Era uma vez um veleiro…

Veleiro. Foto retirada do Etsy, Redtruckdesigns.

Há tempos venho pensando sobre o que escrever neste blog. Isso porque depois de uns dias parece que nada do que escrevi diz muito sobre mim. Em outras palavras: mudei de ideia umas 367 vezes depois que postei X, Y ou Z. Escrever e registrar tudo isso, inclusive, parece limitador e bem louco também. Sim, sou a rainha da contradição e odeio ter que ficar me policiando. ~mudo de ideia mesmo, beijos me solta~

Por isso, tomei uma decisão: agora e aqui, só falo de sentimento – pelo menos por enquanto. É verdade que sentimentos mudam, mas a graça é essa mesmo: a gente não ter que ficar se justificando por isso. A gente vai lá e sente e pronto. Mudou? Tá tudo bem. Isso porque sentimentos são únicos, tem validade limitada e dizem respeito apenas a lugar x momento x pessoa/coisa. Se você mudar o tempo, provavelmente o sentimento muda também. Eles não mentem. O “sentir” começa e termina nele mesmo, sem dever nada a ninguém. Sem contestação. Ele é autossuficiente e não depende de porquês. Ou é ou não é. Por isso eu amo tanto sentimentos. Morro de amores, morro de ódio, morro de tédio – mas nunca pela metade. Intensidade, querida, teu nome é Mariana.

Resumindo: num momento aleatório, cheguei à conclusão de que sentimentos são perfeitos para diários blogs.

Então, por ora, chega de concretismo. Quero poesia abstrata, quero a vida à flor da pele. Tudo menos truncado, mais bonito e (não sei se) completo.

Vem comigo?

Pois bem, dia desses algo incrível aconteceu.

Minha prima e eu fomos viajar no feriado de Carnaval. O destino? Rio de Janeiro. Motivo: queríamos uma festa mais tranquila que Ouro Preto ou Salvador, mas nada que fosse só sombra e água de coco gelada, por favor. E aí você já sabe… Rio de Janeiro = sol, praia e festinhas de buenas (mas não desanime: se quiser festão, tem também, e são incríveis). Por isso, os bloquinhos pareciam perfeitos. E, te digo logo: funk e emoção não faltaram – teve até tiroteio, gente! Um feriado agitadíssimo, eu diria. Mas, peralá, o ponto alto nem foi esse…

Todo final de tarde saíamos da agitação dos bloquinhos/hostel-em-que-a-galera-tava-loucona-24/7 e fugíamos rumo ao calçadão para comer churros e ver o pôr-do-sol (eis meu conceito de felicidade: sossego, praia e doce de leite). Aí, num dia desses, enquanto estávamos assistindo o sol ir se deitar, um mocinho cambaleante (ou bêbado, no sentido vulgar da problemática) se aproximou e sentou ao nosso lado.

— “Ai, lá vem…”, pensamos.

— “Nada disso, colegas”, disse a vida.

E então o bêbado nos surpreendeu de um jeito incrivelmente bom.


Ali, escondidinho atrás do óbvio, você encontra…

Eu explico: decidimos continuar o papo iniciado pelo moço. É que apesar do alto teor alcoólico, ele sentou longe e começou a conversa como toda pessoa que nunca viu a outra antes faz. Ou seja, tudo certo e dentro dos conformes da ética e dos bons costumes.

Mas a bebida é um negócio mágico, todos sabem. E o moço (que, descobrimos depois, é nosso vizinho em São Paulo) começou a desabafar sobre a ex-namorada, que agora estava noiva de outro homem. Detalhe: eles namoraram por 4 anos e terminaram há 4. Já era para ele ter esquecido, certo? Não se sabe. E viva o sentimento, sem hora marcada para começar ou terminar. Ele existe, e só isso importa.

Eu, enxerida que sou, perguntei se ele a amava. Por que, né? Achei a conversa profunda demais.

— “Não”, disse ele. Mentira, julgo eu. O fato de ele ter falado sobre isso no Carnaval, bêbado e com duas desconhecidas era a prova de que ele não conseguia esquecê-la.

— “Vocês já ouviram falar sobre a metáfora da âncora e da vela?”, continuou.
Pára tudo.
Um bêbado falando em metáforas? Álcool: um líquido capaz de transformar um babaca no maior dos babacas. E um cara interessante em um tipo surrealmente incrível.

— “Algumas pessoas são âncora, outras vela”, disse ele. “Ela era âncora. Prendia quando deveria me estimular a ir sempre em frente, a sair do lugar. Não queria ser vela. Por isso, terminei”, completou.

Emoção. Isso define o que eu senti em uma conversa com um bêbado na beira da praia. Apesar de todo amor que, convenhamos, era óbvio que ele sentia, ela não estava sendo o que ele precisava naquele momento. E não seria para o resto da vida, porque ela não queria ou não sabia ser. E porque agora se casaria com outro.

Todos somos (e precisamos) de âncoras e velas. É o tempo (ou fase da vida) que define o que deve prevalecer. Em meio a tempestade, a âncora dá segurança. A vela, por sua vez, com a ajuda do vento nos leva até onde queremos chegar. Ambas são essenciais sim. Mas, em momentos errados, podem contribuir até para um naufrágio. Trágico e poético. E tão claro!

“O que eu desejo ser na vida de alguém?” “E do que eu preciso?” Você saberia responder essas perguntas?

A conversa continuou por alguns minutos e, em seguida, ele foi embora sem olhar para trás. A metáfora, no entanto, decidiu ficar.

Atualização – 13/08/2014

Contrariando as (minhas, lógico) expectativas, tudo mudou! Parece que ela aprendeu muita coisa nesse tempo em que eles ficaram separados, porque… Eles voltaram a namorar e estão noivos! Sim, ele virou meu amigo no Facebook depois desse papo estranho na beira da praia. Incrível, não?

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1 comment

  1. Sempre gostei de âncoras, agora me identifiquei com a vela! Sempre bom refletir.. incrível como em inesperados momentos encontramos pessoas incríveis.. que só por sorte estavam naquele lugar x naquela hora x.
    Adorei o post, continue a escrever, sempre é bom parar um pouco e ler seu blog!
    beijos

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