Rimini, um novo lar para chamar de meu!

Fachada de edifício antigo em Rimini, Itália

As notícias da Terra da Bota dão conta de que, sim, eu voltei! Em letras garrafais e com muita emoção! Não, não para` Trento – onde reconheci a cidadania italiana. Minha nova casa é menos montanha e mais mar. Os Alpes viraram passado e agora eu chamo de lar Rimini, esse balneário super charmoso na riviera romagnola.

Marina de Rimini, itália
A marina de Rimini é o lugar perfeito para aquele passeio de fim de tarde

Pelos próximos dois anos morarei em Rimini, cidade muito especial para mim por uma única razão: é a terra que meu bisavô abandonou em 1899 para se aventurar no Brasil. Há cerca de trinta anos meu avô visitou a cidade para entrar em contato com os primos que ficaram. Não conseguiu. E agora eu estou aqui com essa maravilhosa missão!

Universidade de Bologna em Rimini

O outro motivo é que há uma semana comecei um master em Fashion Culture and Management na Università di Bologna. Isso significa que vem aí pela frente uma leva de posts sobre estudar fora, declaração de valor e como enfrentar os monstros da burocracia italiana.

Se você pretende fazer uma graduação ou mestrado na Itália, esses artigos poderão ser muito úteis.

Também quero fazer alguns posts sobre o master, que tem matérias interessantes no currículo, como e-commerce e made in Italy – que inclui visitas a escritórios de grandes marcas italianas, tipo Moschino. E, se eu perder a vergonha na cara, quem sabe não rolem também alguns vlogs contando toda essa experiência? Coragem, tem que ter coragem!

O que fazer em Rimini?

Rimini é uma comuna com quase 140 mil habitantes e está localizada na Emilia Romagna – que, por sua vez, possui como capital Bologna, também considerada capital gastronômica da Itália. Já Rimini ficou famosa nos anos 70 por ser um balneário internacional – a cidade fica lo-ta-da de russos no verão.

Praia de Rimini, Itália
O forte de Rimini não são as praias – mas o clima praiano é uma delícia!

O balneário é uma mistura de Ibiza com Santos. Em outras palavras: muitas festas, praias feias e lotadas no verão. Essa cidade arrumadinha e badalada, no entanto, possui outros atrativos além de praias e festas mucho locas, acredite.

Rimini é recheada de pontos interessantes para quem gosta de história. Também possui parques temáticos curiosos, como o Italia in Miniatura, bom para levar as crianças (de idade e coração). Melhor: Rimini está localizada pertinho de São Marino, um dos menores países do mundo, e definitivamente uma experiência para riscar da bucket list.

Vem comigo que eu vou te mostrar o centro storico, cantinho mais especial da cidade e onde estão espalhados os vários campi da Università di Bologna. Assim como outras cidades italianas, provavelmente você ficará encantado com a ideia de passear por um lugar e, de repente, encontrar um muro, prédio ou monumento com mais de dois mil anos de idade.

Principais pontos turísticos de Rimini: Arco de Augusto

É, juntamente com a Ponte de Tibério, meu monumento preferido na cidade. O arco marca a entrada na antiga cidade pela via Flaminia, que ligava Roma a Rimini, já em 27 a.C. Gosto de sentar na sorveteria que tem em frente, tomar um milk shake de cioccolato e ver o tempo passar.

Arco D'Augusto em Rimini, Itália
Arco D’Augusto: não é uma belezinha?

Quanta gente interessante já não passou por ali? E quantas boas histórias devem ter se perdido no tempo! Há mais de dois mil anos o arco resiste a guerras e imperadores.  Tempo é definitivamente um conceito muito estranho e esse arco é a prova disso.

Domus del Chirurgo

Passei diversas vezes por ali até que um dia percebi que a construção de tijolinhos com paredes de vidro guardava uma joia arqueológica. Bem no meio de uma praça está protegida o que um dia foi a casa de um cirurgião no século 2 d.C. Uma vez que o lugar estava bem conservado, foi possível reconstruir o ambiente e transformá-lo em uma espécie de museu. E por que a casa seria de um cirurgião? Bem, no local foram encontrados cerca de 150 instrumentos cirúrgicos. Você ficará encantado com o mosaico do chão da casa do cirurgião e encontrará até uma ossada. A entrada custa 6 euros.

Ponte de Tibério

É impressionante o grau de preservação da Ponte de Tibério encomendada pelo imperador Augusto, em 14 d.C., mas só concluída sete anos depois, em 21 d.C. pelo imperador Tibério.  É também é impressionante que a ponte tenha sobrevivido a terremotos, a guerra entre godos e bizantinos e até uma tentativa de destruição do exército nazi na Segunda Guerra Mundial. Da Ponte de Tibério saíam as estradas romanas para o norte da Itália, via Emilia e via Popilia.

Ponte de Tibério em Rimini, Itália
A Ponte de Tibério é assim… Indestrutível

Anfiteatro romano

Fiquei em êxtase quando descobri que havia um anfiteatro romano na cidade, e logo lembrei do super bem conservado que existe em Verona. No entanto, a versão de Rimini – datada do século 2 d.C. – está em ruínas. Ali aconteciam espetáculos com gladiadores com até 12 mil espectadores.

Infelizmente, hoje o que existe é uma grade que evita que as pessoas entrem no lugar e mais nada. No centro da cidade, também existem as ruínas do teatro romano. O interessante é ver como a cidade se reinventa e se adequa às ruínas do próprio passado. Sim, eu tenho uma fixação por ruínas!

E não deixe de provar…

Cassone romagnolo em Rimini, Itália
Cassone romagnolo: uma das maravilhas da culinária italiana

E como cada região da Itália possui sua própria gastronomia, em Rimini não poderia ser diferente. Talvez esse valha um post a parte, mas já adianto: se estiver em Rimini, não deixe de provar o cassone e a piadina. Ambos são uma espécie de wrap recheados com mozzarela, prosciutto, speck, omelete ou salada. É uma delícia e serve como um lanche bem levinho.

Piadina del Porto, em Rimini, Itália
Piadina del Porto: um dos melhores lugares para provar piadina e cassone

Minha dica é provar esse prato no La Piadina del Porto. É uma portinha bem simples em frente à marina e com aquela combinação que a gente gosta: bom sabor, preço justo e atendimento simpático.

 

Islândia: as paisagens mais incríveis da terra dos elfos

cachoeiras da Islândia

A nossa história começa no final de julho de 2017. Foi bem no meio do verão, quando Munique é tomada pela brisa fresca, festivais de arte acontecem por todo canto e novos surfistas pipocam no Eisbach… Bem, foi na melhor época para viver na Baviera que o namorado decidiu que queria passar o aniversário viajando. As nossas opções eram Grécia, Itália e Islândia. Queríamos verão e também não queríamos gastar muito.

Contrariando a lógica, a escolhida foi a Islândia. É que a terra do fogo e do gelo era o nosso único destino novo de verdade. A Islândia é uma bela combinação de vulcões, cachoeiras, encontro de placas tectônicas, gêiseres, hot springs, glaciares, lagos de gelos, além de focas e ovelhas. Belo e pacato, o país tem algumas das paisagens mais maravilhosas desse planeta. E, apesar de ser um destino de viagem caro

Bem, todo perrengue vale a pena quando a alma não é pequena. :)

Uma lenda: assim surgiu a Islândia

Diz a lenda que a Islândia começou a ser povoada por um casal de vikings noruegueses na Idade Média. Os vikings também levaram mulheres celtas como escravas. Ali, essa gente criou o termo huldufólk, que significa “povo escondido”, para explicar criaturas como elfosduendesgnomos e trolls, que vivem nas terras islandesas – e muita gente acredita na existência ainda hoje.

Casa de Elfo - Islandia
Você já viu uma casa de elfo? Na Islândia, elas estão em toda parte!

Coloque em um recipiente a cultura viking, um pouco  da cultura celta e misture com paisagens de tirar o fôlego. Pronto, você terá ideia de como é a Islândia! Para nós, foi a melhor decisão de todas.

Resultado: uma viagem de carro pelo sul da Islândia em cinco dias. Com pouco planejamento e muita emoção. Com calorzinho no coração. Eu me apaixonei pela Islândia, gente.

Então aperta play em Lakehouse de Of Monsters and Men e vai:

Hora de seguir viagem…

Saindo de Munique: como é voar de Air Berlin?

Saímos de Munique em uma quinta-feira, às 21h-e-alguma-coisa. O vôo durou quase 4 horas. Voamos de Air Berlin – essa mesmo que decretou falência na mesma semana que voltamos de viagem. Chegamos no começo da madrugada.

Eu levei minha mochila de 60 litros como mala de mão, o namorado levou uma mochila de 30 litros. Compramos uma franquia para bagagem despachada e nela levamos todo o aparato para camping + comidas  + tripé da máquina (que não foi usado #shame).

O vôo foi um sofrimento, confesso. Comida de avião é ruim? É. Mas na minha opinião é a parte mais empolgante. É o auge, quando o vôo todo se anima. Barulhos de mesinhas, pessoas acordam do sono leve. Altas expectativas. Baixas expectativas. Virá um curry de frango com tabule de saladinha (sempre misturas estranhas) mais um cupcake de chocolate de sobremesa? Quem sabe. Uma coisa é fato: carne vermelha é sempre a pior opção.

Mas por ser um voo doméstico (a Islândia faz parte de Schengen) e a Air Berlin uma low cost (oi? a passagem custou cerca de 300 euros!), nada de snacks. Nada de televisãozinha. Nada de nada.

Um chocolate em forma de coração no final da viagem e só.

Enfim, a terra dos elfos: Islândia!

Aterrissamos no Aeroporto Internacional de Kéflavik e o caos estava instalado – talvez porque era véspera de feriado, talvez porque era alta temporada. Lotado, o aeroporto mais parecia a rodoviária do Rio de Janeiro em sexta-feira de Carnaval (#saudadesterrinha). A mala demorou pouco mais de 30 minutos para aparecer na esteira. Muita gente reclamando, alguns seres humanos dando barraco.

Muitos alemães (quase 50% dos vôos que chegavam no aeroporto saíam da Alemanha! eita povo com wanderlust na veia), alguns italianos, alguns espanhóis e muitos americanos em conexão de qualquer país da Europa continental  > Islândia > Estados Unidos. Pegamos um ônibus da Reykjavik Excursions até a rodoviária da cidade e caminhamos até a nossa guest house para descansar e nos prepararmos para o dia que viria.

Islandia - o que visitar
Para que lado eu vou?

Talvez a Islândia ainda precise de alguns ajustes quanto à estrutura de turismo. Visivelmente, o país não tem capacidade para receber o grande número de turistas que cresce todo ano.

O mundo inteiro em uma só ilha

Um dado que vale a pena saber: a Islândia recebe cinco vezes mais turistas por ano que o número de habitantes. São cerca de 330 mil habitantes no país (1/3 mora em Reykjavik) e mais de 1,7 milhão de turistas. Então basicamente funciona assim: não importa para onde você vá, só terão turistas. Inclusive, os “locais” que eu conheci eram turistas (quer dizer, fotógrafos que se mudaram para a ilha e vivem a doce, intelectualmente estimulante e aventureira vida islandesa).

Também é preocupante o impacto que o turismo tem nas paisagens da Islândia. As trilhas devem ser respeitadas porque a vegetação demora décadas para se recuperar. Ali, a natureza apesar de avassaladora é extremamente sensível. E esse é um dilema que o país que tem economia voltada para o turismo sofre todos os dias.

Ovelha - Islândia
As ovelhas dominam a paisagem (mais um motivo para amar a Islândia!)

Falando nisso, essa história de a Islândia ser um parque de diversões para os turistas pode soar muitas vezes artificial, quer ver?

Islândia: pratos típicos e iguarias

Vamos analisar agora os pratos típicos islandeses. O mundialmente famoso tubarão fermentado, o steak de baleia e a cabeça de ovelha são iguarias que a maior parte da população islandesa não consome no dia a dia. Bem, eram pratos consumidos antigamente… Mas hoje são apenas coisa-para-turista-ver-e-experimentar em restaurantes lotados por, veja só, turistas. Tipo restaurantes de pasta em Veneza. É italiano, mas não tão italiano assim.

Icelandic Fish and Chips
Fish and Chips islandês

No entanto, a cultura do fish and chips, do cachorro-quente com cebolas crocantes (conhecidos como pylsur), dos cafés incríveis e dos hambúrgueres ao ponto reina nessa terra. Afinal, a Islândia é o berço da cultura hipster! É o lugar onde as pessoas passam a noite de Natal lendo livros. Então melhor deixar a gastronomia para lá e aproveitar as paisagens e a música boa que esse país lindo tem para oferecer.

Roteiro de viagem: 5 dias na Islândia

Dia 1: o belo vulcão Eyjafjallajökull

Pela manhã, voltamos à rodoviária e pegamos um ônibus rumo a Thórsmörk (o Vale de Thor, em islandês), montanha situada entre os glaciares Tindfjallajökull e Eyjafjallajökull e um dos principais destinos para trekking da Islândia. Ali, carros comuns não tem acesso – apenas alguns poucos 4×4 e ônibus customizados. Isso porque há uma série de rios que só veículos anfíbios são capazes de atravessar.

Seljalandsfoss - Islandia
A bela Seljalandsfoss vista do alto
Thorsmork - Trekking in Iceland
þórsmörk: o deus Thor sabe das coisas

Durante as quatro horas de viagem o ônibus parou em alguns pontos turísticos, como a encantadora Seljalandsfoss. Enfim, estávamos nas Volcano Huts, aos pés do vulcão Eyjafjallajökull, que em 2010 parou muitos aeroportos na Europa ao entrar em erupção. Montamos a barraca, partimos rumo à trilha e nos deleitamos com as paisagens incríveis de cada trecho.

Eyjafjallajökull - Islandia
Eyjafjallajökull: famoso por parar aeroportos
Thorsmork - Trekking
Fim ou começo do mundo?

Em islandês, o nome Eyjafjallajökull significa “ilha com geleira e vulcão”.

Na trilha, encontramos uma charmosa casa de turfa islandesa. Com grama no telhado, essas casas são construídas para oferecerem melhor proteção térmica em climas severos.

Thorsmork - Iceland
Ops, um vulcão passou por aqui

Dia 2: onde comer em Reykjavik

No dia seguinte, um amigo que vive em Reykjavik passou para nos buscar nas Volcano Huts e partimos com destino à capital islandesa. Chegamos durante à noite e saímos para provar a comida local. Primeiro, nos aventuramos no famoso cachorro quente islandês, considerado o melhor do mundo (sinceramente, para quem vem da Alemanha a salsicha não é nada demais; para quem vem de São Paulo, faltou purê <3). O centrinho da cidade estava fervilhando!

Reykjavik Fish, na Islândia
Reykjavik Fish: descoladinho e com variedade de fish and chips

Seguimos rumo à região do porto e por lá escolhemos Reykjavík Fish, um restô hipster style com todo tipo de fish and chips que você pode imaginar. Eles também vendem o hákarl, o famoso tubarão fermentado (quatro pedacinhos tipo degustação custavam cerca de 12 euros). Mas o Joseph, nosso amigo fotógrafo (para fotos inspiradoras da Islândia, siga no Insta @joe_shutter) deu a dica: no flohmarkt perto do porto, o hákarl é encontrado por cerca de 2 euros.

Reykjavik é uma gracinha. Organizada, limpa e vibrante. Seu centro ainda preserva casinhas coloridas e lembram a pátria mãe, Noruega. Tudo ali é muito intimista, pequeno e aconchegante.

Dia 3: Lagoa Jokurlsalon e a Diamond Beach

Pela manhã, pegamos o carro alugado e voltamos para o sul da ilha. No caminho, demos carona para um casal de franceses muito simpáticos até Seljalandsfoss. O plano deles era fazer a trilha de cerca de 4 dias.  Ali pertinho da Seljalandsfoss existe uma trilha que leva ao alto da cachoeira e de onde se tem uma vista muito bonita!

Seguimos para a Lagoa Jokurlsalon e para a Diamond Beach. Esse é definitivamente o passeio que você não pode perder na Islândia.

De Reykjavik à Lagoa Jokurlsalon são cerca de cinco horas de viagem na Ring Road, a principal rodovia que liga as cidades da costa do país formando, adivinhe só, um anel. Não faltam cachoeiras, vulcões, campos de lavas e geleiras para admirar no caminho. E apesar de tudo isso ser incrível, a Lagoa Jokurlsalon que repousa na base do Vatnajökull, maior glacial da Islândia (ele cobre 8% do país!), coloca todos os outros passeios em perspectiva.

Lagoa Jokurlsalon Iceland Glaciar 4
Parece glitter, mas é só um pedacinho da maravilhosa Lagoa Jokurlsalon

Sinceramente, é uma das paisagens mais maravilhosas que eu já vi na vida. Ali, focas brincam em meio ao gelo e o silêncio impera. O vulcão adormecido, o gelo que flutua sobre a lagoa, o barulho da natureza em atividade… Tudo isso lembra o quão pequenininho a gente é.

Na lagoa há empresas que oferecem passeio de barco, mas eu sinceramente acho uma tremenda invasão. Os barcos quebram o silêncio do lugar. Ali as coisas são bonitas como são, sem interferência humana.

Lagoa Jokurlsalon Iceland Glaciar
Lagoa Jokurlsalon e o glaciar como cenário. Existe lugar mais lindo?

Outro detalhe importante é que a Islândia não cobra a entrada na maioria das atrações naturais. Os vulcões, geleiras, cachoeiras e lagoas estão ali, expostos para quem quiser desbravar. A população ganha dinheiro com serviços de hotéis, restaurantes, passeios… Mas, olha, a dona do negócio ainda é a natureza.

Islândia
Hora mágica na beira da estrada <3
Islandia - Hora magica
Difícil abrir os olhos no pôr do sol, gent

O povo islandês tem uma relação muito próxima com a natureza e com a terra onde vivem. Há um respeito e a consciência de que tudo é mutável. Os diversos campos de lava estão ali para lembrar isso. A História existe para nos lembrarmos disso.

Diamond Beach - Iceland
Diamond Beach e seus diamantes de gelo: a praia mais bonita do planeta (eu acho)

Do outro lado da pista está a Diamond Beach, uma praia de areia negra vulcânica onde pequenos cristais refletem a luz do sol. Coisa linda, gente. Por ali as focas também recebem os visitantes com brincadeiras no oceano gelado. Ficamos algumas horas admirando a paisagem – e mais nada.

Adrian no Gelo Flutuante
Tente tirar fotos no gelo, escorregue e tome um banho de mar gelado

Então quando a noite começou a cair, partimos para o Parque Nacional Skaftafell, onde armaríamos nossa tenda.

Dia 4:  Skaftafell e a trilha para o glacial

Pela manhã, fizemos a trilha para visualizar o glaciar do alto. No caminho, havia mais uma bela cachoeira.

Parque Nacional Skaftafell - Islandia
Skaftafell: onde fogo e água se encontram

Pegamos estrada rumo ao Golden Circle, rota turística mais conhecida do país. No caminho, parada para tentar avistar lundis (puffin, em inglês, ou papagaio-do-mar, na língua de Camões) no farol. Sem sucesso. Mas encontramos ovelhas simpáticas beirando o precipício beira-mar e a visita valeu a pena.

Chegamos só a noite no acampamento Skjol, no Golden Circle. Montamos nossa barraca e jantamos uma deliciosa pizza no bar super agradável do lugar. Diferentemente da maioria dos lugares, o bar do Skuggi não fechava às 20h mas às 23h! Ponto para eles.

Dia 5: Golden Circle e Lagoa Secreta

Enfim, o último dia de nossa passagem relâmpago na Islândia. Visitamos a bela cachoeira Gullfoss e os gêiseres. Após tanta correria, já era hora de relaxar um pouquinho. Pulamos outros pontos turísticos do Golden Circle, como o Parque Nacional Thingvellir, onde está o encontro das placas tectônicas da Eurásia e América do Norte.

Geyser - Golden Circle Iceland 2
Um dos gêiseres do Golden Circle

Seguimos para a Lagoa Secreta, localizada em Flúdir, uma alternativa mais interessante que a badalada Blue Lagoon. Bem, mais interessante por dois motivos:

Blue Lagoon x Secret Lagoon: qual é a melhor?

  1.  Criada em 1891, a Secret Lagoon é a primeira piscina da Islândia. É também uma experiência mais autêntica do que sua irmã rica, na minha opinião. Ali, a água que sai de vários pontos geotermais esquenta os visitantes com temperaturas que variam de 38 a 40 graus. O chão da piscina e ao seu redor foram construídos com pedras da região. Ali ao lado, um pequeno gêiser entra em ebulição a cada cinco minutos.  A Blue Lagoon, por sua vez, é uma experiência para quem procura luxo, com bom restaurante e tratamentos de spa.
  2. A Lagoa Secreta é mais barata do que a Blue Lagoon, tem menos turistas e é mais intimista.
Secret Lagoon x Blue Lagoon - Iceland - Hot Springs
Hot springs ao redor da Secret Lagoon

 

Secret Lagoon x Blue Lagoon - Iceland
Secret Lagoon: intimista e menos badalada que sua irmã Blue Lagoon

E o que perdemos na Islândia…

Todo o resto – que não é pouca coisa. A Islândia é um país onde a expressão “pegar a estrada” significa que provavelmente você verá as paisagens mais bonitas da sua vida. Dificilmente um viajante com poucos dias no país verá todos os destinos que o lugar oferece, porque eles são muitos.

Ovelha Islandia 5
Mais ovelhas – é impossível cansar delas!

Aliás, muita gente passa cerca de uma semana em apenas uma trilha. Outras pessoas se arriscam em percorrer o país inteiro pela Ring Road em cerca de 10 dias (são cerca de 500km dirigidos por dia). Esse é o mínimo viável, eu diria. Pode ser uma boa ideia para quem quer ter uma noção de como as paisagens variam na ilha.

No final de contas, eu acho que a Islândia é o tipo de lugar que vale várias viagens. Ainda quero ver a aurora boreal no inverno, conhecer os fiordes do oeste e o norte do país. Afinal, viajar a conta-gotas também pode ser uma ótima ideia!

Encantada, Pueblos Blancos!

Medina Sidonia, Andaluzia, Espanha

Por aqui, as duas últimas semanas foram intensas. E essas últimas semanas são o motivo pelo qual eu vou para o Brasil em breve e ficarei até janeiro por lá – plantando e regando minhas sementinhas mais queridas. E também atualizando meus posts de viagem. Mas, ah, isso é assunto para outro dia. Falemos de coisa boa: os Pueblos Blancos! :) Então, segue um pequeno roteiro de viagem por essa maravilhosa região da Andaluzia.

E a coisa boa que aconteceu nesse mês foi o casamento de um amigo espanhol do Namorado. O amigo se casou em Sevilha e essa foi a justificativa perfeita para uma pequena road trip pela Andaluzia – que é um dos meus lugares preferidos no Velho Continente. Quer dizer, olha só para essas paisagens e me diz se não dá para sentir um caminhão de coisas boas? Impossível. E ainda tem comida gostosa, gente como a gente que vive de um jeito de dar inveja e é um lugar nada caro para se estar. A Andaluzia parece que tem alma pulsante!

Rota dos pueblos blancos, na Andaluzia, Espanha
Porque toda boa road trip é feita de paisagens incríveis.

De Sevilha a Cádis: na rota dos pueblos blancos

Pegamos o carro reservado no aeroporto e seguimos rumo a Bolonia, porque queríamos praias de encher os olhos. O plano era ir até Bolonia passando por alguns pueblos blancos no caminho. Depois de Bolonia, nosso plano era passar por Conil de La Frontera (outra praia), mas isso não deu certo e você vai saber o porquê daqui a pouco. À noite, iríamos para Cádis, onde dormiríamos e passaríamos o dia seguinte explorando. E assim seguimos.

A pacata Arcos de La Frontera

As cidadezinhas do interior da Andaluzia ficaram famosas porque as casas tem fachada pintada de branco. E é demais enxergar esses pequenos povoados no alto de uma colina (ou precipício!) à medida que nos aproximamos de carro. Mas a cor branquinha das casas não é um luxo, não. É que nessa região a temperatura pode ultrapassar 40 graus e a pintura em cal, toda branquinha, combate o calor.

Arcos de La Frontera, Pueblos Blancos, Espanha
Pueblos Blancos: a simpática cidadezinha de Arcos de La Frontera vista da estrada.

Arcos de La Frontera, um dos pueblos blancos, é pequena, simpática e boa para dar umas voltinhas. Estacionamos o carro e saímos para passear pelas ruelas de paralelepípedos. Paramos para tomar um café com leche, comer um montadito de jamón, algumas azeitonas e suco de laranja tudo isso por só 3 euros. Perto da igreja no alto da cidade é possível ver o precipício ao lado de onde a cidade foi construída. Frio na barriga.

Arcos de La Frontera, Ruta Pueblos Blancos, Andaluzia
Cores no varal. <3

Medina Sedônia: vale a pena?

Pegamos estrada de novo e paramos em Medina Sedonia. A cidade ventava de maneira surreal e tinha pouca gente na rua. Tomamos mais um suco de laranja e comemos mais azeitonas. Risos. Medina Sidonia parecia uma cidade fantasma. Será por causa do vento? Fica a dúvida.

Medina Sidonia, Andaluzia, Espanha
Vento ventania (me leve para qualquer lugar, para qualquer canto do mundo!) em Medina Sidonia.

Rumo a Bolonia: a trilha em Zahara de Los Atunes

Agora sim, hora de praia! Analisamos o GPS e vimos que existia um caminho que iria pela costa, apesar de mais longo. Chegando em Zahara de Los Atunes, a estrada estava interditada. Acontece. Então, duas opções: 1. voltar e fazer o caminho seguro ou 2. seguir por uma trilha que aparecia discretamente no mapa. Optamos pela trilha! Colocamos tênis e partimos rumo à felicidade! Algumas vacas com cara de poucos amigos no caminho fizeram a gente subir um morro de pedras, mas tudo certo. A trilha continuou por alguns quilômetros até a gente chegar na pista e perceber que a entrada para a cidade era muito depois. The perrengue never ends.

Zahara de Los Atunes - Andaluzia
Zahara de Los Atunes: vista da trilha para Bolonia.

Já em Bolonia, decidimos visitar o Baelo Claudia. Um dos pontos altos da viagem, o Baelo Claudia é uma antiga cidade romana bem pertinho do mar e que foi construída sobre um assentamento fenício (alô, Líbano! <3). Foi também o principal porto que negociava com o Marrocos e possivelmente as primeiras cidades dessa região da Europa surgiram aqui. A paisagem é de tirar o fôlego e essas cidades romanas são sempre boas para lembrar que a nossa história não começa nem acaba.  Sobre o preço? Bem, não pagamos nada porque temos ID europeia, mas o valor da entrada é simbólico (apenas 1,50 euro).

Baelo Claudia, em Bolonia, na Espanha
Baelo Claudia: uma cidade romana na Andaluzia.
Placa na África para a Espanha
É pra lá que eu vou

Depois, passeamos pela praia e procuramos algum lugar para almoçar. Mas, como estamos em baixa temporada, todos os restaurantes estavam fechados.  Uma pena, porque a região tem fama pelo atum vermelho que é pescado nesse mar lindimais.

Praia de Bolonia, na Espanha
Uma belezinha essa praia de Bolonia, não?

A volta pela trilha era só subida e o sol já estava baixinho, baixinho quando decidimos ir embora. Achamos melhor pedir carona. Por isso, ficamos felizes quando uma campervan com dois rapazes que estavam aprendendo windsurf em Tarifa e – estava na estrada sem destino – nos salvou.

Decidimos deixar Conil de La Frontera para uma próxima vez. A saga continua agora em Cádis!

Alugar quarto em Berlim, uma missão quase impossível

Alugar quarto em Berlim

Em setembro comemoro mesversário de três meses em Berlim! Seria lindo se não fosse trágico: chegou ao fim meu contrato nesse apartamento. Em outras palavras: em outubro ficarei sem casa para morar! E o meu desânimo está no fato de que alugar quarto em Berlim é uma saga por si só.

Enquanto preparo as malas (uma de 32kg, uma de 15kg, um mochilão, a mochila do notebook e uma bolsa para a câmera – enumerar o peso faz parte do #drama), escrevo esse texto que mistura um pouco de desilusão e ansiedade. Porque é muito ruim não saber onde você vai morar mês que vem.

Pode ser que eu encontre um quarto espaçoso, iluminado, com boa localização e flatmates gente boa, como foi esse quarto de agora. Pode ser que eu volte para um hostel enquanto a busca continua – o que eu, confesso, já estou acostumada mas me faz muito infeliz. Pode ser que eu vá para a Polônia. Pode ser que <insira aqui qualquer coisa>.

Charlottenburg, em Berlim
Vista da janela do meu quarto em Charlottenburg

Alugar quarto em Berlim: por que não Airbnb?

Aqui em Berlim não existe Airbnb. A prefeitura da cidade proibiu e a razão é simples: a demanda por apartamentos é altíssima e a possibilidade de ter Airbnb significaria que os donos de apartamentos poderiam ganhar mais alugando quartos para turistas enquanto os habitantes da cidade se digladiariam para encontrar um quartinho decente. Os preços iriam às alturas. E também tem a história dos impostos. Então a prefeitura achou melhor não. Então, não existe Airbnb e… Eu acho isso ótimo. Nunca pensei que diria algo do tipo, mas é verdade.

Alugar quarto em Berlim ficou mais fácil porque não tem Airbnb.

Em Berlim, para anunciar o imóvel no Airbnb, o proprietário deve fazer um cadastro na prefeitura e aguardar uma autorização. Mais: os donos só podem disponibilizar até 50% da área do apê.

Mas, de qualquer forma, grande parte dos quartos são alugados para curta temporada: de um mês a seis meses. E isso também significa que pessoas como eu ficam mudando e mudando sempre. Há uma certa rotatividade entre os habitantes não-alemães – o que permite que você viva em bairros distintos e em diferentes Berlins. Há a Berlim dos baladeiros, vegetarianos, coxinhas, do pessoal de tecnologia, a Berlim artística… Há muitas Berlins!

E como cada bairro possui um meio ambiente próprio, dificilmente as pessoas saem da região onde moram. Como nada é perfeito, em quartos de curta temporada dificilmente os landlords oferecem a possibilidade de registro no município. E sem registro no município você é só um turista.

Como alugar quarto em Berlim
Em Berlim aprendi que essas araras a la Pinterest fazem sucesso porque são baratas na Ikea. Quem é que compra móveis de verdade quando está de mudança o tempo todo?

Como alugar quarto em Berlim: sites e grupos no Facebook

Há alguns sites que facilitam a tarefa de encontrar um quarto em Berlim. O mais famoso deles é o Wg-Gesucht. Lá, você vai encontrar quartos, lofts e apartamentos inteiros para alugar. Mas, como eu disse, a disputa é acirrada. Então, não se apegue a nenhum quarto com anúncio interessante.

Escreva um mini perfil com suas qualidades, o que você está fazendo em Berlim, quanto tempo pretende ficar, se é baladeiro ou não, vegetariano ou não, fuma ou não (as pessoas levam a sério isso por aqui) e envie para o maior número de anúncios possível. Quase nunca eles respondem, mas pode ser que você dê sorte.

Dicas para morar na Alemanha - Alugar quarto em Berlim
Dicas para morar na Alemanha: como alugar quarto em Berlim

Na minha opinião, a melhor maneira para encontrar um quarto para alugar é por meio dos grupos de Facebook. Estou em três muito bons: WG-Zimmer & Wohnungen Berlin, Zimmer in Berlin, Zwischenmiete e Short-term accommodation Berlin: WG, Zwischenmiete, flat-share, Zimmerbörse. Foi lá que encontrei esse apê que estou deixando, aliás.

Nesses grupos, a disputa é clara: é comum você ver 50 pessoas enviando mensagens interessadas em cada anúncio. Os primeiros a enviarem a mensagem inbox para o autor do anúncio tem prioridade. Quem visita e diz que fica com o quarto primeiro ganha.

Seleção natural pura.

Um final de semana com as bruxas de Bamberg

Poço - Castelo em Bamberg

Bamberg, essa cidade alemã tão especial, surgiu em nosso caminho quase sem querer. Uma vez que o namorado mora em Munique e eu em Berlim (são mais de 500km de distância, gente!), passar os dias de folga em um lugar no meio do caminho parecia uma boa ideia. Por isso, quando a prima dele que mora lá sugeriu um final de semana na cidade, a ideia pareceu perfeita. Como a gente não perde tempo, na semana seguinte já estávamos no centro de Bamberg arrastando a mala de rodinhas pelas ruas e procurando a casa dela!

As encantadoras casas de tons pastel
As encantadoras casas de tons pastel um pouco mais afastadas do centro da cidade

Para começar, é bom saber: Bamberg é uma cidadezinha do estado da Baviera encantadora e cheia de história. E isso é tão verdade que em 1993 ela foi eleita patrimônio mundial pela Unesco. Mas você não precisa ler guias de viagem ou a Wikipedia para perceber isso. Enquanto anda pelo centro histórico você tem certeza de que está em uma cidade histórica medieval. E aí mora toda a magia do lugar.

Cidade medieval de Bamberg, na Alemanha
Cidade medieval de Bamberg: de repente, você você está em um outro século

Era uma vez uma catedral…

Como muitas cidades europeias, a cidade de Bamberg cresceu ao redor de um castelo – o castelo da família Babenberg, daí o nome da cidade. O castelo, no entanto, deu lugar à catedral da cidade em meados do ano 1000. Então Bamberg virou sede de uma diocese e até foi centro do Império Sacro Romano – por pouco tempo, mas foi.

Catedral de São Pedro e São Jorge em Bamberg, na Alemanha
Um pedacinho da torre da catedral de São Pedro e São Jorge

A catedral de São Pedro e São Jorge, construída no ano de 1002, é um dos pontos altos da visita à cidade. Nela, você encontrará os túmulos de um imperador e sua esposa, o túmulo do único papa ao norte dos Alpes, uma estátua misteriosa de um cavaleiro – o Cavaleiro de Bamberg – que ninguém sabe explicar quem é até hoje, mas todo mundo só desconfia (como todo bom boato milenar de uma cidade de interior deve ser, risos).  Poetas alemães, inclusive, se inspiraram na estátua em suas obras  e muita gente acredita que o cavaleiro poderia representar um rei antigo ou messias.

Bamberg - Jardim de rosas
Jardim de rosas da nova residência dos bispos

Na praça da catedral você também encontra a nova residência dos bispos, construída em 1802. Para conhecer alguns dos quarenta luxuosos quartos e as galerias de arte do lugar você deve pagar 4,50 euro. Pulamos essa parte e fomos para o jardim de rosas da residência, que é gratuito e possui uma vista incrível da cidade. Não tínhamos muito tempo, afinal.

Postcards - Bamberg
Postais engraçadinhos… E fora de contexto

Bamberg: ponto de encontro de bruxas?

Se você conhece um pouco da história da caça às bruxas, também já deve ter ouvido falar de Bamberg. Entre os anos de 1626 e 1631 a cidade foi palco de julgamentos e mortes da inquisição promovida pela igreja católica. Foi nesse período também que, não por acaso, o príncipe bispo Johann Georg II Fuchs de Dornheim ficou conhecido como “o queimador de bruxas”.

Pequeninos detalhes
Pequeninos  e delicados detalhes

A igreja perseguiu toda a população indiscriminadamente, inclusive gente que era contra a bruxaria. Um dos casos mais famosos é o do prefeito da cidade: acusado de bruxaria em 1628, o prefeito Johannes Junius escreveu uma carta para sua filha Veronika defendendo a sua inocência e contando detalhes sobre como os carrascos o torturavam na prisão. Decapitado e queimado, ele virou mártir.

A casa amaldiçoada

Enquanto passeia pelo centro, uma casa pode chamar sua atenção. Bonita por fora, ela esconde uma história não tão bela assim em seu interior. Conhecida como Maleficent, a casa de porta adornada com símbolos cristãos e letras de ouro estampadas no portão principal ficou conhecida por ser o local onde os pagãos eram torturados até confessar crimes de bruxaria – depois, eram queimados na fogueira.

Muitas vezes, a igreja fazia pagar com a vida crimes que as pessoas não haviam cometido. Os carrascos torturavam os perseguidos até que eles citassem nomes de pessoas da cidade, por isso o terror espalhou-se facilmente. Dizem que em Bamberg a igreja católica matou três vezes mais pessoas do que a Espanha toda – um país que também ficou conhecido pela dureza dessa tal de “Santa” Inquisição. Por esse passado triste, a cidade recentemente construiu uma instalação em memória dos mais de mil homens, mulheres e crianças torturados e mortos pela igreja católica na cidade.

Bamberg, Germany
A sede da antiga Câmara Municipal foi construída no meio de um rio!

As melhores cervejas estão aqui!

As cervejarias de Bamberg também são um passeio imperdível – são nove no total. À noite, não deixe de visitar a Schlenkerla, uma taverna de 1405, onde você encontra a Rauchbier, famosa cerveja defumada, com sabor tão especial quanto aquela de Český Krumlov, na República Tcheca. A taverna, aliás, tomou o lugar de um monastério, que existiu ali até 1310.

Beer Bamberg
Ops. Deu sede. Que tal uma weissbier?

Sempre lotada, pode ser difícil achar um lugar para sentar dentro do lugar. Mas quem se importa? Se é noite de verão, é só se juntar aos grupos que bebem cerveja do lado de fora do estabelecimento, em pé mesmo, enquanto papos animados tomam conta de toda a gente, que também repara no movimento de vai e vem das pessoas.

Lá no alto, o castelo de Altenburg

Residência nos séculos 14 e 15 dos bispos de Bamberg, o castelo de Altenburg também é imperdível. Lá, por apenas um euro, você pode subir na torre mais alta e ter uma vista panorâmica da cidade. Vale a pena! Demos sorte e no vão do castelo acontecia uma peça teatral para crianças. Fofo, vai.

Poço - Castelo em Bamberg
Um poço no castelo de Altenburg, em Bamberg
Teatro no castelo em Bamberg, na Alemanha
Teatro no poço do castelo <3

E, bem, uma vez na Alemanha, os biergartens são lugares perfeitos para descansar da caminhada pelo centro. Então, paramos para almoçar comida bávara em um deles e, claro, tomar mais cerveja. Enfim, Bamberg definitivamente vale a visita! E viva o chucrute.

Absolute Vintage: o brechó mais famoso de Londres!

Absolute Vintage London Brechó Absolute Vintage London Brechó Absolute Vintage Brechó Absolute Vintage, em Londres Absolute Vintage London

(Não sei se vocês concordam, mas) Para um brechó ser realmente bom ele precisa ter um combo de variedade + organização + preço amigo. Boa curadoria também, claro. Por isso, minhas expectativas eram altas para conhecer o Absolute Vintage. É que o brechó é super recomendado e está em Londres, uma das cidades mais ecléticas do mundo e berço de grandes estilistas. De lá só poderiam sair coisas maravilhosas e ótimas barganhas, certo? Ah, a história não é bem assim…

Hello, Absolute Vintage!

O galpão localizado em uma ruazinha pacata é lotado de roupas e acessórios do chão ao teto – mesmo. À primeira vista, o ambiente pode parecer meio perturbador: a impressão que se tem é de que é preciso uma vida inteira para fazer um bom achado. Acredite nos feelings garimpadores, porque essa impressão não é completamente errada.

É uma delícia se perder entre os vestidos separados por estampas (o ponto forte do lugar). Por lá, não faltavam opções de botas, vestidos e bolsas. E lenços, luvas e alguns chapéus.

Como é de se esperar, a grande variedade é de roupas femininas. Mas isso não impede que se faça bons achados na pequena área reservada aos homens. Por lá, as jaquetas jeans (55 pounds, em média) tinham um espaço especial. Mas, veja bem, precisamos falar desses preços…

Preço: o vilão número 1 do brechó

Os valores das peças vendidas no Absolute Vintage me deixaram um pouco chateada, confesso. As jaquetas jeans masculinas, por exemplo, custavam cerca de R$ 250. E, convenhamos, esse não é um preço nada bom. A grande parte das roupas também não era propriamente vintage e possuía qualidade duvidosa. Seda? Algodão? Linho? Nada disso. Alguns vestidos de poliéster custavam atrevidos 30 pounds. É poliéster, é roupa usada e, veja bem, está caro.

Na verdade, eu gostei mesmo foi das gravatas. Dava até vontade de começar uma coleção de gravatas borboleta estampadas! Mas, falando em preços, uma satchel bag roxa (Cambridge Satchel original!) voltou dos anos 2010 e estava dando pinta por lá. Uma belezinha. <3 O valor? 55 pounds (uma nova custa 125p no site da marca). As botas de couro custavam, em média, 35 pounds. Já as bolsas do mesmo material custavam cerca de 20 pounds – e muitas delas também estava em mal estado, com o couro esfarelando, sabe?

Mas, ah, eles possuíam uma seção muito amor: a SALE, claro. Nela, duas meninas norueguesas davam gritinhos de euforia a cada vestido preto liso e de comprimento mídi que achavam por cinco pounds. Quer dizer: temos muito o que aprender com o minimalismo nórdico, né não?

A lição que fica…

Para resumir bem, acho que se você tem curiosidade vale a visita. Mas, na minha opinião, temos melhores opções em São Paulo, onde é possível achar sandálias da Schutz por menos de R$ 40. Em Londres, talvez os bazares e outlets valham mais a pena. Ou então as charity shops espalhadas por toda a cidade e que possuem preços maravilhosos (já achei uma penteadeira art deco por 50 pounds!!!). Enfim, na próxima visita à cidade darei chance a outros brechós. The garimpo never ends, babe!

Serviço Absolute Vintage

Hanbury Street, 15
Londres, E1 6QR, Reino Unido

Aberto todos os dias, das 11h às 19h

Camden Town, um lugar especial em Londres

Camden Town movimentada

Eu confesso que para escrever esse texto coloquei uma trilha sonora muito especial: Amy Winehouse! E, não por acaso. A cantora cresceu nesse bairro tão especial chamado Camden Town, em Londres.

Mas eu não sabia disso quando escolhi Camden Town para me hospedar. O motivo foi outro: Camden Town é um dos lugares mais maravilhosos que eu já conheci – eu já havia passado pelo bairro em uma das viagens feitas pela cidade e foi paixão à primeira vista. O lugar transborda vida, arte e é onde tudo acontece. Eu poderia até morar aqui, acho (e olha que eu não sou a maior fã de Londres – acho o estilo de vida muito corrido, sabe).

Camden Town movimentada
As ruas de Camden Town estão sempre cheias de turistas… Mas tudo bem.

Por que visitar Camden Town?

Passei dez dias em Londres para fazer um curso na London Fashion College. As manhãs e tardes eram corridas, mas reservei algumas horinhas só para passear tranquilamente por Camden. O lugar é repleto de mercadinhos de rua, com brechós, lanchonetes, food trucks, lojas repletas de camisetas de bandas e tudo de novo & mais antigo que você pode desejar.

Charles Dickens viveu aqui. Morrissey também. Resumindo: Camden Town é um desses lugares maravilhosos para estar. É inspirador. E eu acho que é um privilégio também.

Estátua de Amy Winehouse em Camden Town.
Estátua em homenagem a Amy Winehouse – que cresceu no bairro!

Camden Town: como chegar lá

Camden Town fica em um bairro no norte da cidade de Londres e chegar lá é muito fácil: é só pegar a linha norte do metrô e descer em, veja só, Camden Town. Sem truques.

Camden Town - Graffitti
As fachadas são famosas em Camden Town. Mas olha esse graffitti… <3

 

Camden Town - Fachadas
As famosas fachadas 3D de Camden Town.

Os famosos street markets de Camden Town

As fachadas em 3 dimensões são muito famosas. Por ali, assim que sair do metrô, você encontrará um viaduto com a inscrição Camden Lock. Esse é um dos mercadinhos mais famosos da região. Mas, enfim, não é preciso ter muito roteiro para conhecer o lugar. A única regra é: seja curiosa! Assim como Notting Hill, há tanta coisa em Camden Town que o passeio vale o dia inteiro. Se você gosta de brechós, ilustrações ou simplesmente de acessórios fora do comum, Camden Town é para você. Se procura um coturno, casaco militar ou uma capa de chuva transparente e bem estilosa (que agora todo mundo usa por lá) você certamente encontrará em uma dessas lojinhas. Maravilhoso.

Camden Town - Lustres
Lustres – ou imagine só o teto de um quarto assim?
Camden Town - Market
Os markets possuem brechós, lojas de acessórios, tatuadores e comida, claro!

Stables Market é outro mercadinho da região, com cerca de 700 lojas (!). Vale reparar na arquitetura do local, que abrigava estábulos (daí o nome) e um hospital para cavalos antes de 1900 (!!). A cidade se reinventa todos os dias, enquanto o novo e velho convivem aceitando suas diferenças.

Camden Town - Vestidos com ilustrações
Um pouco de tule, alguns quadrinhos e um tanto bom de criatividade = vestidos originais

 

Camden Town - Proud Wonderland
Proud. Wonderland. E eu já amo esse lugar!
Camden Town - Open Minded
Um mercadinho open minded <3

É definitivamente um lugar único e que vale a visita. Diria até que é um lugar bastante eclético. Tão eclético que, infelizmente, vi algumas meninas inglesas arranjando confusão com três turistas asiáticas. Pois é, tem gente de todo tipo mesmo: então é bom ficar de olho. E longe de confusões, por favor.

Cinque Terre: dicas para conhecer esse pedacinho de céu na Itália

Corniglia, em Cinque Terre, na Itália. Foto: Mariana Gabellini.

Uma pitadinha de tons pastel, muitas flores (ah, a primavera!) e casinhas construídas em encostas rochosas onde batem as ondas do mar Mediterrâneo. Eis uma das descrições possíveis para as cinco vilas que formam a famosa Cinque Terre, no norte da Itália,  próxima a Pisa (cerca de 90km) e Milão (220km). O nome delas? Monterosso, Vernazza, Corniglia, Manarola e Riomaggiore. O charme das pequenas vilas, no entanto, vai muito além: elas são o tipo de lugar onde você pode respirar um pouco da perfumada dolce vita italiana. Bons restaurantes, um mar de tirar o fôlego e roupas no varal secando ao sol despretensiosamente. Tanta beleza só poderia ser tutelada pela Unesco como Patrimônio Mundial da Humanidade! Na dúvida sobre o que fazer em Cinque Terre? Vem comigo!

Essa foi minha segunda vez nas terre e a passagem pelas cinco vilas fez parte de uma road trip com minha família durante o final de abril e começo de maio – o que significa temperaturas amenas e, ah que beleza, menos turistas. Cinque Terre é, na minha opinião, um desses passeios imperdíveis para quem visita pela primeira vez a Itália.

Monterosso al Mare, em Cinque Terre. Foto: Mariana Gabellini.
Monterosso al Mare, em Cinque Terre: prepare sua canga!

Cinque Terre: onde se hospedar?

Localizada no norte do país, ela está próxima de Pisa. Separe pelo menos um dia inteiro se quiser conhecer as cidades com relativa calma. Não vale a pena fazer um bate e volta – é cansativo demais. Melhor se hospedar em uma das terre ou, se achar as diárias caríssimas, opte por uma cidade próxima. Minha família e eu decidimos ficar em um camping em Marina di Massa – o que depois descobrimos ser uma região não tão famosa entre os turistas estrangeiros, mas lugares interessantes para visitar, como as montanhas de mármore de Carrara. E que valem outro post!

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Riomaggiore, em Cinque Terre, na Itália
Um pedacinho de Riomaggiore, em Cinque Terre

Como preparar o roteiro em Cinque Terre

Pois bem, em uma manhã de sábado fomos de carro até La Spezia e deixamos o veículo em um estacionamento público (0,80 centavos/hora). De lá, saímos de trem rumo a última terre, Monterosso al Mare. Erro: optamos por comprar um bilhete para cada trajeto, que custo cerca de dois euros. E, a cada viagem nova entre as terre, menos dois euros na carteira. O ideal é comprar o bilhete que dura o dia todo e não há limite de trechos. O Cinque Terre Card custa 12 euros. Monterosso é a única terre em que é possível jogar a canga sob a areia e tomar sol na praia. De lá, seguimos para Vernazza.

Além do trem, há a possibilidade de circular entre as pequenas vilas por trilhas – mas eu, infelizmente, nas duas vezes que fui não pude fazer o passeio. É que, devido às chuvas, é comum acontecerem desabamentos na região e, então, as trilhas ficam interditadas. Também é importante lembrar que, para entrar nas trilhas, é preciso ter em mãos o Cinque Terre Card. No total, são 12 km de trilhas. E ainda há a possibilidade de fazer o passeio de barco.

Cinque Terre gourmet: não deixe de experimentar…

Basicamente, o passeio pelas terre consiste em circular entre as casas coloridas, tomar um gelato e degustar um ou outro petisco tradicional da região. Os frutos do mar fazem especialmente sucesso e, quando estiver em Monterosso ou Riomaggiore não deixe de provar o cone de frutos do mar, com calamares, camarão e peixes fritos bem temperadinhos com limão. Ah!

Mar de Cinque Terre
Esse Mediterrâneo não está para brincadeira, não!
Vaso de flor na janela
Sobre a beleza e a simplicidade

Há também cemitérios, castelos e estátuas que explicam um pouquinho sobre a história desse lugar tão especial. Mas, ah, o gostoso mesmo é passar por ali e aproveitar um dia bonito. Simples assim.

Monterosso al Mare, Cinque Terre, na Itália
Tons pastel por todos os lados!
cinque terre_monterosso_pier_Itália
Mais um pouquinho de Monterosso al Mare

Um pôr-do-sol incrível em Riomaggione

Quando já tiver passado por todas as vilas, provavelmente a noite estará caindo – e o cansaço, acredite, pesando. Por isso, um pouco antes do pôr-do-sol pegue um trem rumo Riomaggiore, a terre mais próxima de La Spezia. Quando chegar lá, dispute por um lugarzinho para sentar nas rochas à beira-mar e assista o sol caindo. Em silêncio.

cinque terre_por do sol_riomaggiore_Itália
O pôr do sol em Riomaggiore é de tirar o fôlego. Mesmo.

Cidadania italiana: passo a passo para o reconhecimento

Cidadania italiana: passo a passo para conquistar o passaporte europeu

Neta de italiana, no final de 2014 decidi que era hora de reconhecer a cidadania italiana. Questão de orgulho para a nonna e também de portas que se abririam com o passaporte bordô  – como uma melhor qualidade de vida em cidades mais seguras e a possibilidade de fazer um master pagando as taxas para cidadão europeu (mais baixas que para um estrangeiro), por exemplo.

Pois bem, eu sabia que o processo de reconhecimento de cidadania era um pouco burocrático e não estava disposta a pagar pelos serviços de uma assessoria. Para piorar: o processo tem fama tão aterrorizante que o pessoal costuma chamar de “saga” por causa das dificuldades que aparecem no caminho.

Recentemente, eu descobri que a saga para um mestrado na Itália é muito mais complicada do que reconhecer a própria cidadania – mas isso é assunto para outro post. Para quem quer entrar na saga também, aqui vai o meu relato! Pre-pa-ra porque o post é grande. haha

AFINAL, QUEM TEM DIREITO À CIDADANIA ITALIANA?

A cidadania italiana não possui limites de gerações. Ou seja, se você possui algum ascendente italiano, provavelmente você também tem direito à cidadania. Eu digo provavelmente porque há dois casos muito comuns em que é preciso ter atenção:

  1. Existe mulher na sua linha de ascendentes? Para ter direito ao reconhecimento pela via administrativa, o filho dela deve ter nascido após 1948. O filho nasceu antes? Calma, nem tudo está perdido: nesse caso há a possibilidade de entrar com o pedido de reconhecimento na justiça italiana. Há um grupo no Facebook que dá dicas só para esse tipo de caso.
  2. Se o seu antenato (ancestral italiano que vai te passar a cidadania) é trentino.

COMO RECONHECER A CIDADANIA ITALIANA?

duas formas para fazer o reconhecimento: no consulado italiano no Brasil, onde dependendo do estado pode levar mais de dez anos até a conclusão do processo, ou fixando residência em um comune (município) na Itália, o que leva, em média, três meses. Optei pela segunda opção.

A MINHA HISTÓRIA

Quer um conselho? Aprenda com os meus erros. Você vai ver que foram muitos.

PRIMEIRA PARTE: BRASIL

1. JUNTAR OS DOCUMENTOS

É preciso ter todas as certidões de nascimento e casamento suas até o seu antenato. Alguns comunes cobram também certidões de óbito – então é preciso se informar diretamente com o lugar onde fará o processo. O primeiro passo foi conseguir a certidão de nascimento da minha avó no comune em que ela nasceu lá na Itália – já que eu já sabia onde estavam todas as outras certidões.

Também emiti todas as certidões brasileiras em inteiro teor e comparei detalhadamente datas e grafias de nomes de cada uma. Erros em datas geralmente não são aceitos pelos comunes, enquanto erros ortográficos são discutíveis e devem ser verificados com o setor do comune que fará o seu processo. No meu caso, constatei vários erros ortográficos não comprometedores, tipo minha bisa Thereza que virou Teresa e meu biso Giuseppe  que virou José.

2. LEGALIZAÇÃO NO ERESP

Todas as certidões brasileiras, que eram do estado de São Paulo, deveriam ser legalizados pelo Eresp. Mas  eu dei azar (lógico!) e o Eresp decidiu mudar de endereço bem nessa época. Resultado: minha irmã, coitada, pegou um ônibus até Brasília para legalizar meus documentos diretamente no Ministério das Relações Exteriores. Há despachantes que fazem esse tipo de serviço, mas caso você more em São Paulo fique feliz em saber que o Eresp já voltou a funcionar normalmente! Ufa.

3. TRADUÇÃO PARA O ITALIANO

Para o consulado italiano de São Paulo as traduções não precisam ser feitas por um tradutor juramentado. Optei por fazer mesmo assim, já que apesar de mais caras, os tradutores são reconhecidos pelo órgão e, bom, melhor precavir (tradutores também erram, viu?!).  Mandei os documentos traduzidos para o responsável pelo meu processo na Itália e ele disse que estava tudo ok.

4.1 TENTATIVAS DE AGENDAMENTO NO CONSULADO

Bem, então no começo de janeiro e eu já estava com todas as traduções feitas. Só faltava legalizá-las no consulado italiano e embarcar para a Itália em março.  ATENÇÃO: a legalização consular era necessária antes da Convenção de Haia. Hoje essa legalização foi substituída pelo apostilamento (veja mais abaixo).

Continuando…
Tinha dois meses para fazer a legalização consular. Tempo de sobra, certo? ERRADO. Fui para a Itália e voltei sem conseguir o tal do agendamento. O método de agendamento mudou TRÊS VEZES enquanto eu tentava agendar. Durante seis meses, entrei todos os dias no site do consulado de São Paulo à 0h de Roma, como manda o figurino. Não rolou.

Então, meu pai, que morava em Recife há mais de um ano e é o filho da italiana, foi até o Consulado em Pernambuco e perguntou se os documentos poderiam ser legalizados lá. A funcionária disse que sim, contanto que eu apresentasse traduções de um tradutor reconhecido por aquele consulado e eu estivesse presencialmente lá.

Voltei da Itália para São Paulo e, com esperança do fim da saga brasileira, fui até Recife. Lá, o atendimento é agendado via e-mail – que, por acaso, eles não respondem nunca. Fui três vezes pessoalmente, até ela me dizer que os meus documentos pessoais deveriam ser emitidos em Pernambuco.

Mudei meu título de eleitor, tentei abrir conta em banco. Depois, ela disse que os documentos deveriam ser traduzidos por um tradutor de Pernambuco. Depois de traduzidos, então a funcionária chamada Paula (um beijo para você) disse que EU deveria morar há mais de um ano em Recife para ter esse direito.

Gastei MUITO dinheiro e tempo porque a funcionária passou informações erradas o tempo todo. Voltei para São Paulo. Entrei no grupo Cidadania Área Livre, no Facebook, e lá o pessoal costuma avisar quando vagas são abertas. Certo dia, enquanto mexia no celular e tomava banho ao mesmo tempo (olha o nível de desespero!) PLIM um ser humano bem especial do grupo avisou que o Consulado abriu vagas fora do horário de sempre. Consegui o agendamento depois de seis meses e alguns milhares de quilômetros rodados – e muitas dilmas a menos!

4.2 LEGALIZAÇÃO NO CONSULADO ITALIANO

Cheguei no Consulado às 7h10 da manhã e a fila já era grande. Meu agendamento estava marcado para às 11h. Mas depois de 20 minutos fui atendida! Levei um comprovante de endereço em meu nome. Também aproveitei para tirar o Codice Fiscale, o CPF italiano, e queimei uma etapa a ser feita na Itália. Paguei com o cartão de débito, mas… OPS!

O funcionário achou um erro de data em uma das certidões.

Erro que nem eu, nem a tradutora, nem o funcionário do comune vimos! Então o cônsul deixou que eu voltasse outro dia, sem ter que enfrentar o agendamento novamente, com a certidão correta e uma nova tradução, para o consulado legalizar o documento.

MAIS GASTOS! Tive que discutir com o cartório localizado a quase 500km de distância de São Paulo, porque o erro de digitação foi deles (a data escrita por extenso era diferente da data em numeral). Novo documento, nova legalização no Eresp, nova tradução para o italiano e nova legalização no Consultado. Mas depois, enfim, eu estava pronta para ir para a Itália! A saga então muda de cenário e continua no bel paese.

ATUALIZAÇÃO: A LEGALIZAÇÃO CONSULAR FOI SUBSTITUÍDA PELO APOSTILAMENTO!

Se você está no processo de busca e legalização dos documentos, provavelmente já leu sobre a Apostila de Haia, um acordo entre os países signatários que facilita o reconhecimento de documentos públicos no exterior. Sabe aquele sufoco que eu passei tentando agendar a legalização no consulado italiano? Isso não existe mais.

O Brasil assinou o acordo e desde o dia 14 de agosto de 2016 a legalização de documentos para reconhecimento da cidadania italiana na Itália deixou de ser feita no consulado italiano no Brasil e passou a ser feita em cartórios específicos das capitais de cada estado. Devem ser apostilados o documento original e sua versão juramentada, ok? Mais: o preço do apostilamento varia de estado para estado.

SEGUNDA FASE: RECONHECER A CIDADANIA NA ITÁLIA SEM ASSESSORIA

A segunda fase do reconhecimento da cidadania italiana não é mais fácil do que a primeira, acredite. A burocracia italiana é um caos e cada comune/oficial do comune enxerga a lei de uma maneira. O segredo de passar por essa etapa sem traumas (se você for fazer sem a ajuda de uma assessoria, claro) é ter conhecimentos em língua italiana intermediária e conhecer MUITO bem as leis – e ter todas as leis impressas, porque, acredite, você terá que argumentar com os oficiais o tempo todo.

Para reconhecer a cidadania italiana na Itália, você deve ser residente no país (mesmo que por apenas três meses). Eu fiz o processo em Trento e fiquei na casa de tios, por isso não tive que negociar com o dono do imóvel para ceder documentos.

Esse passo a passo diz respeito a Trento mas, como eu disse, cada comune faz como quer.

Minha irmã também reconheceu a cidadania italiana em Trento e mesmo assim o processo dela foi diferente. Em outras palavras: cada pessoa, um perrengue. Ah, a vida: essa coisa bonita.

1. CIDADANIA ITALIANA E A DECLARAÇÃO DE PRESENÇA

Se você não entrou na Europa pela Itália (eu entrei por Madrid), e, portanto, não possui o carimbo italiano no passaporte,  o primeiro passo é fazer em até 48 horas a declaração de presença na Questura (delegacia). Em Trento, ela também é feita no Ufficio Cinforme (um escritório de apoio aos imigrantes que te ajuda até a preencher o Permesso di Soggiorno, permissão para ficar na Itália se o processo excede os 3 meses permitidos por lei para turistas!).

Leve passaporte original, seguro saúde (eu levei o CDAM, um seguro saúde para brasileiros válido por um ano em território italiano), a carta de hospitalidade e comprovação de meios financeiros.

2. CESSIONE DI FABRICATTO

É um documento preenchido pelo proprietário do imóvel que deve ser feito na Questura em até 48 horas. E é importantíssimo para o pedido de residência.

3. PEDIDO DE RESIDÊNCIA

É uma das partes mais complicadas no processo de reconhecimento de cidadania na Itália. O pedido de residência deve ser feito em até 7 dias da sua chegada na Itália, mas quanto antes melhor! Leve ao comune (prefeitura) a cessione di fabricatto, contrato de aluguel (se possuir), passaporte com carimbo ou a declaração de presença, cópia de identidade do proprietário.

Talvez nessa parte você tenha que discutir um pouco e até leve um chá de cadeira. Mas, lembre-se: esteja com as leis impressas em mãos. E fique tranquilo, italianos gritam mesmo… Não leve para o lado pessoal o mau humor alheio. Depois dessa etapa, você deverá aguardar o vigile (policial) passar na sua residência e confirmá-la para que seja feita a próxima etapa do processo.

4. VISITA DO VIGILE

O vigile passou duas semanas depois, em uma terça-feira de manhã. Fez perguntas como: “quantos cômodos a casa possui?”, “quantas pessoas moram aqui?”, “qual o motivo de você ter se mudado para cá?” e “como você se sustenta?”. A melhor resposta: a verdade.

Em menos de 15 minutos, ele foi embora. Agora, era só aguardar a confirmação da residência (alguns comunes aceitam receber os documentos para o processo de reconhecimento de cidadania italiana sem a confirmação de residência, mas esse não é o caso de Trento).

5. A ENTREGA DOS DOCUMENTOS NO COMUNE

Trento possui um setor especialmente voltado para o reconhecimento de cidadania italiana.
1.Isso significa que alguns oficiais só trabalham com reconhecimento.
2.Mas isso não significa que eles conheçam as leis. Sério.

Demorou algumas semanas para que um oficial aceitasse me atender. Quando me atenderam, olharam todos os documentos e pediram uma nova certidão de nascimento da minha avó. Fui até o comune de nascimento dela, a 150km, e lá me informaram que quem deveria ter feito o pedido diretamente era o oficial de Trento.

Com todos os documentos em mãos, a oficial de Trento pediu 15 dias para analisar meus papéis. Eu ia visitá-la uma vez por semana e ela sempre dizia que não tinha notícias para me dar. Três dias antes de expirar meus três meses como turista, gastei cerca de 160 euros para fazer o permesso di soggiorno. Dois dias depois ela me ligou e disse que eu deveria passar no Comune para assinar os documentos (o Consulado Italiano já havia enviado a mancata di non rinuncia e o síndaco já havia assinado meus documentos). Gastei 160 euros à toa.

Traduzindo…
Mancata di non rinuncia: a carta que o Consulado Italiano Geral no Brasil envia ao comune informando que nem você nem seus antepassados renunciaram a cidadania italiana.
Síndaco: tem a mesma função que um prefeito no Comune.

cidadaniaitaliana_RG_159

6. ENFIM, RG E PASSAPORTE ITALIANO

Para fazer o RG é muito simples. Caso você opte pela carteira de identidade eletrônica, você deve ligar no Comune e marcar uma data. Eles tiram a foto na hora e o documento também fica pronto em poucos minutos. Custa 25 euros. Há a opção do RG em papel e que custa 5 euros, mas ela não é bem vista nos aeroportos europeus, porque é fácil de falsificar. Um primo teve problemas com ela em um aeroporto alemão, por exemplo.

Já para tirar o passaporte em Trento foi outra saga. As vagas só existem para daqui alguns meses e o agendamento é como no Consulado Italiano em SP: pela internet. Rata de perrengue que sou, entrei de madrugada e consegui a vaga de um desistente para dali 15 dias.

Quanto custa o passaporte italiano?

Paguei a taxa administrativa na Posta (cerca de 43 euro), comprei por cerca de 74 euro a marca da bollo (selo vendido nas tabacarias) e levei os documentos (duas fotos e cópia do RG italiano) na Questura. Em outros quinze dias o passaporte estava pronto. A validade do passaporte é de 10 anos.

Resumindo: meu processo na Itália durou cerca de três meses e a única coisa que eu pensei quando acabou foi AFFE MARIA.

Se você pretende entrar na saga, eu sugiro ler o Saga Book e entrar no grupo Cidadania Italiana – Área Livre.

É claro que nesse texto há muitas lacunas, porque o reconhecimento é um processo complexo e que, dependendo da história da sua família, você tem direito ou não. É difícil? É. Caro? Ô. Mas não é impossível.

Dia em fotos: é inverno em Munique!

Casa rosa aos arredores do castelo de Nymphenburg, em Munique, na Alemanha

Ah, boas notícias diretamente do hemisfério norte: nesse final de semana a neve abriu oficialmente o inverno aqui na Alemanha!

Eu, que só havia visto neve no alto de montanhas ou – bem timidamente – no final da estação, fiquei muito feliz quando acordei, olhei pela janela e lá estava… tudo branquinho, branquinho. Aliás, quase todas as coisas ficam mais bonitas com uma porção de neve em cima – tipo chantilly no topo do café, né?

Palácio Nymphenburg Munique Alemanha

O problema é que, em dias assim, a única vontade é ficar lendo um livro e tomando chocolate quente o dia todo!

Para combater a malemolência, decidimos fazer um passeio pelo palácio de Nymphenburg (nymphenburg = castelo da ninfa). Construído em 1664, o lugar é um dos pontos turísticos mais famosos de Munique (de fácil acesso, fica dentro da cidade então preguiça de inverno não é desculpa) e foi residência de verão dos reis da Baviera.

O palácio também é conhecido pelo parque ao redor que é enorme e parece ser bem bonito – digo, parece já que, por causa da neve, não deu muito bem para conhecer. Ah, não é preciso pagar nada para circular no parque!

Prova de que o passeio é super romântico: vimos um casal vestidos de noivos sendo fotografados por ali e um homem, de joelhos, pedindo a namorada em casamento.

Aproveitando que o dia estava tão gostoso, levei a câmera para passear também! :)

cafeteria retrô

chocolate quente com creme no topo em munique

casa rosa munique2

mariana em munique

casa rosa munique