Bike tour em Liubliana: explorando os highlights da capital da Eslovênia

Liubliana_ Dragon Bridge

Liubliana é pequenina e acolhedora. Também é hospitaleira e sabe receber o turista com tanta gentileza que parece colo de mãe. A viagem, que foi uma continuação da visita ao Big Berry, no sul do país, fechou com chave de ouro e só me fez ficar ainda mais apaixonada pela Eslovênia!

Liubliana - Centro Histórico
Centro de Liubliana e suas casinhas em tons pastel

O centrinho de Liubliana é super charmoso com suas casinhas em tons pastel, mas não pára por aí… Tudo fica ainda mais encantador porque ali não circulam carros – apenas pedestres, bicicletas e carrinhos de golfe, em um serviço gratuito oferecido pela prefeitura. A Eslovênia não ganhou fama de Green Slovenia por acaso, né? Por isso, uma das melhores maneiras para explorar a cidade – que é bike friendly – é em um passeio de bicicleta, claro!

Postais de Liubliana
Postais de Liubliana

Liubliana de bike, a melhor opção

Um passeio de bicicleta pelo centro de Liubliana é uma ótima opção para conhecer o que a cidade tem de melhor. E isso é tão verdade que o órgão de turismo da cidade oferece tours guiados pelos principais pontos turísticos de Liubliana. Em apenas um dia é possível conhecer os principais pontos turísticos da cidade e ainda ficar com gostinho de quero mais. Um tour de bike também é uma ótima maneira de aproveitar um belo dia enquanto conhece os principais parques e centros culturais.

Tour de bicicleta e os principais pontos turísticos

O tour de bicicleta em Liubliana tem duração de três horas, é oferecido em inglês ou esloveno e inclui guia profissional, aluguel da bicicleta, capacete e um lanchinho com doces tradicionais eslovenos.

Liubliana_ Dragon Bridge
A famosa Dragon Bridge de Liubliana

O tour de bicicleta em Eslovênia começa no centro histórico e segue para a periferia da cidade. Tudo começa com a lenda que tornou Liubliana The Dragon City.  Não é exagero… Em Liubliana, você verá dragões por todas as partes! Nas placas dos carros, na bandeira da cidade, em vários escudos espalhados pelas lojas e, claro, na Ponte do Dragão.

Dragão, a lenda-símbolo de Liubliana

Bem, diz a lenda que a história de Liubliana começou com Jason e os Argonautas. Essa turma com nome de banda de pop rock foi responsável por fundar a capital do país!

Jason era um herói grego que roubou o Velocino de Ouro do rei do Mar Negro. Após o furto, Jason fugiu em uma nau chamada Argo até a foz do rio Danúbio. Juntamente com os argonautas, Jason chegou ao rio Ljubljanica. Como era inverno, decidiram acampar perto da nascente do rio Ljubljanica. Ali perto, encontraram um grande lago e um pântano onde vivia um dragão. Jason heroicamente lutou contra o monstro até matá-lo. E é por isso que Jason é considerado o primeiro cidadão de Liubliana.

A famosa Ponte Tripla

Liubliana_ Jakov Brdar
Uma das obras de Jakov Brdar no centro de Liubliana

No centro de Liubliana conhecemos a história da cidade, a famosa Ponte Tripla e vimos de pertinho a perturbadora obra do artista plástico Jakov Brdar.

Jardim Botânico, Tivoli Park e bairro de Krakovo: verde por toda parte!

Depois, pedalamos pertinho do rio Ljubljanica (onde vimos nutrias nadando sem timidez alguma) e seguimos para o charmoso Ljubljana Botanic Garden. Lá, ganhamos nossa cestinha de guloseimas com doces tradicionais eslovenos. Comemos por ali mesmo, porque garoava lá fora (mas a intenção era um pique-nique no parque Tivoli).

Liubliana - Jardim Botanico
Jardim Botânico de Liubliana: charmoso e cheio de cactos!

Metelkova mesto: Liubliana respira arte de rua!

Conhecemos as hortas do bairro de Krakovo – onde os moradores ainda mantém aquele ar de roça enquanto ainda cultivam os próprios vegetais no quintal, em casas localizadas bem no centro da cidade (Green Ljubljana again, babe!).

O Parque Tivoli e sua exposição permanente nos encantou sim, mas foi Metelkova mesto, um centro de cultura alternativa, que me surpreendeu de verdade! O nosso tour terminou ali, cheio de arte, cores e graffitti. Inspiração para dar e vender!

Metelkova mesto: o centro cultural alternativo em Liubliana
Metelkova mesto: o centro cultural alternativo em Liubliana

A área repleta de grafitti recebe exposições de arte, exibições e festas onde se apresentam DJs do mundo todo. Tudo começou quando em 1993 um grupo de artistas ocupou o antigo complexo do exército austro-húngaro (construído no final do século 19) para evitar que ele fosse derrubado. Metelkova mesto então se encheu de vida e cor e vive até hoje como um centro de arte alternativo.

Liubliana_ Metelkova mesto

E o que faltou conhecer no tour?

Infelizmente o castelo de Liubliana ficou para depois – mas esse é só mais um motivo para voltar a Liubliana, né?  Localizado no topo de uma montanha, bem no centro da cidade, o castelo medieval é o edifício mais marcante do skyline de Liubliana.

Como fazer a reserva do tour de bicicleta?

O tour de bicicleta em Liubliana é sazonal. Ou seja, só é oferecido de abril a setembro, por causa da temperatura (ninguém quer andar de bicicleta no frio, né?).  A reserva pode ser feita online no site da secretaria de turismo de Liubliana.

Como chegar em Liubliana

Liubliana é facilmente acessada por avião, trem ou ônibus. Por exemplo, há ônibus direto para Bologna, na Itália, ou Munique, na Alemanha. O aeroporto de Liubliana recebe vôos de Bruxelas, Munique, Istambul, Londres, Vienna e por aí vai. Acredite, chegar em Liubliana não será um problema!

Liubliana no Outono
Assim é Liubliana no Outono: toda amarela!

Onde se hospedar

Fiquei hospedada no Hotel Park – Urban & Green, um hotel três estrelas super bem localizado, a 700 metros do centro histórico e com um café-da-manhã delicioso. Um ótimo custo-benefício – afinal, você irá perceber que os preços em Liubliana não são tão amigos assim, viu?

Onde comer em Liubliana

Para ter uma experiência gastronômica autêntica eslovena é preciso mergulhar nas tradições. Há muitas opções de restaurantes nas margens do rio Liublianica, porém geralmente são mais caros e menos tradicionais – enfim, super turísticos. Mas nem tudo está perdido! Há algumas pérolas escondidas no centro histórico.

Frutos do mar e vinho

Vino e Ribe - Liubliana - Onde comer
Vino e Ribe, em Liubliana: frutos do mar acompanhados de vinho esloveno

Ok, frutos do mar não são bem a especialidade eslovena. Mas os vinhos são! No Vino & Ribe pratos com lulas, sardinhas, camarões, polvo e diferentes de peixes são bem servidos com vinhos típicos eslovenos: Malvasia e Refosco. Quer mais? A taça é super barata: apenas € 1,80!

Comida tradicional eslovena

Um achado é o Druga violina, localizado no centro histórico, com comida autêntica eslovena, em um ambiente aconchegante e preços amigos. O destaque fica para o idrijski žlikrofi, um tipo de dumpling recheado com batata que é uma delícia. A proposta do Druga violina também é interessante: o restaurante emprega pessoas com necessidades especiais e, por isso mesmo, o atendimento é mega atencioso. Vale incluir o restaurante no roteiro, viu?

Para apaixonados por café

Para quem não vive sem café (que nem eu!), o Cafetino é um oásis! O pequeno e aconchegante café oferece uma carta gigantesca com tipos de café do mundo inteiro. Tem brasileiro? Claro que tem! Mas tem também café indiano, do Iemên, de Java, Galápagos e os clássicos peruanos, colombianos e guatemalteco.

Hamburguer vegano? Tem também!

Se você é vegano, o Organic Garden é o seu lugar! A pequena lanchonete oferece algumas boas opções de hambúrgueres veganos com pão colorido (esse tipo de lanchonete virou febre na Europa!). Experimentei o Yellow Burger e o Black Burger e ambos são delicioso.

Organic Garden - Liubliana - Onde comer
Organic Garden: o melhor hambúrguer vegano de Liubliana

Um jantar com vista

Para um jantar romântico ou simples café com uma vistá incrível, siga até o Skyscraper – Nebotičnik, restaurante, bar e café com uma das melhores vistas do skyline de Liubliana, com vista para o castelo.

Informações úteis sobre Liubliana:

Localização: Liubliana está localizada no centro da Eslovênia, país que faz fronteira com a Áustria, Croácia, Itália e Hungria.
Moeda: Euro (EUR)
Idioma: Esloveno
Melhores meses para viajar: De maio a setembro, quando os dias são longos, as temperaturas são amenas e é possível fazer passeios a pé na cidade, sem congelar por causa do frio!

Dicas extras!

Está pensando em reservar um hotel em Liubliana? Eu uso o Booking para garimpar boas ofertas e ler resenhas de quem já viveu a experiência. Lá, você encontrará uma boa seleção de hotéis, hostéis, chalés, guest houses e pousadas para todos os tipos de bolso e um ranking feito por usuários com o melhor custo-benefício. De quebra, você ainda ajuda o blog a crescer sem pagar nada a mais por isso. É um win-win! 

Postais de San Marino: uma joia no coração da Itália

Vista do castelo de San Marino no outono

Imagine um país pequenininho encrustrado na Itália e bem próximo à costa do Mar Adriático. Esse país tem um castelo no alto de um penhasco e uma cidadezinha medieval charmosa com ruelas e becos de pedra. De lá do alto, dá para ver o mar no horizonte e as pequenas cidades que o rodeiam. Parece um sonho, né? Mas essa joia existe, tem nome e sobrenome: San Marino!

A menos de uma hora de Rimini, San Marino é o estado nacional mais antigo do mundo. San Marino é o nome do país, com apenas 61 km², e o nome da capital também – o foco desse post, aliás é a cidade. A cidade de San Marino também é aquele tipo de lugar tão charmoso que a gente coloca na bucket list só para poder se encantar um pouco. Mais: em apenas um dia você conhecerá o principais pontos turísticos da cidade!

Vista de San Marino

Breve história de San Marino

San Marino surgiu em 301, quando o cristão Marinus se refugiou no Monte Titano para escapar de perseguições. Os anos passaram, a comunidade que ali vivia cresceu e San Marino ganhou estatutos em 1600, considerados a mais antiga constituição do mundo. Hoje em dia, San Marino é dona de uma das rendas per capita mais altas da Europa. San Marino e o Monte Titano foram declarados Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 2008.

As casinhas de San Marino

Viela de San Marino

Onde fica San Marino?

San Marino está localizada a menos de 10km da Riviera Romagnola. Por isso, é o passeio perfeito para quem está passando o verão nas praias de Rimini ou Riccione. Também vale uma visita se você está em Bologna, conhecendo as delícias da gastronomia da região.

San Marino no outono

San Marino: o que fazer no pequenino país?

O passeio por San Marino consiste basicamente em explorar as ruelas da cidade medieval no alto do Monte Titano. A 700 metros de altura, dá para ver o mar lá do alto!

Ruela San Marino

Vista – Uma das coisas mais incríveis de San Marino é a vista. Há um mirante, mas a vista mais impressionante e bonita de verdade é aquela com o castelo na beira do penhasco. Por isso, não deixe de caminhar entre as torres em busca do melhor ponto para a fotografia perfeita.

As Três Torres – Guaita, Cesta e a Torre del Montale são os principais pontos turísticos da cidade de San Marino.

A Primeira Torre (Rocca Guaita) foi construída na metade do século XV e é onde  as pessoas costumavam se abrigar durante os cercos. Alguns quartos foram usados como prisão até outubro de 1970.

Castelo de San Marino no Outono
Castelo de San Marino no Outono

O trecho que leva a Primeira Torre a Segunda Torre é  o mais charmoso (como a foto aí em cima mostra)! O trecho de muralhas pertence aos restos da segunda muralha da cidade construída no século XIII. A cidade de San Marino foi fortificada por três muros da cidade construídos em três períodos diferentes e que, infelizmente, foram demolidos para permitir que a cidade se expandisse.

A Segunda Torre está localizada no segundo pico do Monte Titano, o mais alto, a 756 metros de altura. Ali também está o Castelo do Cesta, também chamado Fratta. Construída no final do século XI, a Segunda Torre era a sede da guarita e também abrigava algumas celas de prisão. Ali hoje está o Museu de Armas, com mais de 500 objetos de diferentes períodos, entre a Idade Média e o final do século XIX. Ingresso: 3 € (cada torre) ou 4,50 € (para visitar a Primeira e a Segunda Torre).

A Terceira Torre foi construída no século XIII e tem a melhor posição para os vigias que protegiam o lugar.

Basilica del Santo – Construída em 1826, a basílica com estilo neoclássico é um edifício grandioso que chama a atenção entre as ruelas apertadinhas da cidade. Ali está guardada uma urna com os restos mortais de San Marino.

E, sim, compras! San Marino é uma zona tax free. Por isso, não se assuste com a quantidade de lojinhas vendendo perfumes, maquiagens, óculos e itens de couro. É uma ótima oportunidade para economizar alguns euros naquele item que você está sonhando há tempos.

San Marino: quando ir?

A melhor época para ir a San Marino é na primavera. No verão, as ruelas são lotadas de turistas. No outono, o lugar fica incrivelmente lindo com as folhas alaranjadas, porém venta demais. No inverno, diversas passagens (como o trecho que liga uma torre a outra) são fechados por causa da neve.

Vista castelo San Marino
Vista castelo San Marino

Como ir de Rimini ou Bologna a San Marino

Bologna – San Marino:
A maneira mais fácil para ir de Bologna a San Marino é por meio do shuttle que sai do aeroporto de Bologna. O trajeto custa 20 € ou 25 € comprando o bilhete com o motorista. Outra maneira mais trabalhosa (e demorada!) é indo de Bologna a Rimini de trem e depois pegar o ônibus que liga Rimini a San Marino.

Rimini – San Marino:
A melhor maneira de ir de Rimini a San Marino é por meio do ônibus que sai na frente da estação ferroviária de Rimini. O ponto está localizado próximo ao Burger King. O bilhete custa 5 € o trecho. Para encontrar o melhor horário, acesse aqui.  Atenção: verifique os horários de acordo com a estação do ano. Há diferentes horários para o verão (“corse estive”) e inverno (“corse invernale”).

E que tal conhecer Rimini, cidade com as praias mais badaladas na Itália?
+ Rimini: 5 coisas que você deve fazer na sua próxima viagem

Big Berry: 5 motivos para se apaixonar pelo interior da Eslovênia

Eslovenia - Bela Krajina - Big Berry3

Há tempos sonhava em conhecer a Eslovênia. A um pulinho da Itália e da Alemanha, o país ainda é relativamente pouco explorado turisticamente – e isso traz grandes vantagens em relação aos vizinhos mais badalados. Então, quando a Ju França do Eu Ando Pelo Mundo me convidou para conhecer a Eslovênia (e escrever sobre no blog dela!), eu não pensei duas vezes. Foi assim que acabei conhecendo o luxury lifestyle resort  Big Berry.

Big Berry: só mais um glamping na Eslovênia?

Confesso que demorei para entender qual era o conceito do Big Berry. Um camping de luxo ou lifestyle resort? À primeira vista, a gente até pensa que o lugar é um glamping (palavra que define camping com o conforto de hotéis de luxo), mas não é só isso.

Eslovenia - Big Berry - Casas móveis
A nossa casa móvel no Big Berry

A hidromassagem e a estrutura oferecida em cada uma das casas móveis dão o tom de luxo ao lugar. Foi preciso eu ir até la para entender do que se tratava: um glamping sim, mas volta

Campeonato de vôlei - Big Berry - Eslovenia
Estava rolando um campeonato de vôlei no Big Berry!

do para experiências e contato com a população local. E é a equipe internacional do Big Berry que faz a diferença: eles mantém o relacionamento de proximidade entre o viajante e os habitantes dos vilarejos ao redor.

 

 

Eslovenia - Big Berry
Paraíso verde, será?

Lá, é possivel ter o melhor de Bela Krajina, região do sul da Eslovênia onde Big Berry está localizado, e da Green Eslovenia – apelido que o país ganhou por causa das suas áreas verdes.  Quer jeito melhor de viajar? Eu acho que não existe.

Rio Kolpa e suas águas calmas

O Big Berry está localizado nas margens do rio Kolpa, bem na fronteira com a Croácia. O lugar é um pedacinho do paraíso e o rio Kolpa uma calmaria que só.

Rio Kolpa - Eslovenia e Croacia Olá, Eslovênia! Olá, Croácia!

Mas nem todo o Kolpa é assim – e até fizemos rafting por ali, com um passeio oferecido pelo Kolpa Adventures. Uma aventura deliciosa pela território neutro, que são as águas do rio entre os dois países.

As inesquecíveis cestas de café da manhã

Eu confesso que um dos momentos mais esperados do dia era o café da manhã. As cestas oferecidas pelo Big Berry são inesquecíveis. O pão esloveno é a oitava maravilha do mundo. Depois que você provar o iogurte produzido pelos produtores locais, nunca mais gostará das versões vendidas em supermercado.  E a manteiga ghee? Ah, a manteiga ghee! <3

 Café da manhã no Big Berry: saudável e delicioso! Cesta de café da manhã no Big Berry: saudável e delicioso!

O que eu posso dizer é que essa cesta de café da manhã já valeria a viagem. Mas o Big Berry oferece muito mais…

Vinhos na Eslovênia? Tim-tim!

Outra experiência deliciosa foi a degustação de espumantes eslovenos com a Semiška Penina. A degustação de espumantes produzidos com a uva modra frankinja, popular na região, aconteceu durante o pôr do sol.

degustação de espumantes eslovenos - Semiška Penina degustação de espumantes eslovenos, da Semiška Penina

Encanto é pouco para definir essa experiência.

Vinho - Eslovênia - Big Berry
Vinhos na Eslovênia? O tempo todo!

Degustação de óleos vegetais

Eu perdi um pouco o controle na degustação de óleos vegetais produzidos pela Oljarna, confesso. Isso porque costumo usar óleos vegetais na minha rotina de skincare. E, bem, a Oljarna produz 25 tipos de óleos vegetais prensados a frio – inclusive algumas variedades super diferentonas, como óleo de semente de romã.

Degustação de óleos vegetais - Oljarna Degustação de óleos vegetais, na Oljarna

Sai de lá com cinco óleos: rosa mosqueta, semente de damasco, semente de uva, cânhamo e cuminho preto (que valem um post especial sobre o assunto!). Enfim, um tratamento de pele completo!

As vilinhas eslovenas são um charme

Imagine vilinhas que mais parecem ter saído de contos de fadas rodeadas por verde, muito verde.

Eslovenia - Bela Krajina - Big Berry3
Povoado da Bela Krajina, na Eslovênia
Bela Krajina - Eslovenia
Bela Krajina, na Eslovênia, sendo uma gracinha

A população do interior da Eslovênia não está acostumada a receber turistas e todas as vezes que diziamos que eramos de fora, era uma festa só! O povo esloveno é gentil, atencioso e hospitaleiro como ninguém.

Vila na Bela Krajina, Eslovênia Vila na Bela Krajina, Eslovênia

Quer uma dica? Se você procura um lugar que combina descanso, cultura, natureza e luxo, a  Eslovênia é o destino perfeito para você!

Algarve: explorando as praias que são um pedacinho do céu em Portugal

Praia do Camilo - Lagos - Algarve - Portugal

É verão na Europa! E o Algarve é aquele tipo de lugar que dá vontade de voltar todo ano. Essa região do sul de Portugal é casa de comidinhas deliciosas (em cada esquina há um pastelzinho de nata te convidando para uma pausa para o café!), praias de tirar o fôlego, centros históricos pra lá de charmososclima solar e preços bem mais amigáveis do que outros países europeus. Tem também aquela sensação de que você está visitando um pedacinho do Brasil e até dá para se sentir em casa. Resumindo: se você procura um bom lugar para passar o verão na Europa, não deixe de visitar o Algarve!

Portas de Portugal - Portimão - Algarve
Azulejos portugueses: muito, muito amor!

Fui pela terceira vez para o Algarve e tive diferentes experiências. A primeira vez me hospedei em Faro, a segunda em Portimão e a terceira em Fuseta (em breve em um outro post!) e Lagos. Também passei um dia em Albufeira e… Bem, o que eu posso dizer é que entre as cidades algarvias que eu conheço, Lagos é de longe a minha preferida. E o motivo é bem simples: apesar de super turística e bem mais cara do que as outras cidades da região (e cheia de ingleses), Lagos é dona de algumas das praias mais lindas do Algarve. Melhor: dá para conhecer várias delas a pé!

Pastel de nata e galão no Algarve, em Portugal
Mas antes… Pausa para um pastel de nata acompanhado de um galão, o café com leite português!

Mapa: conhecendo as praias de Lagos a pé

Comecei o passeio pela Praia da Batata, a mais feinha de todas, confesso – mas que funciona como um aquecimento, vai. Ela fica pertinho do centro da cidade e por isso mesmo é um começo mais do que justo. Seguindo, está a Praia dos Estudantes. Pequena, mas com os famosos penhascos dourados começando a ganhar majestade. Na Praia da Batata existe um túnel entre as pedras que liga uma praia a outra.

Lagos: as praias mais bonitas do Algarve

Agora sim as praias começam a ficar bonitas de verdade! Próxima parada: Praia do Pinhão.  As águas claras e os penhascos já mostram porque o Algarve é um dos destinos mais famosos quando o assunto é praia.

Praia da Dona Ana

A praia Dona Ana é o lugar perfeito para você estender sua canga na areia e curtir o vai e vem das ondas sem pressa. Isso porque a extensão de areia disponível é maior do que nas outras praias. Boa notícia: você não tem que disputar espaço com muita gente!

Vista da Praia do Camilo, em Lagos, Algarve, Portugal
Vista da Praia do Camilo em Lagos, no Algarve

Praia do Camilo

Talvez aqui tenha sido criada uma das minhas definições pessoais de paraíso. As águas da Praia do Camilo são verdes e cristalinas… De tão calminho, o mar até parece uma piscina. As falésias douradas emolduram a faixa de areia disponível – que é bastante disputada.

Praia do Camilo - Lagos - Algarve - Portugal
Prazer, Praia do Camilo! Dá para ser mais incrível?

É definitivamente minha praia preferida e talvez a praia que seja o maior símbolo de toda a beleza do Algarve. Uma escadaria de madeira abre o caminho do topo das falésias até a praia e é um dos pontos mais famosos para tirar fotos do lugar. Existe um restaurante no topo da falésia para quem deseja fazer uma parada para o almoço, mas ali embaixo nadinha… Só a natureza!

Praia do Camilo Algarve Portugal
A foto clássica não pode faltar, né?

Transporte no Algarve: como montar um roteiro

Uma das melhores maneiras de viajar no Algarve é por meio de comboio – ou, em português brasileiro, de trem. O preço das passagens é barato e o serviço é OK (prepare-se para atrasos recorrentes de poucos minutos). E quando eu digo que o valor das passagens de trem no Algarve é barato, é barato mesmo! Olha só: de Olhão a Fuseta pagamos € 1,45, de Faro a Fuseta € 2,15, e de Faro a Lagos entre € 6 e € 11 (por 1h 45 de viagem). A velocidade dos trens, no entanto, é baixa e por isso a viagem pode ser sim cansativa. Mas, acredite, vale a pena!

Outra maneira muito popular para viajar no Algarve é alugando um carro. Esta era uma das nossas opções, mas mudamos de ideia porque não teríamos tempo hábil para conhecer as praias mais remotas. Mas se você pretende conhecer a famosa Praia da Marinha, definitivamente alugar um carro é uma ótima escolha!

Aeroporto no Algarve: aterrisse em Faro

Se você está se perguntando qual a maneira mais fácil de se chegar em Lagos e nas praias mais bonitas do Algarve, a dica é aterrissar no aeroporto de Faro. Ali, pousam companhias áreas budget friendly como a Ryanair e EasyJet, e outras grandes como TAP, Lufthansa, British Airways e Eurowings. E mais boa notícia: o aeroporto só fica a dez minutos do centro da cidade.

De Sevilha ao Algarve de ônibus

Se você está viajando pela Andaluzia e é que nem eu e sempre está buscando um bom motivo para emendar uma viagem na outra, pode ser uma boa ideia pegar um ônibus em Sevilha com destino a Faro. Você encontrará passagens que custam entre € 10 e € 30 e a viagem dura, em média, 2h30.

Onde se hospedar no Algarve?

A hospedagem no Algarve é relativamente barata – pelo menos fora de julho e agosto, altíssima temporada. Vou contar minha experiência em três cidades distintas e em diferentes tipos de hospedagem (porque sou dessas, hahaha):

Hostel bem localizado em Faro

Aqui foi a primeira vez que visitei o Algarve. Escolhi Faro por conta da proximidade do aeroporto, mas sofri com a distância da cidade e das praias mais bonitas. Por exemplo: inventei de conhecer Albufeira na manhã que tinha um vôo a tarde e quase perdi o vôo, porque o sistema público de transporte não é lá muito eficiente. Me hospedei no Le Penguin Hostel, um hostel super gracinha no centro da cidade com café da manhã incluso. O atendimento poderia ter sido mais simpático, mas a estrutura do lugar era boa, o hostel era limpinho e bem localizado.

Portimão: versão contos de fadas

Na minha segunda vez no Algarve decidi que deveria ficar mais perto das praias mais bonitas. Portimão parecia uma ótima ideia… E foi, em termos. É que ainda assim a viagem de Portimão a Lagos, onde estavam as praias incríveis que eu queria conhecer, era bastante cansativa. Esses comboios cansam, viu?

Quarto do Hotel Made Inn, em Portimão, Algarve, Portugal
Quarto do Hotel Made Inn, em Portimão, Algarve

A boa notícia é que Portimão também tem praias lindas, como a Praia dos Careanos. Melhor: o custo-benefício aqui, se comparado a Lagos, foi extremamente bom. Fiquei em um dos quartos mais legais que já me hospedei na vida. Paguei € 20 no Hotel Made Inn em um quarto inspirado em contos de fadas e café da manhã incluso.

Lagos: hotel pertinho de tudo

Para quem prefere ficar pertinho de onde tudo acontece, Lagos é o lugar! A cidade é recheada de bons restaurantes, cafés, tem uma marina gracinha, vida noturna agitada (é lotada de ingleses à procura de badalação!)… E, claro, paga-se por isso.

Centro histórico de Lagos Algarve Portugal
O centrinho de Lagos, que até parece Minas Gerais

Ficamos no Lalitana, uma guest house bem no centro da cidade. Com apenas seis quartos, a Lita, dona simpática do lugar, toma conta de tudo pessoalmente. O quarto era pequeno e o banheiro compartilhado. O preço? Pagamos € 70 a diária. Um café da manhã bem simples estava incluso, mas a guest house também oferece aulas de yoga, passeios na natureza… Na parte térrea, o Lalitana ainda conta com um restaurante vegetariano que é muito famoso em Lagos. Infelizmente, chegamos na segunda-feira e ele estava fechado. O menu parecia recheado de delícias… Fica para a próxima!

A  melhor época para visitar o Algarve

Sempre visitei o Algarve em junho, que considero uma ótima temporada, porque combina bons preços, clima bom e lugares menos cheios. Nos meses de julho e agosto o Algarve é lotado, os preços sobem e até estender a canga na areia e conquistar um lugarzinho sob o sol fica difícil!

Rimini, um novo lar para chamar de meu!

Fachada de edifício antigo em Rimini, Itália

As notícias da Terra da Bota dão conta de que, sim, eu voltei! Em letras garrafais e com muita emoção! Não, não para` Trento – onde reconheci a cidadania italiana. Minha nova casa é menos montanha e mais mar. Os Alpes viraram passado e agora eu chamo de lar Rimini, esse balneário super charmoso na riviera romagnola.

Marina de Rimini, itália
A marina de Rimini é o lugar perfeito para aquele passeio de fim de tarde

Pelos próximos dois anos morarei em Rimini, cidade muito especial para mim por uma única razão: é a terra que meu bisavô abandonou em 1899 para se aventurar no Brasil. Há cerca de trinta anos meu avô visitou a cidade para entrar em contato com os primos que ficaram. Não conseguiu. E agora eu estou aqui com essa maravilhosa missão!

Universidade de Bologna em Rimini

O outro motivo é que há uma semana comecei um master em Fashion Culture and Management na Università di Bologna. Isso significa que vem aí pela frente uma leva de posts sobre estudar fora, declaração de valor e como enfrentar os monstros da burocracia italiana.

Se você pretende fazer uma graduação ou mestrado na Itália, esses artigos poderão ser muito úteis.

Também quero fazer alguns posts sobre o master, que tem matérias interessantes no currículo, como e-commerce e made in Italy – que inclui visitas a escritórios de grandes marcas italianas, tipo Moschino. E, se eu perder a vergonha na cara, quem sabe não rolem também alguns vlogs contando toda essa experiência? Coragem, tem que ter coragem!

O que fazer em Rimini?

Rimini é uma comuna com quase 140 mil habitantes e está localizada na Emilia Romagna – que, por sua vez, possui como capital Bologna, também considerada capital gastronômica da Itália. Já Rimini ficou famosa nos anos 70 por ser um balneário internacional – a cidade fica lo-ta-da de russos no verão.

Praia de Rimini, Itália
O forte de Rimini não são as praias – mas o clima praiano é uma delícia!

O balneário é uma mistura de Ibiza com Santos. Em outras palavras: muitas festas, praias feias e lotadas no verão. Essa cidade arrumadinha e badalada, no entanto, possui outros atrativos além de praias e festas mucho locas, acredite.

Rimini é recheada de pontos interessantes para quem gosta de história. Também possui parques temáticos curiosos, como o Italia in Miniatura, bom para levar as crianças (de idade e coração). Melhor: Rimini está localizada pertinho de San Marino, um dos menores países do mundo, e definitivamente uma experiência para riscar da bucket list.

Vem comigo que eu vou te mostrar o centro storico, cantinho mais especial da cidade e onde estão espalhados os vários campi da Università di Bologna. Assim como outras cidades italianas, provavelmente você ficará encantado com a ideia de passear por um lugar e, de repente, encontrar um muro, prédio ou monumento com mais de dois mil anos de idade.

Principais pontos turísticos de Rimini: Arco de Augusto

É, juntamente com a Ponte de Tibério, meu monumento preferido na cidade. O arco marca a entrada na antiga cidade pela via Flaminia, que ligava Roma a Rimini, já em 27 a.C. Gosto de sentar na sorveteria que tem em frente, tomar um milk shake de cioccolato e ver o tempo passar.

Arco D'Augusto em Rimini, Itália
Arco D’Augusto: não é uma belezinha?

Quanta gente interessante já não passou por ali? E quantas boas histórias devem ter se perdido no tempo! Há mais de dois mil anos o arco resiste a guerras e imperadores.  Tempo é definitivamente um conceito muito estranho e esse arco é a prova disso.

Domus del Chirurgo

Passei diversas vezes por ali até que um dia percebi que a construção de tijolinhos com paredes de vidro guardava uma joia arqueológica. Bem no meio de uma praça está protegida o que um dia foi a casa de um cirurgião no século 2 d.C. Uma vez que o lugar estava bem conservado, foi possível reconstruir o ambiente e transformá-lo em uma espécie de museu.

E por que seria esta a casa de um cirurgião? Bem, no local foram encontrados cerca de 150 instrumentos cirúrgicos. Você ficará encantado com o mosaico do chão da casa do cirurgião e encontrará até uma ossada. A entrada custa 6 euros.

Ponte de Tibério

É impressionante o grau de preservação da Ponte de Tibério encomendada pelo imperador Augusto, em 14 d.C., mas só concluída sete anos depois, em 21 d.C. pelo imperador Tibério.

É também é impressionante que a ponte tenha sobrevivido a terremotos, a guerra entre godos e bizantinos e até uma tentativa de destruição do exército nazi na Segunda Guerra Mundial. Da Ponte de Tibério saíam as estradas romanas para o norte da Itália, via Emilia e via Popilia.

Ponte de Tibério em Rimini, Itália
A Ponte de Tibério é assim… Indestrutível

Anfiteatro romano

Fiquei em êxtase quando descobri que havia um anfiteatro romano na cidade, e logo lembrei do super bem conservado que existe em Verona. No entanto, a versão de Rimini – datada do século 2 d.C. – está em ruínas. Ali aconteciam espetáculos com gladiadores com até 12 mil espectadores.

Infelizmente, hoje o que existe é uma grade que evita que as pessoas entrem no lugar e mais nada. No centro da cidade, também existem as ruínas do teatro romano e o Castel Sismondo. O interessante é ver como a cidade se reinventa e se adequa às ruínas do próprio passado. Sim, eu tenho uma fixação por ruínas!

E não deixe de provar…

Cassone romagnolo em Rimini, Itália
Cassone romagnolo: uma das maravilhas da culinária italiana

E como cada região da Itália possui sua própria gastronomia, em Rimini não poderia ser diferente. Talvez esse valha um post a parte, mas já adianto: se estiver em Rimini, não deixe de provar o cassone e a piadina. Ambos são uma espécie de wrap recheados com mozzarela, prosciutto, speck, omelete ou salada. É uma delícia e serve como um lanche bem levinho.

Piadina del Porto, em Rimini, Itália
Piadina del Porto: um dos melhores lugares para provar piadina e cassone

Minha dica é provar esse prato no La Piadina del Porto. É uma portinha bem simples em frente à marina e com aquela combinação que a gente gosta: bom sabor, preço justo e atendimento simpático.

Como chegar de Bologna a Rimini: shuttle do aeroporto e trem

duas maneiras bem fáceis de chegar a Rimini saindo do aeroporto de Bologna. A primeira e mais prática é por meio do shuttle que sai do aeroporto de Bologna e vai até a estação ferroviária de Rimini (e também pára na Via Fada), bem pertinho do centro. Durante a alta temporada (verão), o shuttle também oferece paradas em diversas praias, como Bellariva, Riccione e Miramare. A dica é comprar a passagem com antecedência online pelo preço de €20 (é possível comprar a passagem com o motorista por €25).

Há ainda a promoção de €1 para horários diferenciados, da saída do primeiro e do último ônibus do trajeto. No entanto, é preciso comprar a passagem com pelo menos quinze dias de antecedência. O trajeto Aeroporto de Bologna- Estação Ferroviária de Rimini dura cerca de uma hora e meia.

Outra maneira de chegar em Rimini é pegando um ônibus do aeroporto de Bologna até a estação de trem (a passagem custa cerca de €6) e, em seguida, pegando um trem em direção a Rimini (a passagem custa a partir de € 9,85). O tempo do trajeto pode variar, mas o mínimo previsto é de duas horas no total.

Conheça San Marino, o pequeno país a menos de 20km de Rimini!
+ Tudo sobre San Marino: história, como chegar e o que você não pode deixar de conhecer

Islândia: as paisagens mais incríveis da terra dos elfos

cachoeiras da Islândia

A nossa ideia de um roteiro de 5 dias na Islândia começou no final de julho de 2017. Foi bem no meio do verão, quando Munique é tomada pela brisa fresca, festivais de arte acontecem por todo canto e novos surfistas pipocam no Eisbach… Bem, foi na melhor época para viver na Baviera que o namorado decidiu que queria passar o aniversário viajando. As nossas opções eram Grécia, Itália e Islândia. Queríamos verão e também não queríamos gastar muito.

Contrariando a lógica, a escolhida foi a Islândia. É que a terra do fogo e do gelo era o nosso único destino novo de verdade. A Islândia é uma bela combinação de vulcões, cachoeiras, encontro de placas tectônicas, gêiseres, hot springs, glaciares, lagos de gelos, além de focas e ovelhas. Belo e pacato, o país tem algumas das paisagens mais maravilhosas desse planeta. Acabamos optando por um roteiro de 5 dias na Islândia. E, apesar de ser um destino de viagem caro

Bem, todo perrengue vale a pena quando a alma não é pequena. :)

Uma lenda: assim surgiu a Islândia

Diz a lenda que a Islândia começou a ser povoada por um casal de vikings noruegueses na Idade Média. Os vikings também levaram mulheres celtas como escravas. Ali, essa gente criou o termo huldufólk, que significa “povo escondido”, para explicar criaturas como elfosduendesgnomos e trolls, que vivem nas terras islandesas – e muita gente acredita na existência ainda hoje.

Casa de Elfo - Islandia
Você já viu uma casa de elfo? Na Islândia, elas estão em toda parte!

Coloque em um recipiente a cultura viking, um pouco  da cultura celta e misture com paisagens de tirar o fôlego. Pronto, você terá ideia de como é a Islândia! Para nós, foi a melhor decisão de todas.

Resultado: uma viagem de carro pelo sul da Islândia em cinco dias. Com pouco planejamento e muita emoção. Com calorzinho no coração. Eu me apaixonei pela Islândia, gente.

Então aperta play em Lakehouse de Of Monsters and Men e vai:

Hora de seguir viagem…

Saindo de Munique: como é voar de Air Berlin?

Saímos de Munique em uma quinta-feira, às 21h-e-alguma-coisa. O vôo durou quase 4 horas. Voamos de Air Berlin – essa mesmo que decretou falência na mesma semana que voltamos de viagem. Chegamos no começo da madrugada.

Eu levei minha mochila de 60 litros como mala de mão, o namorado levou uma mochila de 30 litros. Compramos uma franquia para bagagem despachada e nela levamos todo o aparato para camping + comidas  + tripé da máquina (que não foi usado #shame).

O vôo foi um sofrimento, confesso. Comida de avião é ruim? É. Mas na minha opinião é a parte mais empolgante. É o auge, quando o vôo todo se anima. Barulhos de mesinhas, pessoas acordam do sono leve. Altas expectativas. Baixas expectativas. Virá um curry de frango com tabule de saladinha (sempre misturas estranhas) mais um cupcake de chocolate de sobremesa? Quem sabe. Uma coisa é fato: carne vermelha é sempre a pior opção.

Mas por ser um voo doméstico (a Islândia faz parte de Schengen) e a Air Berlin uma low cost (oi? a passagem custou cerca de 300 euros!), nada de snacks. Nada de televisãozinha. Nada de nada.

Um chocolate em forma de coração no final da viagem e só.

Enfim, a terra dos elfos: Islândia!

Aterrissamos no Aeroporto Internacional de Kéflavik e o caos estava instalado – talvez porque era véspera de feriado, talvez porque era alta temporada. Lotado, o aeroporto mais parecia a rodoviária do Rio de Janeiro em sexta-feira de Carnaval (#saudadesterrinha). A mala demorou pouco mais de 30 minutos para aparecer na esteira. Muita gente reclamando, alguns seres humanos dando barraco.

Muitos alemães (quase 50% dos vôos que chegavam no aeroporto saíam da Alemanha! eita povo com wanderlust na veia), alguns italianos, alguns espanhóis e muitos americanos em conexão de qualquer país da Europa continental  > Islândia > Estados Unidos. Pegamos um ônibus da Reykjavik Excursions até a rodoviária da cidade e caminhamos até a nossa guest house para descansar e nos prepararmos para o dia que viria.

Islandia - o que visitar
Para que lado eu vou?

Talvez a Islândia ainda precise de alguns ajustes quanto à estrutura de turismo. Visivelmente, o país não tem capacidade para receber o grande número de turistas que cresce todo ano.

O mundo inteiro em uma só ilha

Um dado que vale a pena saber: a Islândia recebe cinco vezes mais turistas por ano que o número de habitantes. São cerca de 330 mil habitantes no país (1/3 mora em Reykjavik) e mais de 1,7 milhão de turistas. Então basicamente funciona assim: não importa para onde você vá, só terão turistas. Inclusive, os “locais” que eu conheci eram turistas (quer dizer, fotógrafos que se mudaram para a ilha e vivem a doce, intelectualmente estimulante e aventureira vida islandesa).

Também é preocupante o impacto que o turismo tem nas paisagens da Islândia. As trilhas devem ser respeitadas porque a vegetação demora décadas para se recuperar. Ali, a natureza apesar de avassaladora é extremamente sensível. E esse é um dilema que o país que tem economia voltada para o turismo sofre todos os dias.

Ovelha - Islândia
As ovelhas dominam a paisagem (mais um motivo para amar a Islândia!)

Falando nisso, essa história de a Islândia ser um parque de diversões para os turistas pode soar muitas vezes artificial, quer ver?

Islândia: pratos típicos e iguarias

Vamos analisar agora os pratos típicos islandeses. O mundialmente famoso tubarão fermentado, o steak de baleia e a cabeça de ovelha são iguarias que a maior parte da população islandesa não consome no dia a dia. Bem, eram pratos consumidos antigamente… Mas hoje são apenas coisa-para-turista-ver-e-experimentar em restaurantes lotados por, veja só, turistas. Tipo restaurantes de pasta em Veneza. É italiano, mas não tão italiano assim.

Icelandic Fish and Chips
Fish and Chips islandês

No entanto, a cultura do fish and chips, do cachorro-quente com cebolas crocantes (conhecidos como pylsur), dos cafés incríveis e dos hambúrgueres ao ponto reina nessa terra. Afinal, a Islândia é o berço da cultura hipster! É o lugar onde as pessoas passam a noite de Natal lendo livros. Então melhor deixar a gastronomia para lá e aproveitar as paisagens e a música boa que esse país lindo tem para oferecer.

Roteiro de 5 dias na Islândia

Dia 1: o belo vulcão Eyjafjallajökull

Pela manhã, voltamos à rodoviária e pegamos um ônibus rumo a Thórsmörk (o Vale de Thor, em islandês), montanha situada entre os glaciares Tindfjallajökull e Eyjafjallajökull e um dos principais destinos para trekking da Islândia. Ali, carros comuns não tem acesso – apenas alguns poucos 4×4 e ônibus customizados. Isso porque há uma série de rios que só veículos anfíbios são capazes de atravessar.

Seljalandsfoss - Islandia
A bela Seljalandsfoss vista do alto
Thorsmork - Trekking in Iceland
þórsmörk: o deus Thor sabe das coisas

Durante as quatro horas de viagem o ônibus parou em alguns pontos turísticos, como a encantadora Seljalandsfoss. Enfim, estávamos nas Volcano Huts, aos pés do vulcão Eyjafjallajökull, que em 2010 parou muitos aeroportos na Europa ao entrar em erupção. Montamos a barraca, partimos rumo à trilha e nos deleitamos com as paisagens incríveis de cada trecho.

Eyjafjallajökull - Islandia
Eyjafjallajökull: famoso por parar aeroportos
Thorsmork - Trekking
Fim ou começo do mundo?

Em islandês, o nome Eyjafjallajökull significa “ilha com geleira e vulcão”.

Na trilha, encontramos uma charmosa casa de turfa islandesa. Com grama no telhado, essas casas são construídas para oferecerem melhor proteção térmica em climas severos.

Thorsmork - Iceland
Ops, um vulcão passou por aqui

Dia 2: onde comer em Reykjavik

No dia seguinte, um amigo que vive em Reykjavik passou para nos buscar nas Volcano Huts e partimos com destino à capital islandesa. Chegamos durante à noite e saímos para provar a comida local. Primeiro, nos aventuramos no famoso cachorro quente islandês, considerado o melhor do mundo (sinceramente, para quem vem da Alemanha a salsicha não é nada demais; para quem vem de São Paulo, faltou purê <3). O centrinho da cidade estava fervilhando!

Reykjavik Fish, na Islândia
Reykjavik Fish: descoladinho e com variedade de fish and chips

Seguimos rumo à região do porto e por lá escolhemos Reykjavík Fish, um restô hipster style com todo tipo de fish and chips que você pode imaginar. Eles também vendem o hákarl, o famoso tubarão fermentado (quatro pedacinhos tipo degustação custavam cerca de 12 euros). Mas o Joseph, nosso amigo fotógrafo (para fotos inspiradoras da Islândia, siga no Insta @joe_shutter) deu a dica: no flohmarkt perto do porto, o hákarl é encontrado por cerca de 2 euros.

Reykjavik é uma gracinha. Organizada, limpa e vibrante. Seu centro ainda preserva casinhas coloridas e lembram a pátria mãe, Noruega. Tudo ali é muito intimista, pequeno e aconchegante.

Dia 3: Lagoa Jokurlsalon e a Diamond Beach

Pela manhã, pegamos o carro alugado e voltamos para o sul da ilha. No caminho, demos carona para um casal de franceses muito simpáticos até Seljalandsfoss. O plano deles era fazer a trilha de cerca de 4 dias.  Ali pertinho da Seljalandsfoss existe uma trilha que leva ao alto da cachoeira e de onde se tem uma vista muito bonita!

Seguimos para a Lagoa Jokurlsalon e para a Diamond Beach. Esse é definitivamente o passeio que você não pode perder na Islândia.

Os highlights da Ring Road

De Reykjavik à Lagoa Jokurlsalon são cerca de cinco horas de viagem na Ring Road, a principal rodovia que liga as cidades da costa do país formando, adivinhe só, um anel. Não faltam cachoeiras, vulcões, campos de lavas e geleiras para admirar no caminho. E apesar de tudo isso ser incrível, a Lagoa Jokurlsalon que repousa na base do Vatnajökull, maior glacial da Islândia (ele cobre 8% do país!), coloca todos os outros passeios em perspectiva.

Lagoa Jokurlsalon Iceland Glaciar 4
Parece glitter, mas é só um pedacinho da maravilhosa Lagoa Jokurlsalon

Sinceramente, é uma das paisagens mais maravilhosas que eu já vi na vida. Ali, focas brincam em meio ao gelo e o silêncio impera. O vulcão adormecido, o gelo que flutua sobre a lagoa, o barulho da natureza em atividade… Tudo isso lembra o quão pequenininho a gente é.

Na lagoa há empresas que oferecem passeio de barco, mas eu sinceramente acho uma tremenda invasão. Os barcos quebram o silêncio do lugar. Ali as coisas são bonitas como são, sem interferência humana.

Lagoa Jokurlsalon Iceland Glaciar
Lagoa Jokurlsalon e o glaciar como cenário. Existe lugar mais lindo?

Outro detalhe importante é que a Islândia não cobra a entrada na maioria das atrações naturais. Os vulcões, geleiras, cachoeiras e lagoas estão ali, expostos para quem quiser desbravar. A população ganha dinheiro com serviços de hotéis, restaurantes, passeios… Mas, olha, a dona do negócio ainda é a natureza.

Islândia
Hora mágica na beira da estrada <3
Islandia - Hora magica
Difícil abrir os olhos no pôr do sol, gent

O povo islandês tem uma relação muito próxima com a natureza e com a terra onde vivem. Há um respeito e a consciência de que tudo é mutável. Os diversos campos de lava estão ali para lembrar isso. A História existe para nos lembrarmos disso.

Diamond Beach - Iceland
Diamond Beach e seus diamantes de gelo: a praia mais bonita do planeta (eu acho)

Do outro lado da pista está a Diamond Beach, uma praia de areia negra vulcânica onde pequenos cristais refletem a luz do sol. Coisa linda, gente. Por ali as focas também recebem os visitantes com brincadeiras no oceano gelado. Ficamos algumas horas admirando a paisagem – e mais nada.

Adrian no Gelo Flutuante
Tente tirar fotos no gelo, escorregue e tome um banho de mar gelado

Então quando a noite começou a cair, partimos para o Parque Nacional Skaftafell, onde armaríamos nossa tenda.

Dia 4:  Skaftafell e a trilha para o glacial

Pela manhã, fizemos a trilha para visualizar o glaciar do alto. No caminho, havia mais uma bela cachoeira.

Parque Nacional Skaftafell - Islandia
Skaftafell: onde fogo e água se encontram

Pegamos estrada rumo ao Golden Circle, rota turística mais conhecida do país. No caminho, parada para tentar avistar lundis (puffin, em inglês, ou papagaio-do-mar, na língua de Camões) no farol. Sem sucesso. Mas encontramos ovelhas simpáticas beirando o precipício beira-mar e a visita valeu a pena.

Chegamos só a noite no acampamento Skjol, no Golden Circle. Montamos nossa barraca e jantamos uma deliciosa pizza no bar super agradável do lugar. Diferentemente da maioria dos lugares, o bar do Skuggi não fechava às 20h mas às 23h! Ponto para eles.

Dia 5: Golden Circle e Lagoa Secreta

Enfim, o último dia de nossa passagem relâmpago na Islândia. Visitamos a bela cachoeira Gullfoss e os gêiseres. Após tanta correria, já era hora de relaxar um pouquinho. Pulamos outros pontos turísticos do Golden Circle, como o Parque Nacional Thingvellir, onde está o encontro das placas tectônicas da Eurásia e América do Norte.

Geyser - Golden Circle Iceland 2
Um dos gêiseres do Golden Circle

Seguimos para a Lagoa Secreta, localizada em Flúdir, uma alternativa mais interessante que a badalada Blue Lagoon. Bem, mais interessante por dois motivos:

Blue Lagoon x Secret Lagoon: qual é a melhor?

  1.  Criada em 1891, a Secret Lagoon é a primeira piscina da Islândia. É também uma experiência mais autêntica do que sua irmã rica, na minha opinião. Ali, a água que sai de vários pontos geotermais esquenta os visitantes com temperaturas que variam de 38 a 40 graus. O chão da piscina e ao seu redor foram construídos com pedras da região. Ali ao lado, um pequeno gêiser entra em ebulição a cada cinco minutos.  A Blue Lagoon, por sua vez, é uma experiência para quem procura luxo, com bom restaurante e tratamentos de spa.
  2. A Lagoa Secreta é mais barata do que a Blue Lagoon, tem menos turistas e é mais intimista.
Secret Lagoon x Blue Lagoon - Iceland - Hot Springs
Hot springs ao redor da Secret Lagoon

 

Secret Lagoon x Blue Lagoon - Iceland
Secret Lagoon: intimista e menos badalada que sua irmã Blue Lagoon

E o que perdemos na Islândia…

Todo o resto – que não é pouca coisa. A Islândia é um país onde a expressão “pegar a estrada” significa que provavelmente você verá as paisagens mais bonitas da sua vida. Dificilmente um viajante com poucos dias no país verá todos os destinos que o lugar oferece, porque eles são muitos.

Ovelha Islandia 5
Mais ovelhas – é impossível cansar delas!

Aliás, muita gente passa cerca de uma semana em apenas uma trilha. Outras pessoas se arriscam em percorrer o país inteiro pela Ring Road em cerca de 10 dias (são cerca de 500km dirigidos por dia). Esse é o mínimo viável, eu diria. Pode ser uma boa ideia para quem quer ter uma noção de como as paisagens variam na ilha.

No final de contas, eu acho que a Islândia é o tipo de lugar que vale várias viagens. Em um roteiro de 5 dias na Islândia é possível ver o principal, mas muita coisa interessante ainda ficará de fora. Ainda quero ver a aurora boreal no inverno, conhecer os fiordes do oeste e o norte do país. Afinal, viajar a conta-gotas também pode ser uma ótima ideia!

Encantada, Pueblos Blancos!

Medina Sidonia, Andaluzia, Espanha

Por aqui, as duas últimas semanas foram intensas. E essas últimas semanas são o motivo pelo qual eu vou para o Brasil em breve e ficarei até janeiro por lá – plantando e regando minhas sementinhas mais queridas. E também atualizando meus posts de viagem. Mas, ah, isso é assunto para outro dia. Falemos de coisa boa: os Pueblos Blancos! :) Então, segue um pequeno roteiro de viagem por essa maravilhosa região da Andaluzia.

E a coisa boa que aconteceu nesse mês foi o casamento de um amigo espanhol do Namorado. O amigo se casou em Sevilha e essa foi a justificativa perfeita para uma pequena road trip pela Andaluzia – que é um dos meus lugares preferidos no Velho Continente. Quer dizer, olha só para essas paisagens e me diz se não dá para sentir um caminhão de coisas boas? Impossível. E ainda tem comida gostosa, gente como a gente que vive de um jeito de dar inveja e é um lugar nada caro para se estar. A Andaluzia parece que tem alma pulsante!

Rota dos pueblos blancos, na Andaluzia, Espanha
Porque toda boa road trip é feita de paisagens incríveis.

De Sevilha a Cádis: na rota dos pueblos blancos

Pegamos o carro reservado no aeroporto e seguimos rumo a Bolonia, porque queríamos praias de encher os olhos. O plano era ir até Bolonia passando por alguns pueblos blancos no caminho. Depois de Bolonia, nosso plano era passar por Conil de La Frontera (outra praia), mas isso não deu certo e você vai saber o porquê daqui a pouco. À noite, iríamos para Cádis, onde dormiríamos e passaríamos o dia seguinte explorando. E assim seguimos.

A pacata Arcos de La Frontera

As cidadezinhas do interior da Andaluzia ficaram famosas porque as casas tem fachada pintada de branco. E é demais enxergar esses pequenos povoados no alto de uma colina (ou precipício!) à medida que nos aproximamos de carro. Mas a cor branquinha das casas não é um luxo, não. É que nessa região a temperatura pode ultrapassar 40 graus e a pintura em cal, toda branquinha, combate o calor.

Arcos de La Frontera, Pueblos Blancos, Espanha
Pueblos Blancos: a simpática cidadezinha de Arcos de La Frontera vista da estrada.

Arcos de La Frontera, um dos pueblos blancos, é pequena, simpática e boa para dar umas voltinhas. Estacionamos o carro e saímos para passear pelas ruelas de paralelepípedos. Paramos para tomar um café com leche, comer um montadito de jamón, algumas azeitonas e suco de laranja tudo isso por só 3 euros. Perto da igreja no alto da cidade é possível ver o precipício ao lado de onde a cidade foi construída. Frio na barriga.

Arcos de La Frontera, Ruta Pueblos Blancos, Andaluzia
Cores no varal. <3

Medina Sedônia: vale a pena?

Pegamos estrada de novo e paramos em Medina Sedonia. A cidade ventava de maneira surreal e tinha pouca gente na rua. Tomamos mais um suco de laranja e comemos mais azeitonas. Risos. Medina Sidonia parecia uma cidade fantasma. Será por causa do vento? Fica a dúvida.

Medina Sidonia, Andaluzia, Espanha
Vento ventania (me leve para qualquer lugar, para qualquer canto do mundo!) em Medina Sidonia.

Rumo a Bolonia: a trilha em Zahara de Los Atunes

Agora sim, hora de praia! Analisamos o GPS e vimos que existia um caminho que iria pela costa, apesar de mais longo. Chegando em Zahara de Los Atunes, a estrada estava interditada. Acontece. Então, duas opções: 1. voltar e fazer o caminho seguro ou 2. seguir por uma trilha que aparecia discretamente no mapa. Optamos pela trilha! Colocamos tênis e partimos rumo à felicidade! Algumas vacas com cara de poucos amigos no caminho fizeram a gente subir um morro de pedras, mas tudo certo. A trilha continuou por alguns quilômetros até a gente chegar na pista e perceber que a entrada para a cidade era muito depois. The perrengue never ends.

Zahara de Los Atunes - Andaluzia
Zahara de Los Atunes: vista da trilha para Bolonia.

Já em Bolonia, decidimos visitar o Baelo Claudia. Um dos pontos altos da viagem, o Baelo Claudia é uma antiga cidade romana bem pertinho do mar e que foi construída sobre um assentamento fenício (alô, Líbano! <3). Foi também o principal porto que negociava com o Marrocos e possivelmente as primeiras cidades dessa região da Europa surgiram aqui. A paisagem é de tirar o fôlego e essas cidades romanas são sempre boas para lembrar que a nossa história não começa nem acaba.  Sobre o preço? Bem, não pagamos nada porque temos ID europeia, mas o valor da entrada é simbólico (apenas 1,50 euro).

Baelo Claudia, em Bolonia, na Espanha
Baelo Claudia: uma cidade romana na Andaluzia.
Placa na África para a Espanha
É pra lá que eu vou

Depois, passeamos pela praia e procuramos algum lugar para almoçar. Mas, como estamos em baixa temporada, todos os restaurantes estavam fechados.  Uma pena, porque a região tem fama pelo atum vermelho que é pescado nesse mar lindimais.

Praia de Bolonia, na Espanha
Uma belezinha essa praia de Bolonia, não?

A volta pela trilha era só subida e o sol já estava baixinho, baixinho quando decidimos ir embora. Achamos melhor pedir carona. Por isso, ficamos felizes quando uma campervan com dois rapazes que estavam aprendendo windsurf em Tarifa e – estava na estrada sem destino – nos salvou.

Decidimos deixar Conil de La Frontera para uma próxima vez. A saga continua agora em Cádis!

Alugar quarto em Berlim, uma missão quase impossível

Alugar quarto em Berlim

Em setembro comemoro mesversário de três meses em Berlim! Seria lindo se não fosse trágico: chegou ao fim meu contrato nesse apartamento. Em outras palavras: em outubro ficarei sem casa para morar! E o meu desânimo está no fato de que alugar quarto em Berlim é uma saga por si só.

Enquanto preparo as malas (uma de 32kg, uma de 15kg, um mochilão, a mochila do notebook e uma bolsa para a câmera – enumerar o peso faz parte do #drama), escrevo esse texto que mistura um pouco de desilusão e ansiedade. Porque é muito ruim não saber onde você vai morar mês que vem.

Pode ser que eu encontre um quarto espaçoso, iluminado, com boa localização e flatmates gente boa, como foi esse quarto de agora. Pode ser que eu volte para um hostel enquanto a busca continua – o que eu, confesso, já estou acostumada mas me faz muito infeliz. Pode ser que eu vá para a Polônia. Pode ser que <insira aqui qualquer coisa>.

Charlottenburg, em Berlim
Vista da janela do meu quarto em Charlottenburg

Alugar quarto em Berlim: por que não Airbnb?

Aqui em Berlim não existe Airbnb. A prefeitura da cidade proibiu e a razão é simples: a demanda por apartamentos é altíssima e a possibilidade de ter Airbnb significaria que os donos de apartamentos poderiam ganhar mais alugando quartos para turistas enquanto os habitantes da cidade se digladiariam para encontrar um quartinho decente. Os preços iriam às alturas. E também tem a história dos impostos. Então a prefeitura achou melhor não. Então, não existe Airbnb e… Eu acho isso ótimo. Nunca pensei que diria algo do tipo, mas é verdade.

Alugar quarto em Berlim ficou mais fácil porque não tem Airbnb.

Em Berlim, para anunciar o imóvel no Airbnb, o proprietário deve fazer um cadastro na prefeitura e aguardar uma autorização. Mais: os donos só podem disponibilizar até 50% da área do apê.

Mas, de qualquer forma, grande parte dos quartos são alugados para curta temporada: de um mês a seis meses. E isso também significa que pessoas como eu ficam mudando e mudando sempre. Há uma certa rotatividade entre os habitantes não-alemães – o que permite que você viva em bairros distintos e em diferentes Berlins. Há a Berlim dos baladeiros, vegetarianos, coxinhas, do pessoal de tecnologia, a Berlim artística… Há muitas Berlins!

E como cada bairro possui um meio ambiente próprio, dificilmente as pessoas saem da região onde moram. Como nada é perfeito, em quartos de curta temporada dificilmente os landlords oferecem a possibilidade de registro no município. E sem registro no município você é só um turista.

Como alugar quarto em Berlim
Em Berlim aprendi que essas araras a la Pinterest fazem sucesso porque são baratas na Ikea. Quem é que compra móveis de verdade quando está de mudança o tempo todo?

Como alugar quarto em Berlim: sites e grupos no Facebook

Há alguns sites que facilitam a tarefa de encontrar um quarto em Berlim. O mais famoso deles é o Wg-Gesucht. Lá, você vai encontrar quartos, lofts e apartamentos inteiros para alugar. Mas, como eu disse, a disputa é acirrada. Então, não se apegue a nenhum quarto com anúncio interessante.

Escreva um mini perfil com suas qualidades, o que você está fazendo em Berlim, quanto tempo pretende ficar, se é baladeiro ou não, vegetariano ou não, fuma ou não (as pessoas levam a sério isso por aqui) e envie para o maior número de anúncios possível. Quase nunca eles respondem, mas pode ser que você dê sorte.

Dicas para morar na Alemanha - Alugar quarto em Berlim
Dicas para morar na Alemanha: como alugar quarto em Berlim

Na minha opinião, a melhor maneira para encontrar um quarto para alugar é por meio dos grupos de Facebook. Estou em três muito bons: WG-Zimmer & Wohnungen Berlin, Zimmer in Berlin, Zwischenmiete e Short-term accommodation Berlin: WG, Zwischenmiete, flat-share, Zimmerbörse. Foi lá que encontrei esse apê que estou deixando, aliás.

Nesses grupos, a disputa é clara: é comum você ver 50 pessoas enviando mensagens interessadas em cada anúncio. Os primeiros a enviarem a mensagem inbox para o autor do anúncio tem prioridade. Quem visita e diz que fica com o quarto primeiro ganha.

Seleção natural pura.

Um final de semana com as bruxas de Bamberg

Poço - Castelo em Bamberg

Bamberg, essa cidade alemã tão especial, surgiu em nosso caminho quase sem querer. Uma vez que o namorado mora em Munique e eu em Berlim (são mais de 500km de distância, gente!), passar os dias de folga em um lugar no meio do caminho parecia uma boa ideia. Por isso, quando a prima dele que mora lá sugeriu um final de semana na cidade, a ideia pareceu perfeita. Como a gente não perde tempo, na semana seguinte já estávamos no centro de Bamberg arrastando a mala de rodinhas pelas ruas e procurando a casa dela!

As encantadoras casas de tons pastel
As encantadoras casas de tons pastel um pouco mais afastadas do centro da cidade

Para começar, é bom saber: Bamberg é uma cidadezinha do estado da Baviera encantadora e cheia de história. E isso é tão verdade que em 1993 ela foi eleita patrimônio mundial pela Unesco. Mas você não precisa ler guias de viagem ou a Wikipedia para perceber isso. Enquanto anda pelo centro histórico você tem certeza de que está em uma cidade histórica medieval. E aí mora toda a magia do lugar.

Cidade medieval de Bamberg, na Alemanha
Cidade medieval de Bamberg: de repente, você você está em um outro século

Era uma vez uma catedral…

Como muitas cidades europeias, a cidade de Bamberg cresceu ao redor de um castelo – o castelo da família Babenberg, daí o nome da cidade. O castelo, no entanto, deu lugar à catedral da cidade em meados do ano 1000. Então Bamberg virou sede de uma diocese e até foi centro do Império Sacro Romano – por pouco tempo, mas foi.

Catedral de São Pedro e São Jorge em Bamberg, na Alemanha
Um pedacinho da torre da catedral de São Pedro e São Jorge

A catedral de São Pedro e São Jorge, construída no ano de 1002, é um dos pontos altos da visita à cidade. Nela, você encontrará os túmulos de um imperador e sua esposa, o túmulo do único papa ao norte dos Alpes, uma estátua misteriosa de um cavaleiro – o Cavaleiro de Bamberg – que ninguém sabe explicar quem é até hoje, mas todo mundo só desconfia (como todo bom boato milenar de uma cidade de interior deve ser, risos).  Poetas alemães, inclusive, se inspiraram na estátua em suas obras  e muita gente acredita que o cavaleiro poderia representar um rei antigo ou messias.

Bamberg - Jardim de rosas
Jardim de rosas da nova residência dos bispos

Na praça da catedral você também encontra a nova residência dos bispos, construída em 1802. Para conhecer alguns dos quarenta luxuosos quartos e as galerias de arte do lugar você deve pagar 4,50 euro. Pulamos essa parte e fomos para o jardim de rosas da residência, que é gratuito e possui uma vista incrível da cidade. Não tínhamos muito tempo, afinal.

Postcards - Bamberg
Postais engraçadinhos… E fora de contexto

Bamberg: ponto de encontro de bruxas?

Se você conhece um pouco da história da caça às bruxas, também já deve ter ouvido falar de Bamberg. Entre os anos de 1626 e 1631 a cidade foi palco de julgamentos e mortes da inquisição promovida pela igreja católica. Foi nesse período também que, não por acaso, o príncipe bispo Johann Georg II Fuchs de Dornheim ficou conhecido como “o queimador de bruxas”.

Pequeninos detalhes
Pequeninos  e delicados detalhes

A igreja perseguiu toda a população indiscriminadamente, inclusive gente que era contra a bruxaria. Um dos casos mais famosos é o do prefeito da cidade: acusado de bruxaria em 1628, o prefeito Johannes Junius escreveu uma carta para sua filha Veronika defendendo a sua inocência e contando detalhes sobre como os carrascos o torturavam na prisão. Decapitado e queimado, ele virou mártir.

A casa amaldiçoada

Enquanto passeia pelo centro, uma casa pode chamar sua atenção. Bonita por fora, ela esconde uma história não tão bela assim em seu interior. Conhecida como Maleficent, a casa de porta adornada com símbolos cristãos e letras de ouro estampadas no portão principal ficou conhecida por ser o local onde os pagãos eram torturados até confessar crimes de bruxaria – depois, eram queimados na fogueira.

Muitas vezes, a igreja fazia pagar com a vida crimes que as pessoas não haviam cometido. Os carrascos torturavam os perseguidos até que eles citassem nomes de pessoas da cidade, por isso o terror espalhou-se facilmente. Dizem que em Bamberg a igreja católica matou três vezes mais pessoas do que a Espanha toda – um país que também ficou conhecido pela dureza dessa tal de “Santa” Inquisição. Por esse passado triste, a cidade recentemente construiu uma instalação em memória dos mais de mil homens, mulheres e crianças torturados e mortos pela igreja católica na cidade.

Bamberg, Germany
A sede da antiga Câmara Municipal foi construída no meio de um rio!

As melhores cervejas estão aqui!

As cervejarias de Bamberg também são um passeio imperdível – são nove no total. À noite, não deixe de visitar a Schlenkerla, uma taverna de 1405, onde você encontra a Rauchbier, famosa cerveja defumada, com sabor tão especial quanto aquela de Český Krumlov, na República Tcheca. A taverna, aliás, tomou o lugar de um monastério, que existiu ali até 1310.

Beer Bamberg
Ops. Deu sede. Que tal uma weissbier?

Sempre lotada, pode ser difícil achar um lugar para sentar dentro do lugar. Mas quem se importa? Se é noite de verão, é só se juntar aos grupos que bebem cerveja do lado de fora do estabelecimento, em pé mesmo, enquanto papos animados tomam conta de toda a gente, que também repara no movimento de vai e vem das pessoas.

Lá no alto, o castelo de Altenburg

Residência nos séculos 14 e 15 dos bispos de Bamberg, o castelo de Altenburg também é imperdível. Lá, por apenas um euro, você pode subir na torre mais alta e ter uma vista panorâmica da cidade. Vale a pena! Demos sorte e no vão do castelo acontecia uma peça teatral para crianças. Fofo, vai.

Poço - Castelo em Bamberg
Um poço no castelo de Altenburg, em Bamberg
Teatro no castelo em Bamberg, na Alemanha
Teatro no poço do castelo <3

E, bem, uma vez na Alemanha, os biergartens são lugares perfeitos para descansar da caminhada pelo centro. Então, paramos para almoçar comida bávara em um deles e, claro, tomar mais cerveja. Enfim, Bamberg definitivamente vale a visita! E viva o chucrute.

Absolute Vintage: o brechó mais famoso de Londres!

Absolute Vintage London Brechó Absolute Vintage London Brechó Absolute Vintage Brechó Absolute Vintage, em Londres Absolute Vintage London

(Não sei se vocês concordam, mas) Para um brechó ser realmente bom ele precisa ter um combo de variedade + organização + preço amigo. Boa curadoria também, claro. Por isso, minhas expectativas eram altas para conhecer o Absolute Vintage. É que o brechó é super recomendado e está em Londres, uma das cidades mais ecléticas do mundo e berço de grandes estilistas. De lá só poderiam sair coisas maravilhosas e ótimas barganhas, certo? Ah, a história não é bem assim…

Hello, Absolute Vintage!

O galpão localizado em uma ruazinha pacata é lotado de roupas e acessórios do chão ao teto – mesmo. À primeira vista, o ambiente pode parecer meio perturbador: a impressão que se tem é de que é preciso uma vida inteira para fazer um bom achado. Acredite nos feelings garimpadores, porque essa impressão não é completamente errada.

É uma delícia se perder entre os vestidos separados por estampas (o ponto forte do lugar). Por lá, não faltavam opções de botas, vestidos e bolsas. E lenços, luvas e alguns chapéus.

Como é de se esperar, a grande variedade é de roupas femininas. Mas isso não impede que se faça bons achados na pequena área reservada aos homens. Por lá, as jaquetas jeans (55 pounds, em média) tinham um espaço especial. Mas, veja bem, precisamos falar desses preços…

Preço: o vilão número 1 do brechó

Os valores das peças vendidas no Absolute Vintage me deixaram um pouco chateada, confesso. As jaquetas jeans masculinas, por exemplo, custavam cerca de R$ 250. E, convenhamos, esse não é um preço nada bom. A grande parte das roupas também não era propriamente vintage e possuía qualidade duvidosa. Seda? Algodão? Linho? Nada disso. Alguns vestidos de poliéster custavam atrevidos 30 pounds. É poliéster, é roupa usada e, veja bem, está caro.

Na verdade, eu gostei mesmo foi das gravatas. Dava até vontade de começar uma coleção de gravatas borboleta estampadas! Mas, falando em preços, uma satchel bag roxa (Cambridge Satchel original!) voltou dos anos 2010 e estava dando pinta por lá. Uma belezinha. <3 O valor? 55 pounds (uma nova custa 125p no site da marca). As botas de couro custavam, em média, 35 pounds. Já as bolsas do mesmo material custavam cerca de 20 pounds – e muitas delas também estava em mal estado, com o couro esfarelando, sabe?

Mas, ah, eles possuíam uma seção muito amor: a SALE, claro. Nela, duas meninas norueguesas davam gritinhos de euforia a cada vestido preto liso e de comprimento mídi que achavam por cinco pounds. Quer dizer: temos muito o que aprender com o minimalismo nórdico, né não?

A lição que fica…

Para resumir bem, acho que se você tem curiosidade vale a visita. Mas, na minha opinião, temos melhores opções em São Paulo, onde é possível achar sandálias da Schutz por menos de R$ 40. Em Londres, talvez os bazares e outlets valham mais a pena. Ou então as charity shops espalhadas por toda a cidade e que possuem preços maravilhosos (já achei uma penteadeira art deco por 50 pounds!!!). Enfim, na próxima visita à cidade darei chance a outros brechós. The garimpo never ends, babe!

Serviço Absolute Vintage

Hanbury Street, 15
Londres, E1 6QR, Reino Unido

Aberto todos os dias, das 11h às 19h