lista e deixar seu nome e telefone, caso não tenha feito o agendamento online. Há ainda possibilidade de levar um guia ou monitor.

Uma das 3 cachoeiras da Trilha do Bonete


Até chegar à Praia do Bonete, a trilha passa por 3 cachoeiras: Laje, Areado e Saquinho. A trilha também passa por um mirante, o Mirante do Saquinho, de onde é possível avistar a praia do alto.

Se você tiver tempo, ainda é possível conhecer o Buraco do Cação, na Fazenda da Laje, uma impressionante fenda em um paredão de pedra de 80 metros diretamente no mar. A fenda pode ser vista tanto da terra quanto do mar, no retorno feito de barco.

Se você é do tipo que tem medo de escorregar nas pedras enquanto cruza a correnteza da cachoeira, há sempre uma ponte suspensa de madeira à esquerda da trilha assim que você chega na cachoeira.

Choveu, e agora?

Infelizmente, não é recomendado fazer a trilha após fortes chuvas, porque o caminho pode ser extremamente difícil e escorregadio nessas condições.

Enfim, a Praia do Bonete!

O charme da Praia do Bonete é a rusticidade do lugar: lá, a energia elétrica chega apenas por geradores ou painéis solares. Não há carros, claro, e o chão é de areia. Cerca de 500 pessoas moram na vila. Há uma lenda local que diz que, há muito tempo, ali chegaram vikings e por isso os caiçaras da Praia do Bonete possuem olhos claros. Será? É uma ideia engraçada pensar em vikings chegando em Ilhabela, esse paraíso de Mata Atlântica!

Confesso que fiquei surpreendida com a Praia do Bonete. Fiquei impressionada com as barracas e restaurantes ali na praia. Na verdade, eu esperava uma praia completamente vazia com apenas alguns aventureiros… Encontrei uma pequena vila com surfistas, gente jogando bola e descansando debaixo dos guarda-sóis.

Onde comer na Praia do Bonete

Assim que chegamos, procuramos um lugar para sentar em uma das barracas/restaurantes na beira da praia. Era hora do almoço, então aproveitamos a sombra e água fresca para repor as energias no Restaurante da Dona Isabel. Sabe aquele arroz e feijão caseiro com tempero de verdade? Mais peixe frito, saladinha e um suco de maracujá… Pronto, estávamos no paraíso. Mais do que recomendado!

Day trip na Praia do Bonete: a volta de barco

O barco nos deixou nas proximidades do restaurante Nova Iorqui (é assim mesmo que se escreve!), onde termina o asfalto. De lá caminhamos pela estrada de terra de volta para o estacionamento. O percurso de lancha foi rápido: em torno de 15 minutos. Já o acesso por mar a partir da Praia do Perequê até Praia do Bonete leva aproximadamente 40 minutos. É possível negociar com os barqueiros que estão ali, mas o valor geralmente fica entre R$ 65 e R$ 75 o trecho por pessoa. Leve dinheiro em cash, porque nem todos os lugares aceitam cartão por ali.

Onde se hospedar na Praia do Bonete

Nos arrependemos de não termos planejado uma noite na Praia do Bonete. A vibe do lugar é maravilhosa! Como era altíssima temporada (época de Ano Novo), as pousadinhas já estavam completamente lotadas – por isso a dica é reservar hospedagem antes.

Duas pousadas com ótimas avaliações: a mega charmosa Pousada Canto Bravo, com suas belas cabanas com varanda bem de frente ao mar e ótimo café da manhã; e a Pousada da Rosa, com jeitão de casa de família e ambiente simples.

Acampar na Praia do Bonete

Para quem prefere acampar, há algumas opções de camping nas proximidades e na Praia do Bonete. Na Fazenda da Lage, a apenas 300 metros da cachoeira da Laje, há um camping com vista para o mar. Na Praia do Bonete, há o Camping da Vargem.

Porvinha: como se proteger do grande mal de Ilhabela?

Como nada é perfeito, a Praia do Bonete é particularmente conhecida pela porvinha, um tipo de borrachudo que é CRUEL (!!!!!!!!). Se você não estiver devidamente protegido, assim que chegar na praia será prontamente atacado por uma nuvem de porvinhas, essa miniatura de mosquitinho que irá te causar dor e coceira, muita coceira! Tivemos até que tomar anti-alérgico para acalmar a coceira e diminuir o inchaço.

Para lidar com o ataque das muriçocas, os habitantes da ilha costumam usar citronela como repelente. O repelente Citroilha foi recomendação de uma amiga de São Sebastião e melhorou 70% o ataque das porvinhas. O Citroilha é um repelente natural à base de citronela e óleo de andiroba e deixa a pele com um cheiro e textura muito bons. Em Ilhabela, cheguei a usar mais de um tipo de repelente ao mesmo tempo e nunca estava 100% protegida. Então vá mentalmente preparado!

Ilha de Stromboli, na Itália: explorando um vulcão ativo na Sicília

Vulcão Stromboli, na Sicília: dicas de viagem e o que fazer na ilha

Chegar de barco em Stromboli é por si só uma experiência única. Essa pequena ilha ao norte da costa da Sicília, na Itália, é especial por diversos motivos. Stromboli é um vulcão ativo e ali, na sua base, está uma charmosa e pequena vila. Não só: Stromboli é um dos poucos vulcões no mundo em atividade permanente.

Vulcão Stromboli na Sicília
Vulcão Stromboli na Sicília

Assim que desembarcamos da lancha que nos trouxe de uma cidade siciliana, demos de cara com uma vista com praias de areias pretas contrastando com as casinhas brancas. Nada de carros. Apenas pequenos carrinhos, como os de golfe, que funcionam como táxi, levando os turistas para lá e para cá. Parece até que a gente havia aterrissado em Marte – ou em algum vilarejo afastado da Islândia. Mas a arquitetura das casas ali não mentiam: estávamos, de fato, no Mediterrâneo!

Stromboli: uma vila muito Mediterrânea
Em caso de maremoto: fique longe da zona costeira!

Vulcão Stromboli, o “Farol do Mediterrâneo”

Stromboli é uma das sete ilhas do arquipélago das ilhas Eólias, no mar Tirreno, e possui uma área de cerca de 12,6 km². É pequena mesmo – mas muito charmosa! Na mitologia grega, era em Stromboli que Éolo, personagem da Odisseia, vivia. Stromboli tem a forma de um cone e 926 metros de altitude. Do fundo do mar, a altura de Stromboli chega a 3.000 metros.

A lenda do mouro aparece por aqui também

Na ilha de Stromboli estão duas pequenas vilas: Stromboli e Ginostra. A vila de Ginostra pode ser acessada em um passeio de barco saindo de Stromboli. Dizem que, no inverno, a população de Ginostra é de apenas dez habitantes! No total, cerca de 500 pessoas habitam a ilha.

A tal da atividade estromboliana

Não por acaso Stromboli ganhou o apelido de “farol do Mediterrâneo”. É que o vulcão possui alta frequência de erupções: Stromboli é um dos vulcões mais ativos do mundo e possui explosões constantes, intervaladas por períodos de calmaria. Quando estávamos lá, as explosões aconteciam a cada 15-20 minutos, em média. Mas os intervalos podem acontecer de 5 minutos a uma hora. Stromboli se mantém ativo há pelo menos dois mil anos. Agora, o termo “atividade estromboliana” é usado para nomear essa forma de vulcanismo, com pequenas explosões em espaços constantes de tempo intercaladas com explosões mais fortes, em vulcões do mundo todo – do vulcão Etna, ali do lado, ao vulcão Raung, na Indonésia.

Duas noites em Stromboli

A nossa estada em Stromboli foi definitivamente o ponto alto da nossa viagem de carro pela Sicília – Stromboli foi nossa segunda parada na viagem, logo depois de Cefalù. É verdade que muita gente não vê graça na pequena vila, porque não há muito o que fazer. Mas a experiência é justamente essa: dormir em um vulcão ativo no meio do mar Mediterrâneo!

Subindo o vulcão até Sciara del Fuoco

O passeio mais importante de uma estada em Stromboli é a subida até a Sciara del Fuoco. A caminhada pode ser feita com ou sem guia e dura cerca de uma hora saindo do vilarejo. Saímos no final da tarde, uma hora antes do sol se pôr, para ver o espetáculo pertinho da cratera.

A medida que subimos o vulcão, a vila se afastava

A trilha não é difícil, apesar de em alguns momentos ser preciso pequenas paradas para recobrar o fôlego. É, pode ser cansativo subir na areia vulcânica. Muitas vezes, também foi preciso atenção redobrada nas pequenas passarelas beirando o precipício. A trilha, no entanto, era fácil de seguir.

Não se esqueça de levar lanterna, água, agasalho corta-vento (venta muito lá no alto!) e um tênis confortável para a trilha que sobe o vulcão.

Sciara del Fuoco: onde a lava desce até o mar

Finalmente, chegamos no área panorâmica de onde pudemos avistar a Sciara del Fuoco, a rampa onde desce a lava expelida pelo vulcão. Dali, a vista é estonteante. Imagine só sentir que a terra está viva e entra em ebulição a alguns metros de você. Entre um silêncio e outro, o show de luzes encanta: a lava que explode, treme a terra e corre soltando faíscas montanha abaixo, muitas vezes até encontrar o mar. Um deslumbre só. Provavelmente uma das coisas mais lindas que eu já vi na vida!

Stromboli em erupção

A partir do ponto de vista panorâmica é possível subir mais alguns metros, porém apenas com guia. Infelizmente, o acesso até Pizzo, na altura de 918 metros, estava fechado por conta das grandes explosões que aconteceram em julho de 2020.

Descemos a trilha em direção ao restaurante L’Osservatorio, de onde também é possível avistar as explosões – de uma distância um pouco maior, é claro. Mas a beleza e a magnitude do vulcão ainda encanta – mesmo de longe.

Restaurante L’Osservatorio: entre vinhos e lavas

Jantamos duas vezes no Restaurante L’Osservatorio, que tem um terraço com vista para o vulcão. Na primeira noite na vila, fomos direto ao restaurante para conhecer as famosas explosões, mesmo que de longe. O caminho da vila até o restaurante é basicamente uma estrada de terra sem iluminação alguma. Também não é tão perto assim: cerca de 1,5 km e pelo menos vinte minutos a pé. Ali, comemos pizza regada a um bom vinho da casa.

As maravilhosas praias de areia preta

São três diferentes praias de areia preta em Stromboli: Spiaggia Lunga, Ficogrande e Scari. Elas não possuem infra-estrutura alguma, como restaurantes e barracas. São ermas e vazias – e aí mora grande parte da beleza.

Strombolicchio: restos do primeiro vulcão

Da praia Ficogrande é possível avistar a ilha de Strombolicchio. Essa pequenina e inabitada ilha com um farol é, na verdade, o que sobrou da primeira formação do vulcão.

+ E já que o assunto são vulcões em erupção, vale a pena dar uma lida na experiência do Diego Arena, do blog Uma Viagem Diferente, nas ruínas de Pompeia. E já que estamos aos pés do vulcão Etna, vale dar um pulinho em Nápoles, com o pessoal do blog De lugar Nenhum, a apenas 25km dali!

Como chegar em Stromboli

A única maneira de chegar em Stromboli é de barco. Saímos do porto de Milazzo de ferry e a viagem demorou cerca de duas horas (cerca de 43 € ida e volta por pessoa). Os horários dos trajetos podem ser acessados no site Direct Ferries. Também é possível chegar a Stromboli via Napoli por ferry.

Stromboli: dicas de hospedagem

Nos hospedamos duas noites na pousada La Lampara, que também possui um dos restaurantes mais requisitados da cidade. Infelizmente, durante nossa viagem o restaurante estava fechado porque a cozinheira se acidentou alguns meses antes. De qualquer maneira, Carlo, o dono da pousada, era muito simpático e solícito (o dono de hotel mais simpático que encontramos nessa viagem, aliás!), os quartos eram limpos e confortáveis e o café da manhã tinha o verdadeiro café italiano feito na máquina (nada de café instantâneo).

Onde e o que comer em Stromboli?

A verdade é que as experiências gastronômicas dentro de Stromboli são muito limitadas. Tivemos algumas não muito boas, confesso. Mas eu recomendaria dois lugares:

Cannolo do Bar Ingrid: uma delícia!

Bar Ingrid: Perfeito para aquela pausa do café no meio do dia, o lugar oferece além de um bom café espresso, doces bem feitos como o cannolo. Tem uma vista bonita para o mar e fica ali, na frente da igreja. Difícil errar.

Ristorante da Zurro: O chefe com jeito excêntrico, que vai de mesa em mesa e te trata como cliente antigo, deixa a experiência no lugar mais interessante. São poucas mesas (melhor fazer reserva antes!) em um salão fechado e o menu muda diariamente com diferentes tipos de frutos do mar fresquinhos. Confie na criatividade do chefe e mergulhe na experiência! P.S.: Esse restaurante, aliás, foi uma ótima recomendação do Carlo, dono da pousada La Lampara.

Mais dicas úteis

Língua: Italiano
Moeda: Euro
Clima/Quando Visitar: De junho a outubro, quando o mar está calmo e os restaurantes e pousadas estão abertos em sua maioria. Nós visitamos em outubro e a temperatura era agradável, mas nada que um casaquinho resolvesse.
Visto para brasileiros: Dispensa visto por até 90 dias.

Stromboli foi nossa segunda parada na viagem de carro pela Sicília. A primeira parada foi Cefalù, uma pequena cidade medieval com uma bela (e cheia de lendas!) rocha gigante. Vale a pena incluir no roteiro de viagem!

Três Cumes de Lavaredo, nas Dolomitas: hiking nas montanhas escarpadas dos Alpes Italianos

Tre Cime - Trilha nos Alpes italianos, Dolomitas

Tão altas que, perto delas, nos sentimos minúsculos. As montanhas nos Alpes Italianos são um convite para trilhas exuberantes com cachoeiras, lagos de água verde esmeralda e cumes pertinho do céu. Há tempos, as Dolomitas povoavam meus sonhos… E, em um surto de final de semana, decidimos que era hora de, enfim, dar um pulinho até a Itália – afinal, as Dolomitas ficam a apenas 330km de Munique – e explorar essa beleza toda!

Para desbravar as Dolomitas, cadeia de montanhas reconhecida como Patrimônio da Humanidade pela Unesco (por conta de suas belezas naturais excepcionais!), optamos pela trilha circular com vista para os três famosos picos nos Alpes Italianos — Três Cumes de Lavaredo (ou Tre Cime di Lavaredo, em italiano; Drei Zinnen, em alemão). As Dolomitas são casa de 18 picos que crescem acima de 3 mil metros de altura.

Dá para ter ideia da magnificência desse lugar?

Não sei se dá para imaginar. Mas a gente sonha.

Hiking em Três Cumes de Lavaredo

Distância: 18,35 km
Tempo: 5h30 (com direito às paradas nos refúgios!)
Elevação: 1217m
Dificuldade: Fácil/Médio

A rota circular de hiking em Três Cumes de Lavaredo

Nossa trilha começou no vale Fischleintal (em italiano, Val Fiscalina), que pode ser alcançado de Sexten-Moos (em italiano, Sesto Moso) de ônibus ou carro. Estacionamos o carro em um parking em Fischleinboden e partimos a pé para a trilha.

As paisagens bucólicas da trilha para Tre Cime de Lavaredo
Vale Fischleintal: o começo da trilha para Tre Cime, nas Dolomitas
Vale Fischleintal: o começo da trilha para Tre Cime, nas Dolomitas

Enquanto caminhamos pelo vale Altensteintal, passamos pelo refúgio Talschluss, ainda no comecinho da trilha. Mais alguns metros e seguimos a trilha com sentido a  Drei-Zinnen-Hütte. Ali a subida começou!

Uma trilha com paisagens assim <3

Passamos por duas belas cachoeiras – onde você pode se refrescar, se tiver coragem. A segunda, “escondida” em um grande buraco, era particularmente encantadora.

Parece tão pequena, né? Mas olha só o tamanho da pessoa no canto inferior direito!

Enfim, chegamos na área com vista para os dois lagos verde cintilantes Bödensee (Laghi dei Piani, em italiano). Ali também estava o primeiro refúgio nas montanhas de verdade: o refúgio Drei-Zinnen (2.407 m), com a maravilhosa vista para os Três Cumes. Hora de um cappuccino e apreciar a beleza da paisagem!

Bödensee/Laghi dei Piani: incrivelmente verdes!

Seguimos a trilha 101, passando por Toblinger Riedl (ou Forcella di Toblin), e pelas belas encostas de Bödenknoten (ou Croda dei Piani) e Paternkofel (ou Monte Paterno). Dali era possível avistar outro pequeno lago de águas incrivelmente verde. A paisagem, por sua vez, era absurdamente cinza e até um pouco lunar.

Passamos pelo pequenino refúgio Büllelejoch (2.544 m) e a descida começou. Seguimos para o refúgio Zsigmondy-Comici, onde paramos para um pequeno almoço. A vista do lugar para o impressionante Einserkofel também valia alguns minutos extras para apreciação. Uma gigante e inóspita montanha cinza! Continuamos a descida com vista para o igualmente magnífico Zwölferkofel (em italiano, Cima Dodici) até chegar novamente no Vale Altensteintal.

Foram quase 20 quilômetros de uma das trilhas mais bonitas que já fiz e, apesar de torcer o tornozelo em uma queda na trilha cheia de pedras, valeu a pena!

+ Pretende se mudar para a Terra da Bota? Veja aqui quanto custa morar na Itália.
+ O passo a passo para o reconhecimento da cidadania italiana

O que levar para a trilha

Caminho cheio de pedras e alguns obstáculos: prefira usar botas de trilha

Água e alguns snacks
Botas de trilha
Capa waterproof
Fleece
Protetor solar
Boné
GPS
* No topo da montanha o tempo pode mudar muito, muito rápido. Por isso, mesmo que a previsão do tempo garanta um dia ensolarado, não deixe de levar agasalho e calça na mochila.

Três Cumes de Lavaredo: onde se hospedar

Nos hospedamos em Sexten, na Pension im Wiesengrund, uma pensão simples com café da manhã, estacionamento e uma bela vista das montanhas, mas afastada da cidade. De manhãzinha seguimos de carro rumo ao vale Fischleintal.

Se você prefere um pouco mais de conforto, o Hotel Monika oferece spa com saunas finlandesas, piscina indoor, academia e bio sauna. Outra experiência interessante (e mais aventureira) é se hospedar no camping Caravan Park Sexten, com seus bangalôs de madeira (e kitchenette), banho turco e academia – e exatamente no lugar de onde sai a trilha!

Dica extra: alugue um carro!

Alugar um carro para viajar pelas Dolomitas é uma das melhores coisas que você pode fazer! Isso porque o caminho pela região é um parque de diversões para adultos, com pequenas cidades charmosas pelo caminho, estradas sinuosas e vistas de tirar o fôlego.