Islândia: as paisagens mais incríveis da terra dos elfos

cachoeiras da Islândia

A nossa história começa no final de julho de 2017. Foi bem no meio do verão, quando Munique é tomada pela brisa fresca, festivais de arte acontecem por todo canto e novos surfistas pipocam no Eisbach… Bem, foi na melhor época para viver na Baviera que o namorado decidiu que queria passar o aniversário viajando. As nossas opções eram Grécia, Itália e Islândia. Queríamos verão e também não queríamos gastar muito.

Contrariando a lógica, a escolhida foi a Islândia. É que a terra do fogo e do gelo era o nosso único destino novo de verdade. A Islândia é uma bela combinação de vulcões, cachoeiras, encontro de placas tectônicas, gêiseres, hot springs, glaciares, lagos de gelos, além de focas e ovelhas. Belo e pacato, o país tem algumas das paisagens mais maravilhosas desse planeta. E, apesar de ser um destino de viagem caro

Bem, todo perrengue vale a pena quando a alma não é pequena. :)

Uma lenda: assim surgiu a Islândia

Diz a lenda que a Islândia começou a ser povoada por um casal de vikings noruegueses na Idade Média. Os vikings também levaram mulheres celtas como escravas. Ali, essa gente criou o termo huldufólk, que significa “povo escondido”, para explicar criaturas como elfosduendesgnomos e trolls, que vivem nas terras islandesas – e muita gente acredita na existência ainda hoje.

Casa de Elfo - Islandia
Você já viu uma casa de elfo? Na Islândia, elas estão em toda parte!

Coloque em um recipiente a cultura viking, um pouco  da cultura celta e misture com paisagens de tirar o fôlego. Pronto, você terá ideia de como é a Islândia! Para nós, foi a melhor decisão de todas.

Resultado: uma viagem de carro pelo sul da Islândia em cinco dias. Com pouco planejamento e muita emoção. Com calorzinho no coração. Eu me apaixonei pela Islândia, gente.

Então aperta play em Lakehouse de Of Monsters and Men e vai:

Hora de seguir viagem…

Saindo de Munique: como é voar de Air Berlin?

Saímos de Munique em uma quinta-feira, às 21h-e-alguma-coisa. O vôo durou quase 4 horas. Voamos de Air Berlin – essa mesmo que decretou falência na mesma semana que voltamos de viagem. Chegamos no começo da madrugada.

Eu levei minha mochila de 60 litros como mala de mão, o namorado levou uma mochila de 30 litros. Compramos uma franquia para bagagem despachada e nela levamos todo o aparato para camping + comidas  + tripé da máquina (que não foi usado #shame).

O vôo foi um sofrimento, confesso. Comida de avião é ruim? É. Mas na minha opinião é a parte mais empolgante. É o auge, quando o vôo todo se anima. Barulhos de mesinhas, pessoas acordam do sono leve. Altas expectativas. Baixas expectativas. Virá um curry de frango com tabule de saladinha (sempre misturas estranhas) mais um cupcake de chocolate de sobremesa? Quem sabe. Uma coisa é fato: carne vermelha é sempre a pior opção.

Mas por ser um voo doméstico (a Islândia faz parte de Schengen) e a Air Berlin uma low cost (oi? a passagem custou cerca de 300 euros!), nada de snacks. Nada de televisãozinha. Nada de nada.

Um chocolate em forma de coração no final da viagem e só.

Enfim, a terra dos elfos: Islândia!

Aterrissamos no Aeroporto Internacional de Kéflavik e o caos estava instalado – talvez porque era véspera de feriado, talvez porque era alta temporada. Lotado, o aeroporto mais parecia a rodoviária do Rio de Janeiro em sexta-feira de Carnaval (#saudadesterrinha). A mala demorou pouco mais de 30 minutos para aparecer na esteira. Muita gente reclamando, alguns seres humanos dando barraco.

Muitos alemães (quase 50% dos vôos que chegavam no aeroporto saíam da Alemanha! eita povo com wanderlust na veia), alguns italianos, alguns espanhóis e muitos americanos em conexão de qualquer país da Europa continental  > Islândia > Estados Unidos. Pegamos um ônibus da Reykjavik Excursions até a rodoviária da cidade e caminhamos até a nossa guest house para descansar e nos prepararmos para o dia que viria.

Islandia - o que visitar
Para que lado eu vou?

Talvez a Islândia ainda precise de alguns ajustes quanto à estrutura de turismo. Visivelmente, o país não tem capacidade para receber o grande número de turistas que cresce todo ano.

O mundo inteiro em uma só ilha

Um dado que vale a pena saber: a Islândia recebe cinco vezes mais turistas por ano que o número de habitantes. São cerca de 330 mil habitantes no país (1/3 mora em Reykjavik) e mais de 1,7 milhão de turistas. Então basicamente funciona assim: não importa para onde você vá, só terão turistas. Inclusive, os “locais” que eu conheci eram turistas (quer dizer, fotógrafos que se mudaram para a ilha e vivem a doce, intelectualmente estimulante e aventureira vida islandesa).

Também é preocupante o impacto que o turismo tem nas paisagens da Islândia. As trilhas devem ser respeitadas porque a vegetação demora décadas para se recuperar. Ali, a natureza apesar de avassaladora é extremamente sensível. E esse é um dilema que o país que tem economia voltada para o turismo sofre todos os dias.

Ovelha - Islândia
As ovelhas dominam a paisagem (mais um motivo para amar a Islândia!)

Falando nisso, essa história de a Islândia ser um parque de diversões para os turistas pode soar muitas vezes artificial, quer ver?

Islândia: pratos típicos e iguarias

Vamos analisar agora os pratos típicos islandeses. O mundialmente famoso tubarão fermentado, o steak de baleia e a cabeça de ovelha são iguarias que a maior parte da população islandesa não consome no dia a dia. Bem, eram pratos consumidos antigamente… Mas hoje são apenas coisa-para-turista-ver-e-experimentar em restaurantes lotados por, veja só, turistas. Tipo restaurantes de pasta em Veneza. É italiano, mas não tão italiano assim.

Icelandic Fish and Chips
Fish and Chips islandês

No entanto, a cultura do fish and chips, do cachorro-quente com cebolas crocantes (conhecidos como pylsur), dos cafés incríveis e dos hambúrgueres ao ponto reina nessa terra. Afinal, a Islândia é o berço da cultura hipster! É o lugar onde as pessoas passam a noite de Natal lendo livros. Então melhor deixar a gastronomia para lá e aproveitar as paisagens e a música boa que esse país lindo tem para oferecer.

Roteiro de viagem: 5 dias na Islândia

Dia 1: o belo vulcão Eyjafjallajökull

Pela manhã, voltamos à rodoviária e pegamos um ônibus rumo a Thórsmörk (o Vale de Thor, em islandês), montanha situada entre os glaciares Tindfjallajökull e Eyjafjallajökull e um dos principais destinos para trekking da Islândia. Ali, carros comuns não tem acesso – apenas alguns poucos 4×4 e ônibus customizados. Isso porque há uma série de rios que só veículos anfíbios são capazes de atravessar.

Seljalandsfoss - Islandia
A bela Seljalandsfoss vista do alto
Thorsmork - Trekking in Iceland
þórsmörk: o deus Thor sabe das coisas

Durante as quatro horas de viagem o ônibus parou em alguns pontos turísticos, como a encantadora Seljalandsfoss. Enfim, estávamos nas Volcano Huts, aos pés do vulcão Eyjafjallajökull, que em 2010 parou muitos aeroportos na Europa ao entrar em erupção. Montamos a barraca, partimos rumo à trilha e nos deleitamos com as paisagens incríveis de cada trecho.

Eyjafjallajökull - Islandia
Eyjafjallajökull: famoso por parar aeroportos
Thorsmork - Trekking
Fim ou começo do mundo?

Em islandês, o nome Eyjafjallajökull significa “ilha com geleira e vulcão”.

Na trilha, encontramos uma charmosa casa de turfa islandesa. Com grama no telhado, essas casas são construídas para oferecerem melhor proteção térmica em climas severos.

Thorsmork - Iceland
Ops, um vulcão passou por aqui

Dia 2: onde comer em Reykjavik

No dia seguinte, um amigo que vive em Reykjavik passou para nos buscar nas Volcano Huts e partimos com destino à capital islandesa. Chegamos durante à noite e saímos para provar a comida local. Primeiro, nos aventuramos no famoso cachorro quente islandês, considerado o melhor do mundo (sinceramente, para quem vem da Alemanha a salsicha não é nada demais; para quem vem de São Paulo, faltou purê <3). O centrinho da cidade estava fervilhando!

Reykjavik Fish, na Islândia
Reykjavik Fish: descoladinho e com variedade de fish and chips

Seguimos rumo à região do porto e por lá escolhemos Reykjavík Fish, um restô hipster style com todo tipo de fish and chips que você pode imaginar. Eles também vendem o hákarl, o famoso tubarão fermentado (quatro pedacinhos tipo degustação custavam cerca de 12 euros). Mas o Joseph, nosso amigo fotógrafo (para fotos inspiradoras da Islândia, siga no Insta @joe_shutter) deu a dica: no flohmarkt perto do porto, o hákarl é encontrado por cerca de 2 euros.

Reykjavik é uma gracinha. Organizada, limpa e vibrante. Seu centro ainda preserva casinhas coloridas e lembram a pátria mãe, Noruega. Tudo ali é muito intimista, pequeno e aconchegante.

Dia 3: Lagoa Jokurlsalon e a Diamond Beach

Pela manhã, pegamos o carro alugado e voltamos para o sul da ilha. No caminho, demos carona para um casal de franceses muito simpáticos até Seljalandsfoss. O plano deles era fazer a trilha de cerca de 4 dias.  Ali pertinho da Seljalandsfoss existe uma trilha que leva ao alto da cachoeira e de onde se tem uma vista muito bonita!

Seguimos para a Lagoa Jokurlsalon e para a Diamond Beach. Esse é definitivamente o passeio que você não pode perder na Islândia.

De Reykjavik à Lagoa Jokurlsalon são cerca de cinco horas de viagem na Ring Road, a principal rodovia que liga as cidades da costa do país formando, adivinhe só, um anel. Não faltam cachoeiras, vulcões, campos de lavas e geleiras para admirar no caminho. E apesar de tudo isso ser incrível, a Lagoa Jokurlsalon que repousa na base do Vatnajökull, maior glacial da Islândia (ele cobre 8% do país!), coloca todos os outros passeios em perspectiva.

Lagoa Jokurlsalon Iceland Glaciar 4
Parece glitter, mas é só um pedacinho da maravilhosa Lagoa Jokurlsalon

Sinceramente, é uma das paisagens mais maravilhosas que eu já vi na vida. Ali, focas brincam em meio ao gelo e o silêncio impera. O vulcão adormecido, o gelo que flutua sobre a lagoa, o barulho da natureza em atividade… Tudo isso lembra o quão pequenininho a gente é.

Na lagoa há empresas que oferecem passeio de barco, mas eu sinceramente acho uma tremenda invasão. Os barcos quebram o silêncio do lugar. Ali as coisas são bonitas como são, sem interferência humana.

Lagoa Jokurlsalon Iceland Glaciar
Lagoa Jokurlsalon e o glaciar como cenário. Existe lugar mais lindo?

Outro detalhe importante é que a Islândia não cobra a entrada na maioria das atrações naturais. Os vulcões, geleiras, cachoeiras e lagoas estão ali, expostos para quem quiser desbravar. A população ganha dinheiro com serviços de hotéis, restaurantes, passeios… Mas, olha, a dona do negócio ainda é a natureza.

Islândia
Hora mágica na beira da estrada <3
Islandia - Hora magica
Difícil abrir os olhos no pôr do sol, gent

O povo islandês tem uma relação muito próxima com a natureza e com a terra onde vivem. Há um respeito e a consciência de que tudo é mutável. Os diversos campos de lava estão ali para lembrar isso. A História existe para nos lembrarmos disso.

Diamond Beach - Iceland
Diamond Beach e seus diamantes de gelo: a praia mais bonita do planeta (eu acho)

Do outro lado da pista está a Diamond Beach, uma praia de areia negra vulcânica onde pequenos cristais refletem a luz do sol. Coisa linda, gente. Por ali as focas também recebem os visitantes com brincadeiras no oceano gelado. Ficamos algumas horas admirando a paisagem – e mais nada.

Adrian no Gelo Flutuante
Tente tirar fotos no gelo, escorregue e tome um banho de mar gelado

Então quando a noite começou a cair, partimos para o Parque Nacional Skaftafell, onde armaríamos nossa tenda.

Dia 4:  Skaftafell e a trilha para o glacial

Pela manhã, fizemos a trilha para visualizar o glaciar do alto. No caminho, havia mais uma bela cachoeira.

Parque Nacional Skaftafell - Islandia
Skaftafell: onde fogo e água se encontram

Pegamos estrada rumo ao Golden Circle, rota turística mais conhecida do país. No caminho, parada para tentar avistar lundis (puffin, em inglês, ou papagaio-do-mar, na língua de Camões) no farol. Sem sucesso. Mas encontramos ovelhas simpáticas beirando o precipício beira-mar e a visita valeu a pena.

Chegamos só a noite no acampamento Skjol, no Golden Circle. Montamos nossa barraca e jantamos uma deliciosa pizza no bar super agradável do lugar. Diferentemente da maioria dos lugares, o bar do Skuggi não fechava às 20h mas às 23h! Ponto para eles.

Dia 5: Golden Circle e Lagoa Secreta

Enfim, o último dia de nossa passagem relâmpago na Islândia. Visitamos a bela cachoeira Gullfoss e os gêiseres. Após tanta correria, já era hora de relaxar um pouquinho. Pulamos outros pontos turísticos do Golden Circle, como o Parque Nacional Thingvellir, onde está o encontro das placas tectônicas da Eurásia e América do Norte.

Geyser - Golden Circle Iceland 2
Um dos gêiseres do Golden Circle

Seguimos para a Lagoa Secreta, localizada em Flúdir, uma alternativa mais interessante que a badalada Blue Lagoon. Bem, mais interessante por dois motivos:

Blue Lagoon x Secret Lagoon: qual é a melhor?

  1.  Criada em 1891, a Secret Lagoon é a primeira piscina da Islândia. É também uma experiência mais autêntica do que sua irmã rica, na minha opinião. Ali, a água que sai de vários pontos geotermais esquenta os visitantes com temperaturas que variam de 38 a 40 graus. O chão da piscina e ao seu redor foram construídos com pedras da região. Ali ao lado, um pequeno gêiser entra em ebulição a cada cinco minutos.  A Blue Lagoon, por sua vez, é uma experiência para quem procura luxo, com bom restaurante e tratamentos de spa.
  2. A Lagoa Secreta é mais barata do que a Blue Lagoon, tem menos turistas e é mais intimista.
Secret Lagoon x Blue Lagoon - Iceland - Hot Springs
Hot springs ao redor da Secret Lagoon

 

Secret Lagoon x Blue Lagoon - Iceland
Secret Lagoon: intimista e menos badalada que sua irmã Blue Lagoon

E o que perdemos na Islândia…

Todo o resto – que não é pouca coisa. A Islândia é um país onde a expressão “pegar a estrada” significa que provavelmente você verá as paisagens mais bonitas da sua vida. Dificilmente um viajante com poucos dias no país verá todos os destinos que o lugar oferece, porque eles são muitos.

Ovelha Islandia 5
Mais ovelhas – é impossível cansar delas!

Aliás, muita gente passa cerca de uma semana em apenas uma trilha. Outras pessoas se arriscam em percorrer o país inteiro pela Ring Road em cerca de 10 dias (são cerca de 500km dirigidos por dia). Esse é o mínimo viável, eu diria. Pode ser uma boa ideia para quem quer ter uma noção de como as paisagens variam na ilha.

No final de contas, eu acho que a Islândia é o tipo de lugar que vale várias viagens. Ainda quero ver a aurora boreal no inverno, conhecer os fiordes do oeste e o norte do país. Afinal, viajar a conta-gotas também pode ser uma ótima ideia!

7 dias, 1 road trip até a Argentina e 48 horas em Buenos Aires

Rio Sujo em Buenos Aires

Minha vida, 48 horas em Buenos Aires e as road trips na Argentina tem um caso sério.

E tudo começou lá atrás, quando eu ainda usava franja.

Ponte - Road Trip América do Sul

No auge dos meus 6 anos, meu primeiro documento de identificação foi um passaporte. Foi em Uruguaiana, divisa com Argentina, que minha irmã e eu tivemos nosso passaporte verde escuro emitido – sem saber escrever, assinamos com o dedinho polegar. O passaporte era parte de uma viagem liderada pelos meus pais e que meus avós paternos participavam como nossos convidados especiais.

A primeira road trip na Argentina da minha vida…

Nosso plano era cruzar os Andes, chegar a Santiago no Chile e então retornar a São Paulo. Não pudemos e a culpada foi a falta de tempo. Talvez por conta da falta de planejamento – que nunca foi o nosso forte em road trips. Era sempre assim: “vamos?”, “vamos!”.

Nessa de “pegar o carro e ir”, minha avó deixou para trás a carteira de registro de imigrante dela. Barrada sem documentação, tivemos que esperar na fronteira até que a carteira chegasse via Correios. Por isso, a viagem foi resumida a Buenos Aires, Uruguai e as belas vinhas e macieiras do sul do Brasil.

Segunda road trip: América do Sul me esta llamando, babe!

Anos depois, meu pai, minha irmã e eu tentamos reproduzir uma viagem parecida, porém mais audaciosa. Dessa vez, subimos até o Acre, cruzamos o Peru com direito a Machu Picchu, demos um pulinho em La Paz, na Bolívia, passamos pelo maravilhoso deserto do Atacama no Chile e conhecemos de pertinho o inesquecível Salar do Uyuni.

Passei mal horrores subindo os Andes. Nos perdemos no deserto. Fizemos o caminho do trilho do trem em Águas Calientes. Queimei dois chuveiros. Conhecemos o norte da Argentina, tão esquecidinho nos guias de viagem. Foi uma viagem transformadora… Mas, adivinhe? Novamente Santiago ficou para depois. Tivemos apenas 23 dias para um percurso de quase 12 mil quilômetros.

Terceira road trip: Buenos Aires é a atração principal

No final de 2016, meu pai me convidou para mais uma road trip. Dessa vez, o destino seria Gramado. Logo ali, 1120 quilômetros de distância de São Paulo – pertinho demais. Sugeri: por que não esticamos até Buenos Aires, hein? Apenas 1130 quilômetros a mais na conta, ué.

Parece ideia de gente louca, eu sei. Mas ele topou! Não, não foi dessa vez que chegamos a Santiago de carro, infelizmente. Afinal, tínhamos só uma semana entre o Natal e o Ano Novo para o percurso completo! Mas essa foi uma viagem muito parecida com a viagem que fiz com meus avós quando pequena e, por isso, ela ganhou um significado muito especial, já que eles viraram estrela no céu.

Cruzamos o Paraná e Santa Catarina. Visitamos a tão-distante São Borja (curiosamente, terra de dois presidentes do Brasil!) e descemos rumo a Uruguaiana. Compartilhamos a estrada com grupos de motoqueiros que – descobrimos depois – estavam fazendo o mesmo percurso que a gente. Cruzamos a fronteira, mais algumas centenas de quilômetros e lá estava a bela Buenos Aires!

Por que viajar para Buenos Aires?

Buenos Aires é uma das capitais mais vibrantes da América do Sul e exala cultura por todo canto. Não é por acaso que uma pesquisa – não tão nova assim… – revelou que o Brasil tem menos livrarias do que a capital porteña. Dá para acreditar?

Triste para nós, motivo de orgulho para os porteños.

Buenos Aires é uma cidade dominada por livrarias e sebos – e elas certamente farão parte do seu roteiro turístico em algum momento, mesmo que seja só para dar uma espiadinha.

A paixão dos argentinos é tão grande pelos livros que eles separam uma noite por ano para celebrar  visitar as livrarias da cidade a ‘Noche de las Librerías’. E você aí achando que quase morar na Livraria Cultura fosse motivo de orgulho, né?

Também não faltam museus, apresentações de teatro, shows de tango, charmosas cafeterias… É o tipo de cidade que eu moraria facilmente – se o preço dos alugueis não fossem tão altos, kkk.

Onde se hospedar em Buenos Aires?

Dormimos duas noites na capital argentina em um hotelzinho super simples, mas com boa localização (em Balvanera) e preço justo: o Hotel Nuevo Camino, por US$ 20,80 a diária em quarto duplo com ar condicionado em alta temporada. Atendimento simpático, quarto OK e bem no centro de Buenos Aires. Melhor: preço de hostel.

Não poderia ter escolhido melhor! Prenotei  o quarto via  Booking quando meu celular ainda pegava 3G no Brasil e problema resolvido!  :)

Um caso sério: transporte público na capital porteña

Chegamos em Buenos Aires pela manhã, deixamos o carro em um estacionamento ao lado do hotel e de lá só o tiramos quando pegamos estrada rumo a Montevidéu. Por causa do trânsito caótico e da falta de vagas, é muito mais fácil andar de transporte público em Buenos Aires do que com o seu próprio carro.

O transporte público em Buenos Aires, no entanto, não é tão amigável.  Para usar o metrô e o ônibus, por exemplo, é preciso comprar o SUBE, um cartão tipo o Bilhete Único de São Paulo.  Ele dá acesso ao subte (metrô) e ônibus. No caso do metrô, também é possível comprar bilhetes separados.

E quanto custa? Bem, o valor da passagem era de 4,50 pesos argentinos e o preço do cartão SUBE foi de 15 pesos.

O problema é que nem sempre é possível achar os pontos de venda desse cartão  – quando procuramos,  ele quase sempre já estava esgotado nas vendinhas de rua. E o sistema, assim como nosso bilhete único paulistano, fica fora do ar constantemente.

48 horas em Buenos Aires: o que fazer?

Buenos Aires é a cidade perfeita para boas caminhadas – há tesouros escondidos em cada esquina. Por isso, escolha um sapato confortável e… Hora de explorar!

Primeira parada em Buenos Aires: Caminito!

E já que ficamos só 48 horas em Buenos Aires, começamos pelo começo: o passeio Caminito, talvez o lugar mais famoso da cidade. Pegamos um ônibus e descemos pertinho desse lugar colorido, vibrante e inspirador!

Os cortiços do Caminito e suas paredes pintadas de cores vibrantes são um convite à paixão à primeira vista. Localizado no bairro La Boca (bem pertinho do estádio do Boca!), o lugar foi batizado de Caminito em homenagem ao tango de Juan de Dios Filiberto e Gabino Coria Peñaloza. Então, morra de amores – assim como eu morri.

Frida Kahlo - Bonecas - Caminito
Fridinhas: a mexicana virou patrimônio das Américas <3
Caminito - Fachada de Casa - Buenos Aires
Ah, essas fachadas coloridas do Caminito…
Postais - Caminito - Buenos Aires
Até os postais são charmosos

É no Caminito que acontece a Feria de Artistas Plásticos de Caminito, onde artistas contemporâneos vendem suas obras inspiradas no colorido do lugar e, claro, no sentimento tangueiro.  A feira funciona diariamente das 11h às 18h (no inverno) e das 11h às 20h (no verão).

É o meu passeio preferido!

Caminito - Buenos Aires - Argentina
Tesouro escondido em uma das galerias do Caminito
Rio próximo ao Caminito, em Buenos Aires, na Argentina
Um rio sujo. Porém bonito.
Caminito - Papa Argentino
Passando pra lembrar que o Papa é argentino
Caminito - Paralelepipedos
Mais paralelepípedos.

 

Museo de Cera - Caminito
E mais fachadas!

San Telmo: a joia porteña

Hora de pegar o ônibus de volta. Próxima parada: San Telmo. O bairro mais antigo de Buenos Aires foi povoado por estivadores e oleiros no século 17. Hoje, também abriga poços e poços de achados! Não faltarão arte, tango e comida de rua por ali. Por isso, o bairro que estagnou no tempo pode ser a parada perfeita para o almoço ou para um passeio de fim de tarde, com direito à parada para descanso em um dos seus charmosos cafés. Ali, encante-se com os caminhos coloniais e ruas que ainda esbanjam casarões e paralelepípedos. Boemia pura!

Decadente, porém elegante: assim é San Telmo. Aos domingos, uma feirinha de pulgas na Praça Dorrego enche de vida o lugar. Inaugurado em 1897, o mercado de San Telmo, com suas banquinhas de frutas, antiguidades e artesanatos também é um dos lugares para mergulhar no clima do bairro.

Ali também está o Museu Histórico Nacional, com acervo que conta a história do país e com referências à Guerra da Independência, por exemplo.

Anote aí: os aficcionados por livros não podem deixar de visitar a Librería de Avila, a mais antiga livraria da cidade. Ali, ela existe e resiste desde 1785. Incrível, não?

Shows de tango: para turista ver e se encantar!

Se até agora você não se apaixonou por Buenos Aires, então é aqui que você vai cair de amores.

É certo que alguns shows de tango são um passeio clássico para turista ver, mas definitivamente eles valem a pena. É aquele gostinho de drama que a gente espera, sabe?

Há lugares tradicionais, onde o tango sempre existiu, e lugares criados para reproduzir grandes espetáculos, no melhor estilo Broadway de ser. Optamos pela segunda opção (já disse que amo musicais?) e, UAU, não me arrependo nenhum pouquinho.

Nosso critério foi o seguinte: estávamos caminhando do centro rumo a Balvanera e lá estava o Tango Porteño. Ali mesmo, compramos ingressos para a noite e não pesquisamos sobre outros shows.

Era possível comprar o combo jantar + show ou apenas o jantar. Eles também incluíam o traslado de alguns hotéis, mas como estávamos perto – e a Avenida Corrientes é super agitada à noite – decidimos ficar só com o show e jantamos em uma pizzaria na pedra que fomos com meus avós ali na região. E, posso dizer? Foi incrível! O espetáculo é mesmo muito emocionante.

Balvanera e centro: explorando a região!

No segundo dia, partimos para descobrir os tesouros dos arredores. Seguimos andando até a Avenida Corrientes, que por si só já é um ponto turístico com seus infinitos teatros e livrarias.

Buenos Aires

Parada obrigatória: a livraria El Ateneo

Falando em livrarias, é ali pertinho, na Avenida Santa Fé, que está uma das mais famosas livrarias de Buenos Aires: El Ateneo Gran Splendid.

Tanto burburinho em torno do lugar pode ser explicado facilmente: em 2008 ela foi eleita como a segunda melhor livraria do mundo pelo The Guardian, perdendo apenas para a incrível Boekhandel Selexyz Dominicanen, na Holanda, que está em uma antiga igreja de mais de 800 anos.

El Ateneo - Livraria - Buenos Aires
Livraria El Ateneo mostrando como é que faz pra ser bonita

A explicação para tanta beleza é simples: o lugar foi inaugurado como teatro em 1919. Com o nome de Gran Splendid, abrigou espetáculos de tango memoráveis. Depois, o teatro foi convertido em cinema. Nos anos 2000, foi comprado por uma das maiores redes de livrarias argentinas que, ao que parece, fez um ótimo negócio. Quando estiver lá, não deixe de reparar no afresco da cúpula, pintado pelo artista italiano Nazareno Orlandi. Belíssimo!

48 horas em Buenos Aires: pique-nique na Casa Rosada _ou quase isso_

Então, seguimos rumo à Casa Rosada. Paramos em um mercadinho no caminho, compramos Quilmes e apetitosas empanadas e já estávamos preparados para um pique-nique na Plaza de Mayo, em frente à sede da presidência argentina.

Piquenique em Buenos Aires 2
#Selfie com meu pai, um ser humano versátil, que gosta de road trips, Quilmes e piqueniques <3

 

Empanada - Casa Rosada, 48 horas em Buenos Aires
Empanadas x Casa Rosada: foco no que interessa

De Buenos Aires a Montevidéu: a travessia

Hora de atravessar o Rio de La Plata e pegar estrada para Montevidéu. Tentamos fazer o trajeto via balsa e não conseguimos – por causa da alta temporada, já não haviam mais vagas disponíveis. Partimos para o plano B: seguir até Montevidéu via terra – e ultrapassar a ponte em Fray Bentos. Tivemos que passar direto por Colonia del Sacramento, infelizmente, porque o tempo e o GPS não eram nossos amigos. O caminho é longo e quase todo o percurso da estrada era em pista simples.

Menos de 24 horas em Montevidéu (ou:onde NÃO se hospedar em Montevidéu)

Bem, já posso adiantar que nossa experiência em Montevidéu não foi tão agradável assim. Prenotei um hostel via Booking e quando chegamos no lugar já era quase 1 hora da manhã. O hostel Posada del Gaucho era bem avaliado. Mas, bem, a localização no centro da cidade também contava com muitos viciados rondando o lugar. O lugar não era tão bom quanto parecia.

O Booking ainda dizia que a diária do quarto custava 18 dólares.  Veja bem: pagamos 20 dólares em um quarto bem localizado em alta temporada em Buenos Aires. 18 dólares em Montevidéu parecia plausível. Chegando lá, o atendente do hostel disse que, na verdade, esse valor era por pessoa em um quarto compartilhado e que o site estava dando a informação errada. Nos deixaram até duas horas da manhã esperando uma posição do hostel, enquanto o arrogante atendente questionava a dona do lugar por telefone.

Enfim, pagamos o dobro e fomos mal atendidos no hostel Posada del Gaucho.

Pior, quando acordamos às 6 da manhã, percebemos que o carro de um dos hóspedes, que estava parado em frente ao nosso, havia sido furtado pela madrugada. Ali, em frente ao hostel. Poderia ter sido o nosso…

O desânimo foi tanto que demos uma voltinha no centro da cidade e então decidimos deixar a cara e nem tão bonita assim Montevidéu.

Montevideo

Ano Novo badalado em Punta del Este

Ah, Punta del Este foi um respiro de alívio no Uruguai. Chegamos lá sem lugar para ficar durante o feriado de Ano Novo enquanto a cidade pipocava de turistas. Sim, foi um pouco desesperador. Os hotéis com melhor custo-benefício e ainda com vagas estavam a pelo menos 100 quilômetros da praia… Nada de hotel, hostel ou guesthouse.

Missão: acampar em Punta del Este no Ano Novo

Foi então que veio a ideia de procurar um camping. O camping San Rafael estava localizado bem próximo à cidade e também oferecia ótimo preço para alta temporada.

Então, decidimos que o melhor a ser feito era comprar uma barraca de camping para chamar de nossa.

Incrivelmente o maior supermercado da cidade, o Tienda Inglesa, oferece todo equipamento para camping e vários esportes. Aproveitamos e compramos também nossa ceia de Ano Novo, muitos alfajores e partimos rumo ao camping sem saber ainda se encontraríamos vaga no lugar.

Chegando lá, não haviam vagas. Mas, felizmente, encontraram um espaço onde poderíamos montar nossa barraca! Ficamos lá por dois dias e a experiência foi demais! Ofereciam wi-fi na área comum, mercadinho, banheiros compartilhados com chuveiro de água quente e o lugar era limpo e agradável, apesar de lotado de barracas e campervans. Um lugar simples, porém cortês.

A clássica paradinha na Casa Batló

E, como não poderia deixar de ser, viajar para Punta del Este é ticar dois lugares da bucket list: a Casa Batló e a famosa escultura A Mão, do artista chileno Mario Irarrázabal.

Casa Batló

Punta del Este - Uruguai - Praia

Mar - Punta del Este - Uruguay
Por que viajar para Punta vale a pena? Olha esse mar!


Conchas - Punta del Este

A festa de Ano Novo em Punta del Este foi linda, linda. Com muitos fogos na praia. E, para os baladeiros, há ainda as animadíssimas festas nos clubes da cidade. Quero voltar várias e várias vezes! Punta que me aguarde. :)

Como é fazer um safári na África do Sul?

Addo Elephant Park - Safári

Enfim, o último post sobre a viagem para a África do Sul (apesar de termos continuado a viagem rumo a Joanesburgo e Limpopo depois do safári)!

Recapitulando: Port Elizabeth foi a nossa parada final na Garden Route e também o ponto de partida para o tão esperado safári na África do Sul. E ali, a 72km de Port Elizabeth, está o Addo Elephant Park – que, como o nome diz, é praticamente um santuário de elefantes!

Seguimos para o parque com o carro que alugamos na Cidade do Cabo e, durante o dia, fizemos safári com ele mesmo – ponto forte: a autonomia é muito maior do que um passeio de 4×4, por exemplo.

O safári com carro próprio, no entanto, não substitui a versão feita com carro 4×4 oferecida pelo parque – e daqui a pouco eu conto o porquê. Abaixo, separei os momentos mais incríveis dessa jornada pela vida selvagem africana. Vem comigo!

1. Safári na África: os elefantes são protagonistas

Criado em 1931 para salvar 11 elefantes da extinção, o Addo Elephant Park é o terceiro maior parque da África do Sul. Quanto aos elefantes… Bem, eles se multiplicaram e hoje já são mais de 350. Sinal de que o trabalho está sendo bem feito em um país que, infelizmente, ainda sofre com a caça ilegal de elefantes para a venda de marfim.

Safari - Elefantes do Addo Elephant Park
O Addo é deles!

É por isso mesmo que esses animais são um dos pontos altos do passeio: os elefantes podem ser vistos em grupo, sozinhos e, muitas vezes, compartilhando um water hole com outros animais. Em alguns momentos, os elefantes até se aproximam do carro – e a sensação, juro, é indescritível. Mas, melhor manter distância… Apesar de acostumados com a presença humana, eles ainda são animais selvagens, certo?

2. A expectativa é um tempero especial

Safári é o tipo de passeio temperado com incertezas. Você nunca sabe o que encontrará no caminho e tudo depende da equação tempo + sorte. Viajamos em outubro e, quando fizemos o safári, o dia estava quente e nublado. Quanto aos animais, do BIG 5 (os cinco animais mais difíceis de serem caçados pelo homem) apenas não avistamos o leopardo! O rinoceronte negro foi tímido e marcou sua presença bem, beeem de longe – por isso, binóculos, câmeras superzoom ou SLR com lentes 75-300mm devem estar na bolsa para o passeio.

zebras no Addo Elephant Park -Safári
Elas estão em todo o lugar!

Acordamos cedinho, antes do nascer do sol, e partimos rumo a entrada do parque. São 75km de estradas em área protegida – que também abriga algumas paradas de descanso para pique-nique. O horário é fator importante em um safári: é no pôr-do-sol ou à noite, por exemplo, quando o rinoceronte preto e os búfalos são mais facilmente avistados. Cada espécie possui seus próprios hábitos e, por isso, para uma experiência mais completa inclua passeios em diferentes faixas de horário – pela manhã beeem cedo, no pôr do sol e à noite.

Safári no Addo Elephant Park
Spotted: animal de chifres torcidos (a.k.a. cudo) se alimenta na savana

Pretende visitar o parque em veículo próprio? Então será necessária uma autorização que custa pouco mais de 15 dólares. Autorização ok e com o mapa das estradas em mãos, percorremos o parque por quase oito horas. Tarefa fácil quando há tanto o que ver! O tempo passou voando e eu me sentia uma criança na espera do próximo animal incrível que apareceria em nossa frente. Assim como os elefantes, as zebras são onipresentes na maior parte do parque e tem lá seu charme.

Timão - Safári na África - Addo Park
Hakuna Matata!

Os olhos devem estar sempre atentos a qualquer movimento! Encantada mesmo eu fiquei com os suricates. Simpáticos, eles são pequeninos e discretos. Para avistá-los enquanto sobem e descem no meio da vegetação rasteira é preciso ter olhos de lince. Entre hienas, leões e javalis você perceberá que existe muito de O Rei Leão em um safári – sério! É o tipo de experiência para se ter em diferentes fases da vida. Uma viagem para ser feita com amigos, família estilo caravana, com o namorado… Já disse que a África do Sul é apaixonante, né? Então.

3. Os animais estão em seu habitat natural

Toda viagem carrega um tanto de responsabilidade social. Sempre é bom lembrar que o turismo influencia diretamente na cultura, economia e natureza de um lugar. E assim como o nosso lindo-porém-problemático Brasil, a África do Sul é um país que sofre com suas inúmeras questões sociais e ambientais.

Pumba - Safári na África - Addo Park
Nice to see ya, Pumba

Por isso, quando você inclui em seu roteiro um passeio no Zoo Lujan, na Argentina, por exemplo, você está escolhendo financiar um tipo de turismo que explora animais deixando-os em jaulas e, ao que tudo indica, dopa animais selvagens para que os visitantes possam tirar suas  ~corajosas~ (porém covardes, vamos combinar) selfies. O quão descolado isso é? Você decide. Mas quando o assunto é vida animal, eu prefiro que meu rico dinheirinho vá para instituições de preservação ou santuários.

Beware of Lions - Addo Park
Beware of lions: coragem, tem que ter corageeeem!

Como disse, o Addo é um parque que funciona como santuário de elefantes e tem cumprido muito bem sua tarefa de proteger essas espécies. Como visitante, o bônus também é alto! Diferentemente de um zoo onde os animais estão fora de contexto, no safári os animais estão em seu habitat natural e, por isso, suas relações dentro da natureza também são uma atração à parte. Ser atacado por um leão, claro, é uma possibilidade.

4. O safári noturno é um espetáculo a parte

No safári noturno, que só pode ser realizado em veículos do parque e com guias, essas relações animais ficaram mais evidentes para nós.

Durante o dia, por exemplo, vimos um avestruz fêmea chocando um ovo. À noite, o ovo estava abandonado. Oportunidade perfeita para que um chacal rolasse pela vegetação tentando quebrá-lo! Mas o animal não teve êxito e, no dia seguinte, a avestruz fêmea já estava novamente cumprindo seu papel. É bom ressaltar que: 1. a avestruz fêmea costuma chocar o ovo durante o dia e o macho durante a noite; 2. o comportamento animal pode ser muito parecido com o comportamento humano, né?

Também avistamos uma lebre, um leão rodeado por fêmeas e uma in-fi-ni-da-de de búfalos.

5. Onde se hospedar no Addo Park: os lodges dentro do parque são incríveis

Churrasco na África do Sul
braai + vinho tinto é muito amor

Nos hospedamos dentro do parque, em uma forest cabin. A casinha de madeira abrigava duas camas de solteiro, banheiro com chuveiro quente (<3), forninho elétrico, utensílios domésticos (como panela, pratos e talheres) e uma churrasqueira do lado de fora. Há diversas opções de hospedagem dentro do parque: cottages, chalets, guest houses, áreas para motorhome e camping, por exemplo.

Você pode fazer a reserva online acessando o site dos Parques Nacionais da África do Sul. Aqui você terá uma lista completinha dos tipos de hospedagem disponíveis e preços dentro do Addo Park.

A nossa estada de dois dias no parque foi uma delícia! Apesar de o Addo possuir um bom restaurante, havíamos levado carne de avestruz para o braai (churrasco ao ar livre tradicional entre os sul-africanos), vegetais para uma saladinha grega e vinho tinto diretamente de Stellenbosch para regar belamente a refeição.

zebra - addo elephant park

Uma das coisas mais legais de se hospedar dentro do parque é que, durante a noite, os animais fazem barulho e você fica ali, refletindo sobre imensidão, beleza e sorte… Dormir com o som dos animais da savana é uma experiência maravilhosa e, na minha breve história de vida, só pode ser comparada a dormir ao lado da cachoeira aos pés de Machu Picchu, em Águas Calientes.

Se você tiver a chance, eu recomendo de olhos fechados e coração aberto: vá!

Veja também outros posts sobre a viagem para a África do Sul:
+Cidade do Cabo para visitar e se encantar!
Garden Route, a road trip inesquecível pela África do Sul

Garden Route, a road trip inesquecível pela África do Sul

Uma road trip pela Garden Route, na África do Sul

Voltei, gente! Estou passando uma temporada no Brasil tentando arrumar minha vida. Nesse meio tempo percebi que a coisa funciona mais ou menos assim: dance enquanto o caos está instalado, porque o relógio não pára. Então, dancemos! O que a Garden Route tem a ver com isso? Bem…

Desde que cheguei ao Brasil fiz algumas viagens legais: uma road trip de São Paulo a Buenos Aires com direito a ano novo em Punta del Este e uma viagem à Floripa com uma passadinha nos cânions que fazem a divisa do RS e Santa Catarina. Para finalizar, carnaval no Rio de Janeiro. Bons tempos na estrada! Mas, hoje vou falar sobre  esse pedacinho tão especial do planeta que habitamos… a Garden Route, na África do Sul!

Vocês vão ver que não faltam adjetivos para caracterizar o país. A natureza sul africana é mágica, exuberante, única. Não tem como não se apaixonar pela África do Sul!

Garden Route: por que tão especial?

Você pode estar preparado para muitas coisas na sua vida, mas não está preparado para a beleza desse lugar – aposto! A Garden Route (ou Rota Jardim, no idioma de Camões) é uma rota que liga Cape Town (ou Cidade do Cabo) a Port Elizabeth (ou Porto Elizabete). Repleta de campos de golfe e natureza abundante, ela possui a fauna e flora única da África do Sul e só isso já vale um passeio que todo ser humano deveria fazer uma vez na vida.

Já aviso: esse é um post com poucas informações na prática. Isso porque fizemos essa viagem há mais de um ano e eu não anotei no meu diário os preços e nomes de hospedagem. Sorry! Mas tem muita inspiração para quem quer encher o coraçãozinho de amor. [Prometo voltar um dia e reescrever o post direito!]

Tudo começou em Cape Town…

Depois de alugar um carro em Cape Town (lembra?), saímos com destino a Port Elizabeth, onde fizemos safári no Addo Elephant National Park. Essa rota é popularmente conhecida como Garden Route e conta com cenários dignos de filme. E não é exagero. Entre os lugares que eu já fui, a Garden Route é, juntamente com a road trip do Peru ao Atacama, um dos melhores lugares para se fazer viagem de carro.

Vrede en Lust Wine Estate - South Africa
Mas antes, uma paradinha em um wine estate…

A viagem é longa: são quase 800 quilômetros. A distância compensa e cada parada guarda seus esportes de aventura, histórias e, claro, paisagens incríveis. Você poderá avistar baleias, fazer canyoning, visitar as focas de caiaque, nadar com tubarões brancos e até pular do maior bungee jump em uma ponte do mundo!

Para entrar no clima da viagem-delicinha, uma boa pedida é investir em um caprichado brunch em um dos belos wine estates na região de Stellenbosch. Uma amiga nos levou para conhecer o Vrede en Lust Wine Estate e tivemos uma ótima manhã por lá! E o que falar da paisagem? É até redundante dizer mas… Sim, era de tirar o fôlego!

Para um delicioso brunch!
para um delicioso brunch! :)
Cape Town - Cabo da Boa Esperança
até logo, Cabo da Boa Esperança!

Ah, Cape Town das belas paisagens. Deixou saudades.

Próxima parada: Betty’s Bay & Hermanus

Garden Route, na África do Sul
hit the road, babe!

A primeira parada foi em Betty’s Bay. Em Stony Poiny há outra colônia de pinguins. Mas, sinceramente, não chega aos pés da colônia de Boulders Beach, com suas águas azuis e onde é possível até nadar com os animais.

Stony Point - Bettys Bay - Garden Route
acesso livre aos pinguins de Stony Point, em Betty’s Bay <3
pinguim garden route
hello, friend!
Stony Point Tarsier Babies - Bettys Bay - Garden Route
já ouviu falar em dassie? eis uma amostrinha dos bebês fofos desse animal africano <3

Depois, seguimos rumo a Hermanus, onde é possível fazer o avistamento de baleias. Mas, não avistamos baleia nenhuma. Viajamos em novembro e as baleias fracas-austrais podem ser avistadas entre julho e dezembro. Enfim, não tivemos sorte. Mas o centrinho da cidade é uma graça e vale uma parada para saborear frutos do mar em um dos vários restaurantes do lugar.

É a vez de Oudtshoorn!

Saímos do litoral e seguimos até Oudtshoorn, no interior. No meio do caminho, paramos no ilustre Ronnies Sex Shop, ponto famoso entre os road trippers que passam pela região. Lá dentro, nada de brinquedinhos eróticos… Apenas muitos homens bebendo cerveja e sutiãs pendurados no teto (?).

O lugar surgiu como uma brincadeira entre amigos. Ronnie pintou em uma placa “Ronnies Shop” para divulgar a venda dos produtos de sua fazenda. Os amigos de Ronnie então pintavam a palavra SEX no mural e só prometiam parar a brincadeira quando Ronnie oferecesse uma cerveja. O Ronnies Sex Shop virou pub e ficou famoso na região. Esquisito, porém divertido!

Ronnies Sex Shop - Garden Route
na rota de Outshoorn: o famoso Ronnies Sex Shop!

Finalmente, Oudtshoorn! A cidade ficou mundialmente famosa por causa das fazendas de criação de avestruz. De 1865 a 1870 e 1900 a 1914 ocorreu o boom de exportação de penas e couro de avestruz. A moda passou, o glamour acabou e o lugar ainda guarda construções dessa época de ouro. Visitamos uma dessas fazendas, conhecemos o fofo avestruz anão e o namorado até montou em um desses animais.

Ostrich Farm - Oudtshoorn - Garden Route
a melhor foto que eu consegui sem que um avestruz saísse correndo :)

As Cango Caves também deram fama a Oudtshoorn. A cerca de 30 quilômetros da cidade estão essas incríveis cavernas, uma das maravilhas naturais sul-africanas.

Cango Caves - Oudtshoorn - Garden Route
as incríveis Cango Caves, em Oudtshoorn

Wilderness, Knysna e Plettenberg Bay

Passamos rápido por Wilderness, um vilarejo muito gracinha que vale a pena descobrir mais a fundo se você tiver tempo. Chegamos em Knysna que UAU é bonita demais. Essas fotos do alto de um rochedo à beira-mar não me deixam mentir! A cidade abriga uma lagoa e possui um waterfront mega charmoso. Fizemos uma trilha na região, não bem sucedida. Infelizmente, o que encontramos foi desmatamento e animais mortos.

Knysna Natureza - Garden Route - South Africa
ô knysna, larga de ser bonita

Knysna - Garden Route - South Africa

Para os amantes de frutos do mar Knysna é o paraíso. Knysna, essa cidade simpática e arrumada, não é só bonitinha como é também a capital das ostras da África do Sul e o que não faltam são ótimos restaurantes para apreciar a iguaria. Ponto para Knysna!

Ostras - Garden Route - South Africa
alô, alô oyster lovers: Knysna é o seu lugar no mundo
Knysna Casas - Garden Route - South Africa
casinhas charmosas na beira do precipício

Mais adiante, Plettenberg Bay abriga muitos santuários naturais: aves, macacos, elefantes, cobras… Não deixe de fazer a trilha por Robberg Nature Reserve. A natureza… Ah, a natureza! Do alto você verá centenas de leões-marinhos repousando nas pedras. As praias também valem o descanso e um pique-nique. São cerca de 11 quilômetros em uma trilha que dura menos de quatro horas e é uma delícia de ser feita.

Beach at Robberg Nature Reserve - Plettenberg Bay - South Africa
parece o Algarve mas é a África do Sul
Namorado - Plattenberg Bay South Africa
o príncipe e o mapa (sou fofa, fazer o quê)
Robberg Nature Reserve - Plettenberg Bay - South Africa
centenas de leões-marinhos de buenas
Robberg Nature Reserve - Plettenberg Bay - South Africa - Adrian
alguém feliz porque chegou na praia :)

Enfim, Tsitsikamma National Park!

No caminho de Plettenberg a Tsitsikamma uma ponte te chamará a atenção. Não pela altura impressionante (são 216 metros!), mas porque ali está um dos bungee jumps mais famosos do mundo: o Bloukrans Bungy. Não tive coragem de me aventurar ali… Tenho medo de altura. Mas, quem sabe na próxima? :)

Tsitsikamma é um parque especial. Alojado entre as montanhas e o mar, o parque tem esse nome porque a palavra Tsitsikamma significa “lugar de água abundante” em Khoi. É também o ponto ideal para esportes de aventura. No agitado Storms River é possível fazer tubing (atividade que a pessoa desce um rio ou a neve sobre uma bóia). Se preferir, você pode descer o rio de caiaque. Fãs de aventura ainda podem fazer mountain biking ou desbravar a região de cavalo. As trilhas também são um passeio bem procurado – mas é preciso se planejar, porque são longas. Então, chegue cedo!

Mariana - South Africa
tomb raider feelings kkk
Storms River - Africa do Sul
na Garden Route, o rio não chama ‘storms’ por acaso

Então depois de aproveitar tudo o que o Tsitsikamma pode oferecer (difícil, hein) é hora de seguir viagem. Uma paradinha em Jeffrey’s Bay para curtir as belas praias e então você está quase lá. Finalmente, Port Elizabeth!

Preparado para uma experiência única em um safári?

Veja também outros posts sobre a viagem para a África do Sul:
+Cidade do Cabo para visitar e se encantar!
+ Como é fazer um safári na África do Sul?

Encantada, Pueblos Blancos!

Medina Sidonia, Andaluzia, Espanha

Por aqui, as duas últimas semanas foram intensas. E essas últimas semanas são o motivo pelo qual eu vou para o Brasil em breve e ficarei até janeiro por lá – plantando e regando minhas sementinhas mais queridas. E também atualizando meus posts de viagem. Mas, ah, isso é assunto para outro dia. Falemos de coisa boa: os Pueblos Blancos! :) Então, segue um pequeno roteiro de viagem por essa maravilhosa região da Andaluzia.

E a coisa boa que aconteceu nesse mês foi o casamento de um amigo espanhol do Namorado. O amigo se casou em Sevilha e essa foi a justificativa perfeita para uma pequena road trip pela Andaluzia – que é um dos meus lugares preferidos no Velho Continente. Quer dizer, olha só para essas paisagens e me diz se não dá para sentir um caminhão de coisas boas? Impossível. E ainda tem comida gostosa, gente como a gente que vive de um jeito de dar inveja e é um lugar nada caro para se estar. A Andaluzia parece que tem alma pulsante!

Rota dos pueblos blancos, na Andaluzia, Espanha
Porque toda boa road trip é feita de paisagens incríveis.

De Sevilha a Cádis: na rota dos pueblos blancos

Pegamos o carro reservado no aeroporto e seguimos rumo a Bolonia, porque queríamos praias de encher os olhos. O plano era ir até Bolonia passando por alguns pueblos blancos no caminho. Depois de Bolonia, nosso plano era passar por Conil de La Frontera (outra praia), mas isso não deu certo e você vai saber o porquê daqui a pouco. À noite, iríamos para Cádis, onde dormiríamos e passaríamos o dia seguinte explorando. E assim seguimos.

A pacata Arcos de La Frontera

As cidadezinhas do interior da Andaluzia ficaram famosas porque as casas tem fachada pintada de branco. E é demais enxergar esses pequenos povoados no alto de uma colina (ou precipício!) à medida que nos aproximamos de carro. Mas a cor branquinha das casas não é um luxo, não. É que nessa região a temperatura pode ultrapassar 40 graus e a pintura em cal, toda branquinha, combate o calor.

Arcos de La Frontera, Pueblos Blancos, Espanha
Pueblos Blancos: a simpática cidadezinha de Arcos de La Frontera vista da estrada.

Arcos de La Frontera, um dos pueblos blancos, é pequena, simpática e boa para dar umas voltinhas. Estacionamos o carro e saímos para passear pelas ruelas de paralelepípedos. Paramos para tomar um café com leche, comer um montadito de jamón, algumas azeitonas e suco de laranja tudo isso por só 3 euros. Perto da igreja no alto da cidade é possível ver o precipício ao lado de onde a cidade foi construída. Frio na barriga.

Arcos de La Frontera, Ruta Pueblos Blancos, Andaluzia
Cores no varal. <3

Medina Sedônia: vale a pena?

Pegamos estrada de novo e paramos em Medina Sedonia. A cidade ventava de maneira surreal e tinha pouca gente na rua. Tomamos mais um suco de laranja e comemos mais azeitonas. Risos. Medina Sidonia parecia uma cidade fantasma. Será por causa do vento? Fica a dúvida.

Medina Sidonia, Andaluzia, Espanha
Vento ventania (me leve para qualquer lugar, para qualquer canto do mundo!) em Medina Sidonia.

Rumo a Bolonia: a trilha em Zahara de Los Atunes

Agora sim, hora de praia! Analisamos o GPS e vimos que existia um caminho que iria pela costa, apesar de mais longo. Chegando em Zahara de Los Atunes, a estrada estava interditada. Acontece. Então, duas opções: 1. voltar e fazer o caminho seguro ou 2. seguir por uma trilha que aparecia discretamente no mapa. Optamos pela trilha! Colocamos tênis e partimos rumo à felicidade! Algumas vacas com cara de poucos amigos no caminho fizeram a gente subir um morro de pedras, mas tudo certo. A trilha continuou por alguns quilômetros até a gente chegar na pista e perceber que a entrada para a cidade era muito depois. The perrengue never ends.

Zahara de Los Atunes - Andaluzia
Zahara de Los Atunes: vista da trilha para Bolonia.

Já em Bolonia, decidimos visitar o Baelo Claudia. Um dos pontos altos da viagem, o Baelo Claudia é uma antiga cidade romana bem pertinho do mar e que foi construída sobre um assentamento fenício (alô, Líbano! <3). Foi também o principal porto que negociava com o Marrocos e possivelmente as primeiras cidades dessa região da Europa surgiram aqui. A paisagem é de tirar o fôlego e essas cidades romanas são sempre boas para lembrar que a nossa história não começa nem acaba.  Sobre o preço? Bem, não pagamos nada porque temos ID europeia, mas o valor da entrada é simbólico (apenas 1,50 euro).

Baelo Claudia, em Bolonia, na Espanha
Baelo Claudia: uma cidade romana na Andaluzia.
Placa na África para a Espanha
É pra lá que eu vou

Depois, passeamos pela praia e procuramos algum lugar para almoçar. Mas, como estamos em baixa temporada, todos os restaurantes estavam fechados.  Uma pena, porque a região tem fama pelo atum vermelho que é pescado nesse mar lindimais.

Praia de Bolonia, na Espanha
Uma belezinha essa praia de Bolonia, não?

A volta pela trilha era só subida e o sol já estava baixinho, baixinho quando decidimos ir embora. Achamos melhor pedir carona. Por isso, ficamos felizes quando uma campervan com dois rapazes que estavam aprendendo windsurf em Tarifa e – estava na estrada sem destino – nos salvou.

Decidimos deixar Conil de La Frontera para uma próxima vez. A saga continua agora em Cádis!

Outono na Europa & uma road trip pela Idade Média

Salzburg castle2

Era uma vez um casal entediado que de tanto ir pra lá e para cá por aí, já não achava os lugares dos anos 2000 e tantos tão encantadores assim. Aí, para combater o desânimo, a dupla decidiu alugar uma máquina do tempo. Dessas que, movida a gasolina, te leva de um lugar a outro e, se você der sorte – e pesquisar direitinho –, pode ser até que te leve a outra época! E foi assim que começou uma míni road trip de final de semana por três cidades incríveis: Passau, na Alemanha, Český Krumlov, na República Tcheca e Salzburg, na Áustria.

road trip: república tcheca
Road trip: uma estrada da República Tcheca

Road trip: escolha do roteiro

Nós já tinhamos ouvido falar bem de Český Krumlov (República Checa), cidadezinha localizada há cerca de 150 km de Praga, que parece ter parado na Idade Média. A fama do lugar é mesmo no boca a boca e a pequena Krumlov ficou conhecida pelos viajantes que querem dar uma esticadinha na República Checa. Pronto, o destino já estava escolhido!

Depois, foi só olhar bem para o trajeto que saía de Munique (Alemanha) e analisar outras possíveis paradas. Concluíram: na ida, parariam em Passau, na Alemanha, e na volta em Salzburg, na Áustria.

Encontro das águas em Passau

Saímos de Munique às 9h da manhã de sábado e chegamos em Passau às 11h. Pertinho da fronteira com a Áustria, a cidade é conhecida por ser ponto de confluência de três rios: Danubio, Inn e Ilz. Isso explica porque uma das principais atrações turísticas da cidade são os luxuosos cruzeiros pelo rio Danúbio! Já para quem está em terra, o encontro dos rios também garante um espetáculo tricolor (algo parecido com o encontro dos rios Negro e Solimões no Brasil, guardadas as devidas proporções, claro!): quando as cores das águas azul (Danubio), verde (Inn) e negro (Ilz) se misturam. Che bello!

Cruzeiros de rio fazem sucesso em Passau!

Andando pela cidade, o charme fica por conta das construções que tem muito da arquitetura italiana – é que arquitetos italianos ajudaram a reconstruir a cidade após incêndios no século 17. No miolo do centrinho, não deixe de visitar a catedral barroca St. Steven’s, que contém o maior órgão em uma catedral do mundo.

Pequenas amizades do caminho

Finalizamos o passeio pela cidade na fortaleza Veste Oberhaus, fundada em 1219 por um príncipe-bispo. Para subir até a área mais alta do castelo, paga-se (só!) 1 euro. Em troca, você ganha a vista incrível tanto da cidade quanto do encontro dos rios! Na fortaleza ainda há um museu, um hostel (albergue da juventude) e um restaurante. Saímos de Passau às 15h. Acredito que uma tarde na cidade seja tempo suficiente para conhecer as principais atrações do lugar.
P.S.1: Passau também é ponto de encontro de ciclistas que viajam pelas margens do Danúbio. Enfim, uma opção para os mais aventureiros!

A beleza medieval de Český Krumlov

Onde dormir

Chegamos em Český Krumlov, na República Checa, no final da tarde de sábado. Nos instalamos no hostel Skippy – que na verdade é uma guest house, possui apenas três quartos e capacidade máxima de 9 pessoas (!). O lugar é mega charmoso em toda a sua simplicidade: fica em uma casa com mais de 200 anos e tem um terraço na beira do rio Vltava – ideal para a prática de canoagem. Bem localizado, é pertinho do centro da cidade. O ponto negativo: não servem café da manhã. O preço: Cá entre nós, viajar para a República Checa é uma boa opção não só por causa da história, mas também por causa dos preços. Lá, tudo é quase sempre mais barato que a maioria de outros países europeus mais badalados, como Itália, França e Alemanha.

A vista do castelo de Český Krumlov é incrível ou não é?!

Onde comer

Demos uma volta pela cidade, mas como já estava escurecendo não deu para conhecer muita coisa. A nossa anfitriã então nos recomendou alguns restaurantes e por volta das 18h já estávamos no U Dobraka. Nada feito! Parece que a fama da comida feita nos moldes medievais, principalmente carnes assadas em uma fogueira, e o ambiente rústico e acolhedor fazem tanto sucesso na cidade que é preciso reservar antecipadamente – até mesmo se você decidir matar a fome no final da tarde! Por isso, caminhamos até nossa segunda opção, o Krčma U dwau Maryí, localizado às margens do rio. Não nos decepcionamos: a comida era deliciosa.

Mais: dois pratos, com bebidas (as cervejas checas são imperdíveis!) e sobremesa custaram 14 euros. Após o jantar, decidimos experimentar mais cervejas (cerca de 1 euro cada) no Gorila, um bar também no centro da cidade. Mas, ah, na República Checa é permitido fumar em ambientes fechados… Resultado: posso sentir o cheiro da fumaça dos cigarros até agora! :(

Road trip idade média 3
O primeiro outono de verdade a gente nunca esquece! haha

O que ver

No segundo dia da road trip, partimos para a praça Náměstí Svornosti, onde encontraríamos o grupo do free walking tour, às 10h30. Resumindo: não dá para se apaixonar por Český Krumlov. A cidade, construída por volta do século 13, é patrimônio da humanidade e mais parece cenário de um filme com suas casinhas antigas e castelo no alto do morro, antiga residência de uma das famílias checas nobres mais tradicionais do país, os Rosenberg.
P.S.2: A cerveja defumada, vendida em alguns bares da cidade, é uma atração à parte!

Salzburg, a terra de Mozart

Chegamos em Salzburg no final da tarde, quando já estava escurecendo, e por isso o passeio foi bem rápido. A cidade ficou rica por causa das minas de sal e daí vem seu nome: Salzburg significa castelo de sal em alemão.

Salzburg
Salzburg mostrando como faz para ser incrível

Demos uma voltinha pelo centro, com suas casas de tons pastel. Visitamos duas das grandes atrações: a casa onde viveu Mozart e o castelo Hohensalzburg (mais um! <3), um dos maiores castelos medievais da Europa. Lá do alto, vimos o pôr-do-sol da cidade. É maravilhoso! Antes de voltarmos para Munique, paramos para provar o chocolate quente austríaco.

Salzburg castle: vista de uma road trip
Salzburg castle: uma vista de contos de fadas

P.S.3: Nos meses de julho e agosto acontece na cidade um dos maiores festivais de música clássica do mundo. Vale se programar e incluir na road trip!
P.S.4: A gasolina mais barata que encontramos foi na Áustria e não na República Checa.