Montenegro: uma road trip por esse minúsculo país dos Balcãs

Baía de Kotor, em Montenegro

Vou começar esse post com uma confissão: Montenegro nunca esteve na minha bucket list. É, a ignorância pode fazer a gente perder oportunidades bonitas do caminho! Lição aprendida. A ideia de visitar o país surgiu quando as restrições por causa do corona vírus começaram a serem aliviadas neste verão de 2020. Decidimos que era hora de viajar para um lugar com praia e aproveitar alguns dias de sol. Então…

Sempre lotada na alta temporada, a Croácia é o tipo de lugar que a gente costuma passar bem longe em nossas viagens. Mas, por causa do Covid-19, as cidades antes dominadas por cruzeiros e turistas do mundo inteiro agora estariam vazias apenas com turistas europeus. Enfim, era a chance perfeita para conhecê-la de uma maneira mais tranquila!

Mas ainda faltava uma pitada de interessância nesse roteiro de verão, sabe? Um lugar que fosse capaz de nos surpreender, de um jeito ou de outro. Olhamos no mapa e lá estava ela, a bela Montenegro – desconhecida (por nós, é claro), convidativa e cheia de história. Por isso, decidimos assim: ficaríamos uma semana em Montenegro e então partiríamos para outra semana na Croácia.

Nossa viagem começa aqui!

Como chegar em Montenegro?

Chegamos em Montenegro em um vôo direto de Stuttgart, na Alemanha, para Podgorica, capital do país balcã. Ali mesmo, alugamos um carro e partimos para explorar a região.

Alugar um carro é a melhor maneira de viajar em Montenegro, já que o transporte deixa a desejar e isso pode dificultar a locomoção entre um lugar e outro. Um bom exemplo dessa dificuldade: aguardamos um bom tempo pelo ônibus que nos levaria do aeroporto de Kotor até a cidade mas, no final, tivemos que pegar carona na estrada.

Adriatic Highway e as sinuosas estradas de Montenegro

As estradas de Montenegro pedem experiência e muita atenção no volante. São sinuosas e, muitas vezes, perigosas. São estradas de montanha, com muitas curvas e geralmente tem pista simples. Às vezes é preciso buzinar nas curvas para evitar uma colisão frontal.

A boa notícia é que Montenegro é um país de dimensões pequenas: tem apenas 13,8 mil km² (ou cerca de duas vezes o tamanho da região metropolitana de São Paulo!). Com as distâncias curtas, fica muito mais fácil viajar pelo país inteiro conhecendo os principais pontos turísticos.

Day trip x viagem longa: qual vale a pena?

Muita gente coloca Montenegro (geralmente, Kotor e Budva) no roteiro de viagem como uma day trip a partir de Dubrovnik, na Croácia. Mas, olha, você vai ver que vale a pena sim uma road trip mais longa pelo país.

Uma semana em Montenegro: o que visitar?

Com montanhas escarpadas, fiordes, praias de areia branquinha e um mar de águas cristalinas, Montenegro é um país de belezas naturais estonteantes. E história também!

Breve história de Montenegro

Os nomes do país, tanto Montenegro (do italiano veneziano) quanto Crna Gora, significam “Montanha Negra”, em referência ao Monte Lovćen, coberto por florestas muito densas, e que funcionou como fortaleza nos séculos de luta com os turcos.

Durante a Idade Média, três principados eslavos estavam localizados onde hoje é Montenegro: Duklja, Travunia e Rascia. Com a luta de poder pela nobreza, os principados foram enfraquecidos e dominados pelo Império Sérvio. O nome Montenegro foi usado pela primeira vez para se referir ao país apenas no final do século 15. Entre 1496 e 1878, o território foi tomado pelo Império Otomano.

Muitas rebeliões aconteceram até que Montenegro reconquistasse sua independência, se tornando primeiro uma teocracia e depois um principado. Em 1910, o território virou um reinado, quando o Império Otomano perdeu a maior parte de suas terras nos Balcãs. Após a Primeira Guerra, Montenegro se tornou parte da Iugoslávia. Com o fim da Iugoslávia, Montenegro e a Sérvia declararam que seriam uma federação. Em 2006, após um referendo, Montenegro declarou sua independência. Os montenegrinos são muito orgulhosos de toda a sua história de luta e o que não faltam são histórias de como eles venceram batalhas contra o Império Otomano!

Focamos nossa viagem na costa do país, mas é importante ressaltar que a parte continental de Montenegro também guarda lugares que valem a pena visitar, como o Monastério de Ostrog e o parque nacional de Durmitor, Patrimônio Natural da Unesco, e onde está Bobotov Kuk, uma das montanhas mais altas do país com 2523 m de altitude.

Lago Skadar e suas montanhas

Saímos de Podgorica e seguimos para Virpazar, pequena vila nas margens do Lago Skadar. Ali, decidimos fazer um passeio de barco pelo lago (25€ o casal + 4€ por pessoa, valor da entrada do parque). O passeio durou cerca de duas horas e pudemos ver pelicanos e até nadar.

Pavlova Strana: uma das paisagens mais famosas de Montenegro
Pavlova Strana: uma das paisagens mais famosas de Montenegro

De lá, seguimos para uma estradinha cheia de curvas com vistas impressionantes para um braço do Lago Skadar, o Pavlova Strana Viewpoint, perto de Rijeka Crnojevica. Do mirador, era possível ter a vista de uma das paisagens mais lindas do país com suas montanhas escarpadas sobre o terreno alagado.

A pequena vila de Virpazar, nas margens do Lago Skadar
A pequena vila de Virpazar, nas margens do Lago Skadar

Em Virpazar, além de passear de barco, tomamos um café-da-manhã/almoço com comidas tipicamente montenegrinas.

Budva, centro histórico medieval e belas praias

No mesmo dia, seguimos para Budva, onde passamos a noite. O centro histórico de Budva é uma graça, com suas casinhas de pedra (dominadas por lojinhas e restaurantes) e as praias de águas cristalinas – mas tomadas por bares com guarda-sol. Budva é famosa por seus clubes e festas e ali, assim como em Hvar na Croácia, atracam iates do mundo todo.

Praia em Budva: um dos poucos cantinhos livres para estender a canga na areia
Praia em Budva: um dos poucos cantinhos livres para estender a canga na areia

Budva é o destino turístico mais popular de Montenegro – mas, na minha opinião, não é nem de longe o mais charmoso. É um balneário muito turístico e perfeito para quem ama festas, apesar de possuir uma história riquíssima.

Um pedacinho da Igreja de Saint Ivan, em Budva
Um pedacinho da Igreja da Santíssima Trindade, em Budva

Budva é uma das cidades mais antigas do mar Adriático: sua história remonta ao século 5 antes de Cristo. No século 2 a.C., Budva foi dominada pelos romanos. Depois, com a queda do Império Romano, Budva fez parte do Império Bizantino. Foi ainda dominada pelo Império Servo, fez parte da República de Veneza e lutou contra os turcos. Enfim, história não falta!

A cidadela de Budva e suas casinhas de pedra
A cidadela de Budva e suas casinhas de pedra

Duas ótimas opções de hospedagem em Budva são o Fontana Hotel & Gastronomy e o Hotel Majestic, localizados pertinho do centro histórico. Outra opção mais em conta e com atendimento familiar (mas um pouco mais afastada do centro) são os Apartment Mikovic – nossa escolha em Budva.

A badalada Sveti Stefan

Partimos de Budva em direção às praias de Ulcinj e no caminho paramos para apreciar a beleza de Sveti Stefan. A apenas 6km de Budva, Sveti Stefan é uma ilhota com uma vila de pescadores fortificada datada do século 15 transformada em hotel de luxo, com spa e restaurantes. Entre as propriedades do hotel também está a Villa Milocer, datada do século 19, em terra firme.

A luxuosa Sveti Stefan até parece uma pintura!
A luxuosa Sveti Stefan até parece uma pintura!

Se sua intenção é passar o dia em Sveti Stefan mas sem se hospedar por lá, vale a pena fazer uma reserva em um dos restaurantes do lugar para conhecer as estruturas históricas.

Kitesurfer? Seu lugar é em Ulcinj!

Ulcinj é uma cidade bem ao sul de Montenegro, pertinho da fronteira com a Albânia. O lugar é famoso por causa de Velika plaža, uma praia de areias branquinhas com 12 quilômetros de extensão e considerada o melhor destino para kitesurf dos Balcãs.

Ulcinj: um pouquinho dos 12km de areias branquinhas da famosa praia
Ulcinj: um pouquinho dos 12km de areias branquinhas da famosa praia

Por lá, kitersurfers do mundo inteiro aproveitam os ventos fortes para aprender e treinar o esporte – e foi exatamente isso que o meu namorado foi fazer ali! Enquanto isso, eu aproveitava a vasta estrutura de bares e restaurantes a beira-mar para trabalhar com meu laptop. Wi-fi, a deliciosa salada sopska e uma limonada, o que a gente pode querer mais da vida?

A cidade antiga de Ulcinj

Apesar de famosa por sua praia, Ulcinj não se resume a isso. Ulcinj é a cidade mais antiga de Montenegro e, claro, também abriga uma cidade antiga, que aguarda o reconhecimento como Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Vista da cidade antiga de Ulcinj
Vista da cidade antiga de Ulcinj

A cidade fortificada data da Idade Média, mas os muros de Cíclope indicam que as primeiras ocupações aconteceram entre os séculos 4 e 5 a.C. E como não poderia deixar de ser, os venezianos também passaram por ali. Entre os anos 1421 e 1571, eles dominaram a cidade e construíram rampas, portões e a torre. A cidadela ganhou palácios, igrejas e praças góticas e renascentistas. Sob o domínio turco, Ulcinj também se transformou, e essas referências orientais aparecem em construções de pedras cortas e quebradas.

Lendas e mistérios

Diz a lenda que Miguel de Cervantes foi preso e escravizado em Ulcinj. Se isso é verdade, ninguém sabe. A lenda se baseia no fato de que Dulcineia, o amor de Dom Quixote era de… Ulcinj!

Onde comer em Ulcinj?

Frutos do mar e vinho branco – o que a gente pode querer mais da vida?

A verdade é que assistir o pôr-do-sol em um dos restaurantes de Ulcinj Stari Grad (“Stari Grad” é o termo montenegrino para cidade antiga) é uma das melhores coisas que você pode fazer! E uma das mais românticas também. Jantamos no restaurante Antígona, com vista para o penhasco à beira-mar. Optamos por um menu variado com frutos do mar e vinho branco da casa. O atendimento também foi super especial. Uma delícia!

A hedonista Ada Bojana

Outro dia, jantamos em um restaurante nas proximidades da Ilha Bojana (ou Ada Bojana, em montenegrino), bem na fronteira com a Albânia, no delta de um rio.

Pôr-do-sol em Ada Bojana e seus restaurantes em palafitas
Pôr-do-sol em Ada Bojana e seus restaurantes em palafitas

Ali, há uma variedade extensa de restaurantes em casinhas palafitadas na beira-rio. Nosso escolhido foi o restaurante Misko, o primeiro e mais antigo restaurante de Ada Bojana. O lugar é um salão fechado com vista para o rio. E, apesar de o serviço ser um pouco demorado, os frutos do mar eram uma delícia. Nossa escolha: lulas grelhadas e risoto negro com frutos do mar.

O pôr-do-sol em Ada Bojana também é uma coisa de lindo! Importantíssimo: não se esqueça de levar repelentes. Para quem é mais livre, em Ada Bojana existe um resort naturista, de frente para a praia de areias branquinhas. O paraíso para quem quer relaxar e viver a vida offline.

Onde se hospedar em Ulcinj

Passamos quatro noites hospedados em Ulcinj, uma vez que meu namorado queria praticar kitesurf. Optamos por uma cabana do Holiday Park Olive Tree, uma propriedade relativamente isolada (para chegar à cidade é preciso passar por estradas de terra), com oliveiras e algumas cabanas de madeira. O dono do lugar nos contou que a propriedade está com a família dele há cerca de 400 anos! Enfim, é o ambiente perfeito para quem busca férias tranquilas e longe do burburinho.

Stari Bar: uma cidade antiga abalada por terremoto

Diferentemente de Kotor e Budva, a cidade antiga de Bar (chamada Stari Bar pelos montenegrinos) não está localizada na costa. Por uma simples razão: quando localizada na costa, a cidade era constantemente atacada por piratas. A solução foi então construí-la em uma parte alta, a cerca de 5 km da praia. Hoje, a vila medieval se encontra em ruínas, mas definitivamente vale a pena a visita. Metade de um dia é o suficiente para conhecer o lugar.

Em Stari Bar: um dos poucos aquadutos que ainda existe em Montenegro
Em Stari Bar: um dos poucos aquedutos que ainda existe em Montenegro

Antivari (como a cidade é chamada em italiano) era parte do Império Bizantino e também já foi anexada pela República de Veneza, até ser tomada pelo Império Otomano, em 1571. Entre 1876 e 1878, a cidade foi destruída na Guerra Montenegrina-Otomana. Em 1878, os montenegrinos detonaram 225kg de explosivo para destruir o aqueduto, cortando o fornecimento de água do lugar e fazendo com que os oponentes, ali encurralados, se rendessem. Por ter sido dominada por diferentes povos, é possível encontrar nas ruínas os restos de edificações de diferentes tipos arquitetônicos.

Pequenas preciosidades: os mosaicos da cidade antiga de Bar
Pequenas preciosidades: os mosaicos da cidade antiga de Bar

Cem anos depois, em 1979, o forte terremoto que atingiu Montenegro destruiu novamente o aqueduto que abastecia Stari Bar. Então, a população abandonou a cidade antiga para se instalar na costa e nas proximidades do porto. Mas com a reconstrução do aqueduto, a região passou a ser novamente ocupada.

Old Bar: o que restou de uma cidade medieval depois de terremotos e guerras
Old Bar: o que restou de uma cidade medieval depois de terremotos e guerras

Agora, na cidade baixa (conhecida como Podgrad), localizada na base da fortaleza, há uma série de pousadas, lojinhas de souvenir e restaurantes super charmosos – mesmo! É uma de-lí-cia ficar ali!

Nós almoçamos no Konoba Bedem, um restaurante casual com decoração colorida e ambiente descontraído. Além das delícias gastronômicas de Montenegro, ali também bebemos o típico suco de romã da região (mas o lugar oferece também cerveja e vinho de romã). As lojinhas da rua também vendem xaropes de romã, mel, vinho e azeite da região.

Nas proximidades de Bar também está a Stara maslina, uma das oliveiras mais antigas do mundo. Dizem que a árvore de dez metros de circunferência tem mais de 2 mil anos de idade – e é considerada uma das 3 oliveiras mais antigas do mundo! Ali, famílias que brigavam costumavam fazer acordos de paz. A Stara maslina está localizada em um parque, cuja a entrada custa 1 euro, a cerca de 5km de Bar. Enfim, essa é uma daquelas paradas típicas de road trip que valem para matar a curiosidade!

A majestosa Kotor

Kotor (ou Cattaro, em italiano) foi nossa última parada em Montenegro e também o meu lugar preferido no país. Eu amei tanto Kotor que acho que a cidade merece um post especial! A razão? Bem, Kotor é (mais?) uma cidade fortificada na costa dos Balcãs (assim como as já citadas Budva, Ulcinj e Bar, e também outras como Dubrovnik e Korcula, na Croácia).

Bem, cada cidade fortificada é dona de uma beleza ímpar, e a beleza de Kotor mora na localização privilegiada: Kotor está na Baía de Boka, uma baía com fiordes. Sim, FIORDES! Os fiordes mais setentrionais da Europa, aliás.

A maneira como as montanhas escarpadas crescem sobre o mar de águas cristalinas e as construções mediterrâneas (com um toque veneziano) dão uma beleza quase que sobrenatural para o lugar. Palmeiras, flores, veleiros… Uma beleza idílica. A cidade ainda conta com uma cidade medieval muito bem preservada e que também é Patrimônio da Unesco.

Dali, seguimos para a Croácia e, no caminho, vivemos uma odisséia. Por causa do COVID, as fronteiras terrestres entre os dois países estavam fechadas. Táxis e ônibus saindo de Montenegro não podiam entrar na União Europeia. Tivemos que atravessar os quase 3km fronteira a pé, subindo o morro, com malas, em uma pista sem acostamento e no calor de 35 graus. Mas isso é assunto para a mesa de bar! haha

Informações úteis sobre Montenegro

Capital: Podgorica
Língua: Montenegrino, uma língua bem parecida com o croata e o sérvio.
Moeda: Euro (apesar de Montenegro – ainda – não fazer parte da União Europeia!).
Clima/Quando Visitar: Julho e Agosto são os meses de alta temporada, quando o clima está seco e muito quente (e os preços estão lá no alto!). Nós viajamos em Agosto e confesso que entre 12h e 15h era muito difícil fazer qualquer atividade ao ar livre por causa do calor extremo. Maio, Junho, Setembro e Outubro são meses em que as temperaturas estão mais amenas e ainda é possível nadar, mas alguns bares e restaurantes podem estar fechados. O inverno, entre Novembro e Abril, é a temporada perfeita para quem ama esquiar!
Visto para brasileiros: Dispensa de visto, por até 90 dias.

Algarve: explorando as praias que são um pedacinho do céu em Portugal

Praia do Camilo - Lagos - Algarve - Portugal

É verão na Europa! E o Algarve é aquele tipo de lugar que dá vontade de voltar todo ano. Essa região do sul de Portugal é casa de comidinhas deliciosas (em cada esquina há um pastelzinho de nata te convidando para uma pausa para o café!), praias de tirar o fôlego, centros históricos pra lá de charmososclima solar e preços bem mais amigáveis do que outros países europeus. Tem também aquela sensação de que você está visitando um pedacinho do Brasil e até dá para se sentir em casa. Resumindo: se você procura um bom lugar para passar o verão na Europa, não deixe de visitar o Algarve!

Portas de Portugal - Portimão - Algarve
Azulejos portugueses: muito, muito amor!

Fui pela terceira vez para o Algarve e tive diferentes experiências. A primeira vez me hospedei em Faro, a segunda em Portimão e a terceira em Fuseta (em breve em um outro post!) e Lagos. Também passei um dia em Albufeira e… Bem, o que eu posso dizer é que entre as cidades algarvias que eu conheço, Lagos é de longe a minha preferida. E o motivo é bem simples: apesar de super turística e bem mais cara do que as outras cidades da região (e cheia de ingleses), Lagos é dona de algumas das praias mais lindas do Algarve. Melhor: dá para conhecer várias delas a pé!

Pastel de nata e galão no Algarve, em Portugal
Mas antes… Pausa para um pastel de nata acompanhado de um galão, o café com leite português!

Mapa: conhecendo as praias de Lagos a pé

Comecei o passeio pela Praia da Batata, a mais feinha de todas, confesso – mas que funciona como um aquecimento, vai. Ela fica pertinho do centro da cidade e por isso mesmo é um começo mais do que justo. Seguindo, está a Praia dos Estudantes. Pequena, mas com os famosos penhascos dourados começando a ganhar majestade. Na Praia da Batata existe um túnel entre as pedras que liga uma praia a outra.

Lagos: as praias mais bonitas do Algarve

Agora sim as praias começam a ficar bonitas de verdade! Próxima parada: Praia do Pinhão.  As águas claras e os penhascos já mostram porque o Algarve é um dos destinos mais famosos quando o assunto é praia.

Praia da Dona Ana

A praia Dona Ana é o lugar perfeito para você estender sua canga na areia e curtir o vai e vem das ondas sem pressa. Isso porque a extensão de areia disponível é maior do que nas outras praias. Boa notícia: você não tem que disputar espaço com muita gente!

Vista da Praia do Camilo, em Lagos, Algarve, Portugal
Vista da Praia do Camilo em Lagos, no Algarve

Praia do Camilo

Talvez aqui tenha sido criada uma das minhas definições pessoais de paraíso. As águas da Praia do Camilo são verdes e cristalinas… De tão calminho, o mar até parece uma piscina. As falésias douradas emolduram a faixa de areia disponível – que é bastante disputada.

Praia do Camilo - Lagos - Algarve - Portugal
Prazer, Praia do Camilo! Dá para ser mais incrível?

É definitivamente minha praia preferida e talvez a praia que seja o maior símbolo de toda a beleza do Algarve. Uma escadaria de madeira abre o caminho do topo das falésias até a praia e é um dos pontos mais famosos para tirar fotos do lugar. Existe um restaurante no topo da falésia para quem deseja fazer uma parada para o almoço, mas ali embaixo nadinha… Só a natureza!

Praia do Camilo Algarve Portugal
A foto clássica não pode faltar, né?

Transporte no Algarve: como montar um roteiro

Uma das melhores maneiras de viajar no Algarve é por meio de comboio – ou, em português brasileiro, de trem. O preço das passagens é barato e o serviço é OK (prepare-se para atrasos recorrentes de poucos minutos). E quando eu digo que o valor das passagens de trem no Algarve é barato, é barato mesmo! Olha só: de Olhão a Fuseta pagamos € 1,45, de Faro a Fuseta € 2,15, e de Faro a Lagos entre € 6 e € 11 (por 1h 45 de viagem). A velocidade dos trens, no entanto, é baixa e por isso a viagem pode ser sim cansativa. Mas, acredite, vale a pena!

Outra maneira muito popular para viajar no Algarve é alugando um carro. Esta era uma das nossas opções, mas mudamos de ideia porque não teríamos tempo hábil para conhecer as praias mais remotas. Mas se você pretende conhecer a famosa Praia da Marinha, definitivamente alugar um carro é uma ótima escolha!

Aeroporto no Algarve: aterrisse em Faro

Se você está se perguntando qual a maneira mais fácil de se chegar em Lagos e nas praias mais bonitas do Algarve, a dica é aterrissar no aeroporto de Faro. Ali, pousam companhias áreas budget friendly como a Ryanair e EasyJet, e outras grandes como TAP, Lufthansa, British Airways e Eurowings. E mais boa notícia: o aeroporto só fica a dez minutos do centro da cidade.

De Sevilha ao Algarve de ônibus

Se você está viajando pela Andaluzia e é que nem eu e sempre está buscando um bom motivo para emendar uma viagem na outra, pode ser uma boa ideia pegar um ônibus em Sevilha com destino a Faro. Você encontrará passagens que custam entre € 10 e € 30 e a viagem dura, em média, 2h30.

Onde se hospedar no Algarve?

A hospedagem no Algarve é relativamente barata – pelo menos fora de julho e agosto, altíssima temporada. Vou contar minha experiência em três cidades distintas e em diferentes tipos de hospedagem (porque sou dessas, hahaha):

Hostel bem localizado em Faro

Aqui foi a primeira vez que visitei o Algarve. Escolhi Faro por conta da proximidade do aeroporto, mas sofri com a distância da cidade e das praias mais bonitas. Por exemplo: inventei de conhecer Albufeira na manhã que tinha um vôo a tarde e quase perdi o vôo, porque o sistema público de transporte não é lá muito eficiente. Me hospedei no Le Penguin Hostel, um hostel super gracinha no centro da cidade com café da manhã incluso. O atendimento poderia ter sido mais simpático, mas a estrutura do lugar era boa, o hostel era limpinho e bem localizado.

Portimão: versão contos de fadas

Na minha segunda vez no Algarve decidi que deveria ficar mais perto das praias mais bonitas. Portimão parecia uma ótima ideia… E foi, em termos. É que ainda assim a viagem de Portimão a Lagos, onde estavam as praias incríveis que eu queria conhecer, era bastante cansativa. Esses comboios cansam, viu?

Quarto do Hotel Made Inn, em Portimão, Algarve, Portugal
Quarto do Hotel Made Inn, em Portimão, Algarve

A boa notícia é que Portimão também tem praias lindas, como a Praia dos Careanos. Melhor: o custo-benefício aqui, se comparado a Lagos, foi extremamente bom. Fiquei em um dos quartos mais legais que já me hospedei na vida. Paguei € 20 no Hotel Made Inn em um quarto inspirado em contos de fadas e café da manhã incluso.

Lagos: hotel pertinho de tudo

Para quem prefere ficar pertinho de onde tudo acontece, Lagos é o lugar! A cidade é recheada de bons restaurantes, cafés, tem uma marina gracinha, vida noturna agitada (é lotada de ingleses à procura de badalação!)… E, claro, paga-se por isso.

Centro histórico de Lagos Algarve Portugal
O centrinho de Lagos, que até parece Minas Gerais

Ficamos no Lalitana, uma guest house bem no centro da cidade. Com apenas seis quartos, a Lita, dona simpática do lugar, toma conta de tudo pessoalmente. O quarto era pequeno e o banheiro compartilhado. O preço? Pagamos € 70 a diária. Um café da manhã bem simples estava incluso, mas a guest house também oferece aulas de yoga, passeios na natureza… Na parte térrea, o Lalitana ainda conta com um restaurante vegetariano que é muito famoso em Lagos. Infelizmente, chegamos na segunda-feira e ele estava fechado. O menu parecia recheado de delícias… Fica para a próxima!

A  melhor época para visitar o Algarve

Sempre visitei o Algarve em junho, que considero uma ótima temporada, porque combina bons preços, clima bom e lugares menos cheios. Nos meses de julho e agosto o Algarve é lotado, os preços sobem e até estender a canga na areia e conquistar um lugarzinho sob o sol fica difícil!