Hygge: 6 ideias, livros ou tendências para inspirar sua semana na quarentena

Hygge (pronuncia-se “hiu-ga”) é uma palavra dinamarquesa (de origem norueguesa!) que não tem tradução em outras línguas. Ela define um sentimento de bem-estar e conforto. Sabe aquele calorzinho no coração que dá ao sentar com um café quentinho na frente de uma lareira, ao ler um bom livro no sofá ou ao sentir o calor do sol em um dia frio de primavera? Ou talvez aquela sensação que a gente tem em uma boa conversa com os amigos enquanto compartilhamos nossa comida favorita… Bem, tudo isso é hygge.

O significado de hygge envolve um sentimento de aconchego, de se sentir em casa. Hygge é uma palavra que define um sentimento extremamente enraizado na cultura dinamarquesa.

Os dinamarqueses (assim como outros povos escandinavos) são mestres em criar atmosferas que transmitem essa sensação: a hygge decor. Por isso, muitos ambientes são minimalistas e transmitem calma e intimidade, e geram a sensação de aconchego. Quer ver? É só pensar nos ambientes criados pela empresa sueca Ikea – mais funcional e minimalista que isso não existe, né?

Uma pista de que toda essa atenção aos detalhes e essa valorização do bem-estar funciona é que os dinamarqueses são um dos povos mais felizes do mundo (de acordo com o World Happiness Report) – e até possuem um instituto de pesquisa para isso: o Happiness Research Institute.

É claro que o design e o estilo nórdico não são os únicos motivos da felicidade: a Dinamarca é um dos países mais igualitários do mundo, tem licença parental compartilhada entre homens e mulheres, ensino superior gratuito e trens que funcionam no horário… Mas os dinamarqueses também queimam mais velas por família do que em qualquer outro lugar! Nesse sentido, o estilo nórdico é apenas uma consequência de escolhas que valorizam quase sempre o bem-estar.

E já que estamos em quarentena, não existe época melhor para a gente se inspirar nessa ideia, né? É nesse tempo em casa que a gente percebe a importância de ser feliz em nosso próprio lar e focar nas pequenas coisas que nos rodeiam – atualmente, para manter a sanidade, sobretudo.

Urban Jungle: uma selva dentro de casa

Se você reparar bem, nos ambientes escandinavos uma cor quase sempre se destaca no interior das residências: o verde. E ele aparece quase que unicamente nas plantas. Nessa quarentena, por que não ir além? Cuidar das plantas pode ser um exercício diário e ajuda a desestressar em tempos de incerteza. Para mim, tem ajudado horrores! O momento de rega funciona quase como uma meditação, já que eu foco apenas no presente.

Plantas dão cor e alegram o ambiente – alegram também quem cuida delas. Melhor: o Brasil possui um ótimo clima para o cultivo de diferentes espécies – plantas tropicais como monstera deliciosa e monstera adansonii estão fazendo sucesso por aqui na Europa, aliás. Vale arrumar um cantinho em casa para cuidar de algumas belezinhas verdes.

Estilo nórdico e o valor do artesanato

Foi na metade do século 19, período em que a industrialização ganhou força na Europa, que países como Dinamarca, Suécia e Noruega criaram sociedades para proteger o trabalho artesanal. Por isso, a ideia de rusticidade é muito valorizada e aparece em diversos detalhes do design de interiores dos países nórdicos (Dinamarca, Ilhas Faroe, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia).

A simplicidade mora na predominância do branco, da madeira e das linhas geométricas. Tudo tende a ser sofisticadamente simples e funcional. Quanto mais rústico melhor: peças de cerâmica e materiais naturais como algodão, bambu e lã são peça-chave no estilo escandinavo.

A loja inglesa Bloomingville é uma boa fonte de inspiração para esse estilo, com peças de tapeçaria, cerâmica e mobília com referências escandinavas.

A pequena e charmosa marca dinamarquesa Madam Stolz (que eu particularmente sou encantada!) produz itens têxteis, móveis e luminárias para decoração com uma pegada boho. A marca está sediada na pequena ilha dinamarquesa Bornholm, mas envia as peças para lojas do mundo inteiro.

Pintura terapêutica

E já que os escandinavos valorizam tanto os trabalhos manuais, que tal mergulhar em um hobby relaxante como a pintura? Não importa se você é talentoso ou não… A pintura também pode te ajudar a conquistar o sentimento de satisfação e tranquilidade.

Estudos já mostraram que a prática de técnicas de arte melhora nossa resiliência psicológica, além de reduzir sofrimento, aumentar a autorreflexão e a autoconsciência, alterar o comportamento e os padrões de pensamento e normalizar a frequência cardíaca e a pressão arterial.

O poder das velas

Em um estudo do Happiness Research Institute publicado em “O Livro do hygge: O segredo Dinamarquês Para Ser Feliz” (“The Little Book of Hygge”, em inglês) o autor Meik Wiking destaca que 28% dos dinamarqueses acendem velas todos os dias e 31% deles acendem mais do que cinco velas ao mesmo tempo! Por isso, as velas são item essencial para garantir aquela vibe hygge em casa. É, quando o assunto é decoração e bem-estar, não é preciso muito para ser feliz.

Alimentos 0km

Cosméticos com ingredientes “a zero quilômetro” é um termo que eu conheci na Itália (a ideia do Made in Italy é muito forte não por acaso!), mas percebi que ele pode ser aplicado para uma infinidade de itens, principalmente comida.

A ideia 0km consiste basicamente em valorizar os pequenos produtores locais, além de ser uma maneira de ter o melhor dos ingredientes – que chegam sempre frescos à mesa e com procedência garantida, por exemplo. Mais: essa ideia ainda ajuda na redução da pegada de carbono.

O restaurante Noma, em Copenhagen, eleito um dos melhores do mundo algumas vezes pelo ranking World’s 50 Best, é um ótimo exemplo: nele, o chef concentra-se exclusivamente em utilizar ingredientes da Escandinávia, evitando itens como azeite de oliva (ingrediente típico do Mediterrâneo) e focando em ingredientes colhidos ali pertinho do restaurante mesmo.

Essa é uma ótima ideia para focar em tempos como esse (e em outros também!): apoiar o comércio local e os pequenos produtores.

Manual Hygge: “O Livro do Hygge: O Segredo Dinamarquês Para ser Feliz”

Se você ficou interessado na ideia de hygge, pode ser uma boa ideia comprar um dos vários livros sobre o tema. Talvez o mais famoso deles seja o livro escrito pelo presidente do Happiness Research Institute, Meik Wiking: The Little Book of Hygge: Danish Secrets to Happy Living, em inglês; ou O Livro do Hygge. O Segredo Dinamarquês para Ser Feliz, em português.

Bem ilustrado, o livro discorre sobre o estilo de vida dinamarquês e como a ideia de hygge é aplicada no cotidiano desse povo. Uma ótima inspiração para essa quarentena e também ótimo para presentear quem a gente ama!

7 costumes alemães que foram um baita choque cultural

Costumes-Alemães-Pexels-por-Niki-Nagy.

Quando a gente pensa na Alemanha, logo imagina trens que chegam pontualmente (se eu conhecesse a Deutsche Bahn antes, não pensaria isso), pessoas sérias e bem focadas, muita tecnologia e vários tipos de salsicha. Nós também lembramos do 7×1 – afinal, como esquecer? Alguns estereótipos e costumes alemães são bem conhecidos mundo afora – outros, por outro lado, estão bem escondidinhos e é preciso mais do que uma viagem para descobri-los.

Costumes alemães: saindo da bolha em que eu cresci

Eu confesso que viver na Alemanha me fez perceber alguns costumes que eu nunca havia ouvido falar, mas que são intrínsecos à cultura alemã.

Há mais de seis anos namorando um alemão, dois anos vivendo em Munique e três meses explorando Berlim, posso dizer que sou, ao menos, iniciada nessa cultura. E vou te contar: alguns hábitos alemães eu aderi sim, mas outros eu prefiro deixar para lá!

É claro que essa lista de hábitos não é e nem pretende ser uma verdade universal, claro. Nem todos os alemães ficam pelados na sauna ou contam batatas. Mas isso acontece com certa regularidade. É apenas um relato de quem enxerga essa cultura com outra bagagem e referências culturais. Só.

1. Ficar pelado é ok!

Ops! Uma ilha na Croácia deixando claro para os alemães que ali o nudismo não é permitido, não

Esse foi definitivamente meu choque cultural preferido. Os alemães tem o hábito de frequentar saunas completamente nus e, em alguns lugares, esse hábito se estende a outros espaços públicos. Em Munique, por exemplo, existem 6 áreas dentro da cidade onde ficar sem roupas é permitido – uma delas fica no Englischer Garten. Gostei tanto desse costume alemão, que ir à sauna se tornou um dos meus passeios de inverno preferidos!

Eu já era fã de topless, porque a sensação de liberdade é muito grande. Mas poder ficar pelada sem se sentir ameaçada é outro nível de liberdade – principalmente para uma mulher que nasceu e foi criada em uma cultura machista como eu. Sinto que aqui os corpos são vistos apenas como corpos – e não há tanta objetificação ou sexualização do corpo como acontece no Brasil.

Na Alemanha o movimento Freikörperkultur, ou “cultura do corpo livre”, é muito forte. O FKK, abreviação do nome do movimento, era muito comum na República Democrática Alemã (Alemanha Oriental) após a Segunda Guerra. Lá, a cultura do corpo livre era uma maneira de liberar a tensão em um ambiente tão restritivo – se permitir ficar sem roupa faz parte da cultura do bem-estar por aqui. E faz todo o sentido: se a gente busca uma sociedade livre, também devemos liberar nossos corpos, certo?

2. Já ouviu falar em wanderlust?

Essa palavrinha que ganhou os estúdios de tatuagem e é até considerada altmodisch (fora da moda) por aqui, na minha opinião, é um pouco controversa. Quer dizer, wanderlust seria algo como wandern + lust (vontade de vagar, literamente). Mas wandern é um hábito MUITO alemão e, na prática, significa basicamente “andar a pé por poucas horas ao ar livre”.

Desde pequenos, os alemães são ensinados que faz bem para o corpo um pouco de ar fresco todos os dias. Por isso, eles saem algumas horas a pé para dar uma volta e tomar ar puro. Se esse lugar for em meio a natureza, perfeito! Mas wandern em si não é um trekking: consiste em uma volta de algumas horas em um espaço aberto, só isso. Poderia ser dar uma volta no quarteirão ou em uma fazenda de soja.

Também não importa a temperatura lá fora ou se chove muito: eles acreditam que não existe clima bom ou ruim, existem apenas roupas erradas. E, por isso, eles dão a voltinha no quarteirão mesmo que esteja caindo o mundo.

3. Batatas contadas, um hábito muuuito alemão

“Quantas batatas você come?” é uma pergunta muito alemã. É claro que nem todos os alemães são assim, mas é um costume alemão perguntar a exata quantia que você irá comer para não sobrar comida. Isso vale para batatas, croissants, pães… Não estranhe se você for convidado para um jantar e esse tipo de pergunta aparecer na conversa. É um costume alemão perguntar quantidades para evitar desperdício.

4. Burocracia em modo analógico

Depois de morar na Itália, achava que a “terra da bota” era muito burocrática e analógica… Bem, até viver na Alemanha, onde absolutamente tudo deve ser resolvido por cartas. Quer cancelar um plano de celular? Envie uma carta. Quer se registrar na cidade? Uma carta vai te ajudar, com certeza. Boas e más notícias vem por cartas.

E nessa brincadeira de enviar cartas, semanas são perdidas para resolver problemas que seriam facilmente resolvidos por e-mail. Nervig.

5. Um seguro para tudo

Ah, se existe um costume alemão bastante difundido é a ideia de que os alemães são exímios poupadores. E quem poupa quer se proteger de imprevistos, certo? Por isso, a ideia de ter um seguro para absolutamente tudo faz muito sentido entre eles. Seguros para celular, para óculos escuros, para relógio, para bicicleta… Há seguro para todas as coisas na Alemanha!

6. Pães e frios no jantar, vegetais grelhados no churrasco

Tradicional jantar alemão: pães e frios

O jantar, na minha opinião, é a refeição menos valorizada por aqui. Quer dizer, ele quase sempre consiste em alimentos frios. Os alemães montam uma mesa com pães, diferentes tipos de queijos, alguns embutidos, legumes e… Prontinho, o jantar está na mesa! Os alemães sentem bastante orgulho dos pães produzidos por aqui: há uma infinidade de tipos, com destaque para os pães integrais, com diferentes tipos de sementes.

Quando o assunto é churrasco, esqueça a versão brasileira com diferentes tipos de carnes. No churrasco alemão há carne vermelha sim, mas eu tenho a impressão de que os vegetais (batatas embaladas no alumínio e espetinhos de pimentão estão sempre presentes) dividem os holofotes e ganham a mesma atenção na grelha. Apesar do alto consumo de embutidos, a Alemanha é um paraíso para os vegetarianos.

7. O que é cartão de crédito mesmo?

Essa é uma realidade que mudou um pouco por causa da pandemia (muitos comerciantes passaram a priorizar cartão sem contato). Mas, infelizmente, ainda é comum alguns lugares não aceitarem pagamento com cartão de crédito. Louco, né? É paradoxal perceber que os alemães, famosos pela tecnologia, evitam algumas novidades que facilitam demais a vida.