Quanto custa viver na Itália?

Quanto custa morar na Itália - Malcesine no Lago di Garda

Um dos primeiros passos quando a gente decide mudar de país é calcular o custo de vida do lugar. Quando eu me mudei para a Itália, sinceramente não fazia ideia do que me esperava. Mergulhei de cabeça e, mesmo que essa tenha sido uma atitude extremamente ingênua, eu aprendi que as coisas sempre dão certo – e se não der a gente trabalha duro e faz dar. Se você pretende se mudar para o país e quer saber quanto custa viver na Itália, esse post é para você!

Quando deixei um emprego estável e uma carreira de repórter de uma grande editora para ver o mundo de lado de fora do escritório, não sabia muito bem o que viria depois. A verdade é que a maturidade veio em forma de boletos e na hora de lidar com burocracias em uma língua que não é a minha – é preciso fôlego e muita convicção para argumentar com italianos.

Também veio com a dificuldade que é entender como funciona o sistema de impostos quando você trabalha remotamente para empresas do Brasil e do Reino Unido, mas tem residência na Itália. Eu definitivamente me tornei uma pessoa muito mais forte e pé no chão com essa experiência.

But first things first, my dear!

Custo de vida na Itália x outros países europeus

A Itália é um país com custo de vida médio se comparado a outros países europeus. O custo de vida também varia, claro, de cidade para cidade. Milão é uma cidade cara, onde um quarto em casa compartilhada com outras pessoas, custa, em média, entre 600 e 700 euros por mês. Em Bologna, esse valor gira em torno de 400 a 500 euros.

Você perceberá que, não por acaso, a Itália é uma Blue Zone – áreas onde a população ultrapassa os 100 anos de idade. É possível comer bem e ter uma vida equilibrada com pouco.

Por aqui, reinam as pequenas empresas e comerciantes de bairro. As cooperativas também são o ponto forte da Emilia-Romagna. Buy Local é um movimento que existe desde sempre na Itália: eles valorizam de verdade pequenos produtores e negócios de bairro.

Quanto custa viver na Itália: tabela de gastos

É claro que o custo de vida é relativo. Ele vai depender da região onde você mora, do tipo de alimento (e do vinho! <3) que costuma consumir, dos seus hobbies e até se você é uma pessoa friorenta. haha

 

Viela de San Marino
Vielinhas para todos os lados

 

Abaixo, você terá uma ideia dos meus gastos básicos em uma cidade de médio porte na Itália: Rimini tem cerca de 300 mil habitantes, muita variedade de supermercados e está a 150 km de Bologna (cidade com um bom aeroporto com conexões para toda a Europa). Mas, é bom saber: os preços para aluguel crescem em escala exponencial no verão – e esses valores não entrarão na conta, porque no verão eu viajo – ufa! 

Eu não administro meu dinheiro por meio de budget, mas tenho uma planilha e sei para onde cada centavo vai. Isso de certa maneira me ajuda a ter consciência do que é necessidade, do que é válvula de escape (escolhas emocionais necessárias, de vez em quando) e de onde eu preciso prestar atenção para cortar custos. Meus money dials são comida, produtos de beleza (estou tentando reduzir, admito) e viagens – no geral, meu dinheiro é bem gasto com experiências, e não bens de consumo.

Aqui, segue uma lista dos meus gastos fixos e básicos – ou seja, meu custo de vida na Itália. E isso, claro, é pessoal e varia, mas talvez dê uma luz para quem pretende se mudar para cá em breve.

Aluguel

Pago 300€ em casa compartilhada com mais uma pessoa. Apesar de afastado do centro (3km), o apartamento está bem localizado, a duas quadras da praia. O contrato é de setembro a maio, uma vez que o apartamento é alugado por temporada.

Paguei um caução de 200€ na entrada, mas esse valor em outros lugares pode ser de até três vezes o aluguel. Também paguei  50€  pelo contrato + uma taxa de limpeza. Um monolocale (studio) em Rimini custa entre 500 a 600€ por mês.

Alimentação: o paraíso dos hortifrutis

Eu gasto cerca de 50€ por semana em supermercado – em média 200€ por mês. Mas, sinceramente, eu enfio o pé na jaca. Também é importante considerar que a carne é um alimento caro (a carne de frango custa entre 9 e 13€/kg) e um bom bife… Bem, nem sei quanto custa porque não como mais.

Se você é vegetariano, aqui é o seu lugar!

A pasta é muito barata (em média, a pasta Barilla custa 50-70 cents de euro). Uma passata rústica de tomate custa entre 60 cents e 1€ pasta fresca custa, no mínimo, 18€/kg para massas simples como gnocchi, 38€/kg para pastas recheadas, como tortellini.

O vinho também pode ser muito barato: no dia a dia,  sempre vou de Falanghina (para frutos do mar) e Sangiovese (pastas e carnes), que custam SÓ dois euros. Coisa boa!

E o que falar dos hortifruti? Espalhados pela cidade, eles são quase como um parque de diversões para gente grande: a maior parte dos alimentos tem preço tabelado de 1 euro/kg. Ou seja, é um estímulo e tanto para você ser uma pessoa saudável! Se você viver de salada, pode diminuir os gastos de supermercado para 10 euros por semana. E é exatamente o que eu pretendo fazer.

Os preços nos hortifrutis são muitas vezes 1/3 dos preços cobrados nos supermercados. Por causa do inverno, quando a oferta de frutas, legumes e verduras cai bastante, os italianos costumam criar um estoque de vegetais congelados. Compram os alimentos frescos na temporada e congelam para consumir no inverno. É uma ótima maneira de ter o controle sobre o consumo.

Banco

Aqui na Europa, tenho acesso a duas contas bancárias. A conta italiana que foi aberta na Posta Italiana e custa 10 euros por ano, e o Revolut, no qual posso fazer transações e saques gratuitos em toda a Europa (com limite de 6 mil euros por mês), além de poder receber em libras esterlinas e comprar euros quando a cotação me favorecer. Também uso o Transferwise para enviar dinheiro para a minha conta do Brasil sempre que necessário.

Os juros são extremamente baixos e, por isso, não faz muito sentido ter poupança ou investimentos em títulos do tesouro, por exemplo. O dinheiro fica parado e não rende. Mas ainda estou estudando boas formas de investimento na Europa – quem sabe o assunto não vira tema para um futuro post?

Transporte

Aqui, o bilhete unitário custa 1,70€ e a opção mensal custa 28€. Transporte é muito barato na Itália. Em Munique (Alemanha), por exemplo, o bilhete custa o dobro do preço.

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the ~dolce far niente~ way of life.

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Andar de trem também é uma pechincha por aqui. O trecho Rimini – Bologna pode ser encontrado por até 10 euros. Rimini – Florença sai por 13€. E ainda existe o Flixbus (linha de ônibus econômica com trechos por toda a Europa) como opção. Infelizmente, os horários dos ônibus dentro da cidade são ruins (o transporte aqui muitas vezes pára cedo), porém os preços são bons.

Despesas fixas: gás, luz, água e telefone

Não temos telefone em casa (aliás, quem ainda tem?). Por isso, pago 10 euros por mês para ativar meu plano de celular com 4G ilimitado na Tim (internet mobile na Itália é algo realmente impressionante – é rápida, barata e ilimitada).

Já o boleto de luz é pago a cada três meses e sai em média por 35€ por pessoa. O boleto de água é bimestral e sai em média por 46€.

O gás, sim, pode ser a grande surpresa! É muito difícil sobreviver no inverno se a sua casa não tem boa vedação – como é o caso da minha, construída para ser um oásis de frescor durante o verão.

Gás talvez seja o item mais caro entre as despesas de casa. Geralmente, ligamos o aquecimento em novembro e desligamos em meados de abril. Ou seja, cerca de seis meses pagamos a conta de gás mais cara.

Quando o aquecedor está desligado, o gasto de gás gira em torno de 35 euros a cada três meses. Aí mora a maior dica de todas: em apartamentos com aquecimento autônomo, é possível controlar o horário em que a caldaia ficará ligada. Nós, por exemplo, deixamos das 20h às 22h e das 8h às 9h. Assim, a casa sempre fica quentinha e não temos surpresas na conta.

Mas, como nada é perfeito, minha última conta de gás durante o inverno (com gastos de novembro a janeiro) foi de estratosféricos 232,5€. Ouch.

Entretenimento

Isso varia de acordo com seu estilo de vida, claro. Meu hobby é viajar, então sempre que posso dou um pulinho em outra cidade (San Marino é aqui do lado!), faço um bate e volta… Enfim, aqui é onde eu mais gasto. Então 100 euros por mês é um valor OK para entretenimento se eu não viajo (conto aqui pequenos luxos, como roupas, aquele cafezinho no centro da cidade com uma amiga e aperitivi com os amigos).

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where Italy meets Austria 😊 #trento #italy #alps

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A Netflix na Europa é mais cara do que no Brasil: aqui, tem preço mínimo de 16,99 € enquanto no Brasil é R$ 19,90. E, por isso, pago a Netflix do Brasil com meu cartão de crédito brasileiro (ou seja, cerca de 3€!). Baita diferença, né?

Mas e a saúde, Mariana?

Sistema Sanitario Nazionale (SNN), sistema de saúde italiano, não é 100% gratuito, mas é acessível e de altíssima qualidade. Não é um sistema que te obriga a ter um seguro de saúde, como na Alemanha.

Na Itália, cada pessoa possui um médico de família e cada vez que você faz consulta com um especialista que não seja o seu médico de família deve pagar o ticket sanitário, que custa a partir de 25€.  Alguns exames e cirurgias também podem ser cobrados por meio do ticket sanitário. Enfim, esses custos só entram na planilha quando são usados de fato, né?

Ainda não tive nenhuma experiência no SNN (pretendo marcar em breve para fazer um check-up), mas acompanhei meu tio em Trento e o serviço é realmente muito bom. Mas é aquela coisa: no norte do país, os serviços públicos tem fama de serem mais eficientes do que no sul da Itália, então a região que você pretende morar também afetará nesses gastos.

Quanto custa viver na Italia: tabela de gastos

Resumindo a conta, na ponta do lápis meus gastos fixos mensais e por pessoa ficam assim:

Aluguel: 300 €
Transporte: 28 €
Alimentação: 200 €
Telefone: 10 €
Gás (inverno): 38,75 €
Água: 11,5 €
Eletricidade: 11,60 €
Taxa bancária: 0,83 €
Entretenimento: 100 €
Netflix: 3€

Total: 703,68€
Ou seja, meu custo de vida em Rimini é cerca de 3 mil reais.

Pretende mudar de país? Eu recomendo ter um colchão de segurança: tenha em uma conta doze vezes o seu custo de vida no novo país. O tempo de adaptação pode demorar e os custos de mudança também são altos – melhor estar sempre preparado. Também não deixe de levar em consideração as flutuações da moeda.

Se você pretende reconhecer a cidadania italiana, também contei aqui o passo a passo do meu processo de reconhecimento sem a ajuda de assessoria.

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22 comments

  1. É bem compatível com o valor de se viver no Brasil, mas claro que depende do estilo de vida de cada um. Adorei conhecer o custo de vida na Itália, pois sempre passa na cabeça a ideia de morar em outro país, mesmo que seja por pouco tempo. O seu relato foi bem completo para quem deseja essa mudança!

    1. Concordo, Mari! Meu estilo de vida é super controlado, porque não faço muita coisa além de trabalhar e estudar – isso consome praticamente todo o meu tempo, inclusive aos finais de semana. Mas quem tem uma vida mais equilibrada provavelmente gasta um pouquinho mais.

    1. Edson, dependendo de onde você mora na Alemanha, os custos básicos são realmente muito mais altos! Pretendo me mudar para Munique em breve e minha projeção de gastos é três vezes esse valor de Rimini. Quando morava em Berlim, o custo de vida era mais caro que Rimini, mas não tão mais alto… Administrar os custos de uma família de três pessoas na Alemanha deve ser um desafio enorme! Meus parabéns! hahaha

  2. Gostei bastante de como você colocou o tema. Eu tenho vontade de morar fora um dia, mas com a minha atual realidade acho muito difícil uma mudança. Vejo que o custo de vida, mesmo com a conversão é muito menor aí.

    1. Mari, acho que o maior problema desse tipo de mudança é o processo de adaptação. Leva um tempo até você entender como as coisas funcionam, mas financeiramente pode ser mais viável trabalhar remotamente e viver em um país barato do que tem um full time job e morar em uma cidade como São Paulo. Começar do zero dói mesmo e, por isso, planejamento é essencial. Torço para que você possa realizar esse sonho também <3

    1. Eloah, acho que sim! São Paulo provavelmente seria impossível viver com a mesma qualidade de vida, mas em outras capitais eu acho que sim, pelas pesquisas que fiz. O importante no final das contas é manter o custo de vida baixo e sobrar para investir, né? Beijo!

    1. hahaha a Italia é mesmo uma mae né, Angie? Tenho certeza que vou sentir falta daqui quando sair, apesar do drama diario. Mas achar emprego por tempo indeterminado na Italia é um desafio e-nor-me. Se eu nao trabalhasse remotamente, seria muito dificil lidar com a questao do emprego.

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