Como é fazer um safári na África do Sul?

Addo Elephant Park - Safári

Enfim, o último post sobre a viagem para a África do Sul (apesar de termos continuado a viagem rumo a Joanesburgo e Limpopo depois do safári)!

Recapitulando: Port Elizabeth foi a nossa parada final na Garden Route e também o ponto de partida para o tão esperado safári na África do Sul. E ali, a 72km de Port Elizabeth, está o Addo Elephant Park – que, como o nome diz, é praticamente um santuário de elefantes!

Seguimos para o parque com o carro que alugamos na Cidade do Cabo e, durante o dia, fizemos safári com ele mesmo – ponto forte: a autonomia é muito maior do que um passeio de 4×4, por exemplo.

O safári com carro próprio, no entanto, não substitui a versão feita com carro 4×4 oferecida pelo parque – e daqui a pouco eu conto o porquê. Abaixo, separei os momentos mais incríveis dessa jornada pela vida selvagem africana. Vem comigo!

1. Safári na África: os elefantes são protagonistas

Criado em 1931 para salvar 11 elefantes da extinção, o Addo Elephant Park é o terceiro maior parque da África do Sul. Quanto aos elefantes… Bem, eles se multiplicaram e hoje já são mais de 350. Sinal de que o trabalho está sendo bem feito em um país que, infelizmente, ainda sofre com a caça ilegal de elefantes para a venda de marfim.

Safari - Elefantes do Addo Elephant Park
O Addo é deles!

É por isso mesmo que esses animais são um dos pontos altos do passeio: os elefantes podem ser vistos em grupo, sozinhos e, muitas vezes, compartilhando um water hole com outros animais. Em alguns momentos, os elefantes até se aproximam do carro – e a sensação, juro, é indescritível. Mas, melhor manter distância… Apesar de acostumados com a presença humana, eles ainda são animais selvagens, certo?

2. A expectativa é um tempero especial

Safári é o tipo de passeio temperado com incertezas. Você nunca sabe o que encontrará no caminho e tudo depende da equação tempo + sorte. Viajamos em outubro e, quando fizemos o safári, o dia estava quente e nublado. Quanto aos animais, do BIG 5 (os cinco animais mais difíceis de serem caçados pelo homem) apenas não avistamos o leopardo! O rinoceronte negro foi tímido e marcou sua presença bem, beeem de longe – por isso, binóculos, câmeras superzoom ou SLR com lentes 75-300mm devem estar na bolsa para o passeio.

zebras no Addo Elephant Park -Safári
Elas estão em todo o lugar!

Acordamos cedinho, antes do nascer do sol, e partimos rumo a entrada do parque. São 75km de estradas em área protegida – que também abriga algumas paradas de descanso para pique-nique. O horário é fator importante em um safári: é no pôr-do-sol ou à noite, por exemplo, quando o rinoceronte preto e os búfalos são mais facilmente avistados. Cada espécie possui seus próprios hábitos e, por isso, para uma experiência mais completa inclua passeios em diferentes faixas de horário – pela manhã beeem cedo, no pôr do sol e à noite.

Safári no Addo Elephant Park
Spotted: animal de chifres torcidos (a.k.a. cudo) se alimenta na savana

Pretende visitar o parque em veículo próprio? Então será necessária uma autorização que custa pouco mais de 15 dólares. Autorização ok e com o mapa das estradas em mãos, percorremos o parque por quase oito horas. Tarefa fácil quando há tanto o que ver! O tempo passou voando e eu me sentia uma criança na espera do próximo animal incrível que apareceria em nossa frente. Assim como os elefantes, as zebras são onipresentes na maior parte do parque e tem lá seu charme.

Timão - Safári na África - Addo Park
Hakuna Matata!

Os olhos devem estar sempre atentos a qualquer movimento! Encantada mesmo eu fiquei com os suricates. Simpáticos, eles são pequeninos e discretos. Para avistá-los enquanto sobem e descem no meio da vegetação rasteira é preciso ter olhos de lince. Entre hienas, leões e javalis você perceberá que existe muito de O Rei Leão em um safári – sério! É o tipo de experiência para se ter em diferentes fases da vida. Uma viagem para ser feita com amigos, família estilo caravana, com o namorado… Já disse que a África do Sul é apaixonante, né? Então.

3. Os animais estão em seu habitat natural

Toda viagem carrega um tanto de responsabilidade social. Sempre é bom lembrar que o turismo influencia diretamente na cultura, economia e natureza de um lugar. E assim como o nosso lindo-porém-problemático Brasil, a África do Sul é um país que sofre com suas inúmeras questões sociais e ambientais.

Pumba - Safári na África - Addo Park
Nice to see ya, Pumba

Por isso, quando você inclui em seu roteiro um passeio no Zoo Lujan, na Argentina, por exemplo, você está escolhendo financiar um tipo de turismo que explora animais deixando-os em jaulas e, ao que tudo indica, dopa animais selvagens para que os visitantes possam tirar suas  ~corajosas~ (porém covardes, vamos combinar) selfies. O quão descolado isso é? Você decide. Mas quando o assunto é vida animal, eu prefiro que meu rico dinheirinho vá para instituições de preservação ou santuários.

Beware of Lions - Addo Park
Beware of lions: coragem, tem que ter corageeeem!

Como disse, o Addo é um parque que funciona como santuário de elefantes e tem cumprido muito bem sua tarefa de proteger essas espécies. Como visitante, o bônus também é alto! Diferentemente de um zoo onde os animais estão fora de contexto, no safári os animais estão em seu habitat natural e, por isso, suas relações dentro da natureza também são uma atração à parte. Ser atacado por um leão, claro, é uma possibilidade.

4. O safári noturno é um espetáculo a parte

No safári noturno, que só pode ser realizado em veículos do parque e com guias, essas relações animais ficaram mais evidentes para nós.

Durante o dia, por exemplo, vimos um avestruz fêmea chocando um ovo. À noite, o ovo estava abandonado. Oportunidade perfeita para que um chacal rolasse pela vegetação tentando quebrá-lo! Mas o animal não teve êxito e, no dia seguinte, a avestruz fêmea já estava novamente cumprindo seu papel. É bom ressaltar que: 1. a avestruz fêmea costuma chocar o ovo durante o dia e o macho durante a noite; 2. o comportamento animal pode ser muito parecido com o comportamento humano, né?

Também avistamos uma lebre, um leão rodeado por fêmeas e uma in-fi-ni-da-de de búfalos.

5. Onde se hospedar no Addo Park: os lodges dentro do parque são incríveis

Churrasco na África do Sul
braai + vinho tinto é muito amor

Nos hospedamos dentro do parque, em uma forest cabin. A casinha de madeira abrigava duas camas de solteiro, banheiro com chuveiro quente (<3), forninho elétrico, utensílios domésticos (como panela, pratos e talheres) e uma churrasqueira do lado de fora. Há diversas opções de hospedagem dentro do parque: cottages, chalets, guest houses, áreas para motorhome e camping, por exemplo.

Você pode fazer a reserva online acessando o site dos Parques Nacionais da África do Sul. Aqui você terá uma lista completinha dos tipos de hospedagem disponíveis e preços dentro do Addo Park.

A nossa estada de dois dias no parque foi uma delícia! Apesar de o Addo possuir um bom restaurante, havíamos levado carne de avestruz para o braai (churrasco ao ar livre tradicional entre os sul-africanos), vegetais para uma saladinha grega e vinho tinto diretamente de Stellenbosch para regar belamente a refeição.

zebra - addo elephant park

Uma das coisas mais legais de se hospedar dentro do parque é que, durante a noite, os animais fazem barulho e você fica ali, refletindo sobre imensidão, beleza e sorte… Dormir com o som dos animais da savana é uma experiência maravilhosa e, na minha breve história de vida, só pode ser comparada a dormir ao lado da cachoeira aos pés de Machu Picchu, em Águas Calientes.

Se você tiver a chance, eu recomendo de olhos fechados e coração aberto: vá!

Veja também outros posts sobre a viagem para a África do Sul:
+Cidade do Cabo para visitar e se encantar!
Garden Route, a road trip inesquecível pela África do Sul

Garden Route, a road trip inesquecível pela África do Sul

Uma road trip pela Garden Route, na África do Sul

Voltei, gente! Estou passando uma temporada no Brasil tentando arrumar minha vida. Nesse meio tempo percebi que a coisa funciona mais ou menos assim: dance enquanto o caos está instalado, porque o relógio não pára. Então, dancemos! O que a Garden Route tem a ver com isso? Bem…

Desde que cheguei ao Brasil fiz algumas viagens legais: uma road trip de São Paulo a Buenos Aires com direito a ano novo em Punta del Este e uma viagem à Floripa com uma passadinha nos cânions que fazem a divisa do RS e Santa Catarina. Para finalizar, carnaval no Rio de Janeiro. Bons tempos na estrada! Mas, hoje vou falar sobre  esse pedacinho tão especial do planeta que habitamos… a Garden Route, na África do Sul!

Vocês vão ver que não faltam adjetivos para caracterizar o país. A natureza sul africana é mágica, exuberante, única. Não tem como não se apaixonar pela África do Sul!

Garden Route: por que tão especial?

Você pode estar preparado para muitas coisas na sua vida, mas não está preparado para a beleza desse lugar – aposto! A Garden Route (ou Rota Jardim, no idioma de Camões) é uma rota que liga Cape Town (ou Cidade do Cabo) a Port Elizabeth (ou Porto Elizabete). Repleta de campos de golfe e natureza abundante, ela possui a fauna e flora única da África do Sul e só isso já vale um passeio que todo ser humano deveria fazer uma vez na vida.

Já aviso: esse é um post com poucas informações na prática. Isso porque fizemos essa viagem há mais de um ano e eu não anotei no meu diário os preços e nomes de hospedagem. Sorry! Mas tem muita inspiração para quem quer encher o coraçãozinho de amor. [Prometo voltar um dia e reescrever o post direito!]

Tudo começou em Cape Town…

Depois de alugar um carro em Cape Town (lembra?), saímos com destino a Port Elizabeth, onde fizemos safári no Addo Elephant National Park. Essa rota é popularmente conhecida como Garden Route e conta com cenários dignos de filme. E não é exagero. Entre os lugares que eu já fui, a Garden Route é, juntamente com a road trip do Peru ao Atacama, um dos melhores lugares para se fazer viagem de carro.

Vrede en Lust Wine Estate - South Africa
Mas antes, uma paradinha em um wine estate…

A viagem é longa: são quase 800 quilômetros. A distância compensa e cada parada guarda seus esportes de aventura, histórias e, claro, paisagens incríveis. Você poderá avistar baleias, fazer canyoning, visitar as focas de caiaque, nadar com tubarões brancos e até pular do maior bungee jump em uma ponte do mundo!

Para entrar no clima da viagem-delicinha, uma boa pedida é investir em um caprichado brunch em um dos belos wine estates na região de Stellenbosch. Uma amiga nos levou para conhecer o Vrede en Lust Wine Estate e tivemos uma ótima manhã por lá! E o que falar da paisagem? É até redundante dizer mas… Sim, era de tirar o fôlego!

Para um delicioso brunch!
para um delicioso brunch! :)
Cape Town - Cabo da Boa Esperança
até logo, Cabo da Boa Esperança!

Ah, Cape Town das belas paisagens. Deixou saudades.

Próxima parada: Betty’s Bay & Hermanus

Garden Route, na África do Sul
hit the road, babe!

A primeira parada foi em Betty’s Bay. Em Stony Poiny há outra colônia de pinguins. Mas, sinceramente, não chega aos pés da colônia de Boulders Beach, com suas águas azuis e onde é possível até nadar com os animais.

Stony Point - Bettys Bay - Garden Route
acesso livre aos pinguins de Stony Point, em Betty’s Bay <3
pinguim garden route
hello, friend!
Stony Point Tarsier Babies - Bettys Bay - Garden Route
já ouviu falar em dassie? eis uma amostrinha dos bebês fofos desse animal africano <3

Depois, seguimos rumo a Hermanus, onde é possível fazer o avistamento de baleias. Mas, não avistamos baleia nenhuma. Viajamos em novembro e as baleias fracas-austrais podem ser avistadas entre julho e dezembro. Enfim, não tivemos sorte. Mas o centrinho da cidade é uma graça e vale uma parada para saborear frutos do mar em um dos vários restaurantes do lugar.

É a vez de Oudtshoorn!

Saímos do litoral e seguimos até Oudtshoorn, no interior. No meio do caminho, paramos no ilustre Ronnies Sex Shop, ponto famoso entre os road trippers que passam pela região. Lá dentro, nada de brinquedinhos eróticos… Apenas muitos homens bebendo cerveja e sutiãs pendurados no teto (?).

O lugar surgiu como uma brincadeira entre amigos. Ronnie pintou em uma placa “Ronnies Shop” para divulgar a venda dos produtos de sua fazenda. Os amigos de Ronnie então pintavam a palavra SEX no mural e só prometiam parar a brincadeira quando Ronnie oferecesse uma cerveja. O Ronnies Sex Shop virou pub e ficou famoso na região. Esquisito, porém divertido!

Ronnies Sex Shop - Garden Route
na rota de Outshoorn: o famoso Ronnies Sex Shop!

Finalmente, Oudtshoorn! A cidade ficou mundialmente famosa por causa das fazendas de criação de avestruz. De 1865 a 1870 e 1900 a 1914 ocorreu o boom de exportação de penas e couro de avestruz. A moda passou, o glamour acabou e o lugar ainda guarda construções dessa época de ouro. Visitamos uma dessas fazendas, conhecemos o fofo avestruz anão e o namorado até montou em um desses animais.

Ostrich Farm - Oudtshoorn - Garden Route
a melhor foto que eu consegui sem que um avestruz saísse correndo :)

As Cango Caves também deram fama a Oudtshoorn. A cerca de 30 quilômetros da cidade estão essas incríveis cavernas, uma das maravilhas naturais sul-africanas.

Cango Caves - Oudtshoorn - Garden Route
as incríveis Cango Caves, em Oudtshoorn

Wilderness, Knysna e Plettenberg Bay

Passamos rápido por Wilderness, um vilarejo muito gracinha que vale a pena descobrir mais a fundo se você tiver tempo. Chegamos em Knysna que UAU é bonita demais. Essas fotos do alto de um rochedo à beira-mar não me deixam mentir! A cidade abriga uma lagoa e possui um waterfront mega charmoso. Fizemos uma trilha na região, não bem sucedida. Infelizmente, o que encontramos foi desmatamento e animais mortos.

Knysna Natureza - Garden Route - South Africa
ô knysna, larga de ser bonita

Knysna - Garden Route - South Africa

Para os amantes de frutos do mar Knysna é o paraíso. Knysna, essa cidade simpática e arrumada, não é só bonitinha como é também a capital das ostras da África do Sul e o que não faltam são ótimos restaurantes para apreciar a iguaria. Ponto para Knysna!

Ostras - Garden Route - South Africa
alô, alô oyster lovers: Knysna é o seu lugar no mundo
Knysna Casas - Garden Route - South Africa
casinhas charmosas na beira do precipício

Mais adiante, Plettenberg Bay abriga muitos santuários naturais: aves, macacos, elefantes, cobras… Não deixe de fazer a trilha por Robberg Nature Reserve. A natureza… Ah, a natureza! Do alto você verá centenas de leões-marinhos repousando nas pedras. As praias também valem o descanso e um pique-nique. São cerca de 11 quilômetros em uma trilha que dura menos de quatro horas e é uma delícia de ser feita.

Beach at Robberg Nature Reserve - Plettenberg Bay - South Africa
parece o Algarve mas é a África do Sul
Namorado - Plattenberg Bay South Africa
o príncipe e o mapa (sou fofa, fazer o quê)
Robberg Nature Reserve - Plettenberg Bay - South Africa
centenas de leões-marinhos de buenas
Robberg Nature Reserve - Plettenberg Bay - South Africa - Adrian
alguém feliz porque chegou na praia :)

Enfim, Tsitsikamma National Park!

No caminho de Plettenberg a Tsitsikamma uma ponte te chamará a atenção. Não pela altura impressionante (são 216 metros!), mas porque ali está um dos bungee jumps mais famosos do mundo: o Bloukrans Bungy. Não tive coragem de me aventurar ali… Tenho medo de altura. Mas, quem sabe na próxima? :)

Tsitsikamma é um parque especial. Alojado entre as montanhas e o mar, o parque tem esse nome porque a palavra Tsitsikamma significa “lugar de água abundante” em Khoi. É também o ponto ideal para esportes de aventura. No agitado Storms River é possível fazer tubing (atividade que a pessoa desce um rio ou a neve sobre uma bóia). Se preferir, você pode descer o rio de caiaque. Fãs de aventura ainda podem fazer mountain biking ou desbravar a região de cavalo. As trilhas também são um passeio bem procurado – mas é preciso se planejar, porque são longas. Então, chegue cedo!

Mariana - South Africa
tomb raider feelings kkk
Storms River - Africa do Sul
na Garden Route, o rio não chama ‘storms’ por acaso

Então depois de aproveitar tudo o que o Tsitsikamma pode oferecer (difícil, hein) é hora de seguir viagem. Uma paradinha em Jeffrey’s Bay para curtir as belas praias e então você está quase lá. Finalmente, Port Elizabeth!

Preparado para uma experiência única em um safári?

Veja também outros posts sobre a viagem para a África do Sul:
+Cidade do Cabo para visitar e se encantar!
+ Como é fazer um safári na África do Sul?

Cairo: o roteiro de um dia incrível

passeio de cavalo nas pirâmides, cairo, egito 2

Há viagens que te levam para uma bolha de conforto. Já outras te acordam para uma realidade nova. Cairo, na minha opinião, faz parte do segundo tipo de destino! Não importa se você vai se hospedar no hotel mais luxuoso da cidade… O Egito e seus perrengues vão te envolver de um jeito único!

camelo em cairo, no egito

Bem, tudo começou assim: Cairo foi escolhida para ser uma das paradas para a looonga viagem de ano novo até as Filipinas – ainda paramos em Atenas e Abu Dhabi! Por lá, passamos duas noites na ida e mais uma na volta. No final das contas, deu para sentir um pouco o gostinho desse universo tão diferente.

Cairo, uma cidade incrível!

Pirâmides, esfinge e o fato de a cidade ser uma região verde no meio do deserto já deveriam ser um bom motivo para qualquer um querer visitar o lugar, claro. Mas Cairo vai muito além. A cidade exala cultura e tem identidade própria. Tudo é energia! A cor bege das construções vem do deserto que abraça a cidade e o resultado é uma aura mística. Aliás, tempestades de areia por lá não são incomuns – até pegamos turbulência no avião por causa de uma! Mas, ó, melhor deixar a frescura em casa, viu…

Sabedoria de aeroporto

No desembarque, é preciso comprar o visa por 25 dólares/euros. Então, depois da imigração, a aventura começa de verdade! Dentro do aeroporto só é permitido ficar quem está em trânsito de viagem. Resultado: lá fora, logo depois da porta giratória, centenas de taxistas e motoristas de van esperam turistas para fazerem corridas com preços fechados e que custam quatro vezes mais do que corridas que cobrariam para um egípcio comum. Tem cara de gringo? Então vão tentar o tempo todo te cobrar mais caro por isso, principalmente os taxistas. Para não ser passado para trás, peça que o motorista ligue o <i>meter</i> – se ele se negar, não hesite em sair do carro e buscar alguém que cobre um preço justo. Perdi as contas de quantas vezes saímos do carro até encontrar taxistas que fizessem um preço ok! E no desespero para conseguir um táxi com preço justo à noite, até usei hijab. Na hora de indicarmos o caminho, o taxista não entendia inglês e o namorado teve que arriscar no árabe! :)

lojinha cairo egito

Passeio, transporte e lembrancinhas: tudo é negociável

Tu-do é questão de lábia. Já reparou na primeira cena de Alladin? Nela, um mercadante tenta vender mercadorias na base da amizade. No mundo árabe as relações comerciais são importantíssimas e parecem ser muito, muito pessoais. Já havia sentido algo parecido no Grand Bazaar de Istambul, na Turquia, mas no Cairo essas negociações são muito mais intensas. Você vira bro e logo depois inimigo. Eles ficam bravos, você encena que vai embora e tudo parece um grande teatro na tentativa de fazer um negócio equilibrado – e, não se engane, assim como os taxistas, os comerciantes de lembrancinhas também vão tentar vender lâmpadas, estatuetas de Nefertiti e lenços por preços muito altos. Negociar no Egito não é questão de ser mão-de-vaca, mas de não ser passado para trás.

Falando nisso…. Também é bom lembrar que o Egito vive uma ditadura militar. Desde a revolução egípcia, que aconteceu em 2011, a cidade vem sofrendo com a falta de turistas – e talvez isso colabore para que os comerciantes coloquem ainda mais os preços nas alturas. Se visitar a cidade, poderá encontrar ruas fechadas por arames farpados e homens armados. Por lá, também vimos tanques de guerra com soldados controlando a avenida que vai do aeroporto ao centro da cidade.

Khan El Khalili, um bazar a céu aberto

Para sentir a energia única do Cairo, não deixe de visitar Khan el Khalili, área comercial cheia de lojas de especiarias, artesanato, cafés e antiquários. Você vai se ver negociando luminárias minunciosamente trabalhadas à mão enquanto, ao lado, mulheres de niqab, véu preto que só deixa os olhos à mostra, discutem as diferenças nos detalhes de uma centena de lamparinas. O lugar também é rodeado por várias mesquitas, claro!

Khan el Khalili cairo egito

A magia das pirâmides

O ponto alto da nossa estada no Cairo foi o passeio de cavalo próximo às pirâmides. O deserto é exuberante e a vista do pôr-do-sol com as pirâmides em primeiro plano – e Cairo ao fundo – é de encher os olhos. O passeio na FB Stables durou uma hora e meia e custou 150 pounds egípcios (cerca de 19 dólares)  por hora.

mariana em passeio de cavalo nas pirâmides, cairo, egito

Atenção! Perto da entrada para a área das pirâmides há muitos estábulos que oferecem o passeio guiado com cavalos, mas grande parte desses lugares maltratam os animais. A situação é tão grave que por ali também há uma área com vários cavalos mortos e feno para cobri-los. Triste demais de ver. Por isso, antes de contratar a empresa mais barata, pesquise bem no TripAdvisor boas recomendações.

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Cidade do Cabo para visitar e se encantar!

Victoria e Albert Waterfront Cape Town South Africa

O mundo girou, o tempo passou e o blog, que ficou parado nas últimas três semanas, está de volta! A road trip pela África do Sul, que começou na Cidade do Cabo, encheu meu novembro de cor e o que era para ser um ano novo incrível virou realidade só agora… Quase um ano depois!

É que no ano passado, enquanto planejava a viagem, desisti por causa dos altos preços das passagens (perto da virada, os valores ultrapassavam R$ 3 mil! ought) e porque é complicado ser mulher e viajar sozinha pelo país por dois motivos simples: falta de transporte público e altas taxas de violência – é, a África do Sul é um dos países com maior índice de estupro do mundo! É uma sociedade violenta e machista, como a nossa. Mas, calma, apesar de ter feito uma viagem de carro com o namorado, descobri que dá sim para viajar sozinha com segurança por lá! E, juro, você vai se apaixonar. Então, chega mais!


carro: o melhor jeito de viajar pela África do sul!

Goeie dag… Cidade do Cabo!

Não se engane, Cidade do Cabo é um pedacinho especial da África muito diferente de outras grandes cidades do continente! Quando o avião aterrissou, eu estava preparada para encontrar pobreza, trânsito caótico e já tinha aquela sensação de insegurança que a gente bem conhece no Brasil. Mas a coisa não funciona bem assim por lá… Pelo menos não na Cidade do Cabo.

Por causa da colonização holandesa e inglesa, a cidade tem muito da arquitetura europeia. Também é organizada, limpa, moderna e com relativa boa infra-estrutura (exclua transporte dessa lista!). Mas isso também se deve ao apartheid, regime político que tirou, entre muitos direitos, a possibilidade de os pobres morarem no centro e dividiu a sociedade em brancos e não brancos.

Quando você fizer o caminho aeroporto-centro da Cidade do Cabo, irá perceber que a parte pobre e negra da sociedade vive na periferia em construções bem parecidas com as favelas brasileiras. E onde tem pobreza e desigualdade, já sabe: tem violência.

Bo-Kaap
Bo-Kaap, um bairro para quem ama cores

A cidade turística que todo mundo vê é a cidade dos europeus e seus descendentes, mas na Cidade do Cabo também formaram-se guetos interessantes. É o caso do bairro muçulmano Bo-Kaap: mega colorido, mega fotografado em editoriais de moda e, sim, com um restaurante mega bom (+ preço justo): o Biesmiellah. Lá, não deixe de provar o bobotie, prato típico sul-africano com carne moída, temperos doces, arroz e ovo. Para acompanhar, peça o mango lassi que é uma coisa de bom. Delícia!

Transporte público: que falta faz um ônibus!

Enquanto viaja pelo país, também é comum encontrar gente pedindo carona e acenando dinheiro nas margens das rodovias. Os guias de viagem dizem que é perigoso oferecer carona e, por isso, decidimos não arriscar. Aí mora outro aspecto da desigualdade: o direito de ir e vir só existe para quem tem carro – o que não é a realidade da maior parte da população. Os ônibus são escassos e os trens perigosos. Por isso, caso vá visitar a África do Sul, o ideal é alugar um carro.

É mochileira e pretende viajar sozinha na África do Sul? O jeito mais seguro de fazer isso é reservando roteiros no Baz Bus, uma rede de ônibus criada para mochileiros, que inclui viagens entre cidades e até safáris. Aliás, todos os mochileiros que conhecemos nos hostels da vida usavam o serviço!

A famosa Montanha da Mesa

Além de Bo-Kaap, o bairro muçulmano mega colorido, a Cidade do Cabo conta ainda com uma geografia de tirar o fôlego (e que rende, inclusive, muitas comparações com o Rio de Janeiro!): a Table Mountain é o principal cartão-postal da cidade.


lá do alto da Table Mountain

Fizemos a trilha de subida da montanha que durou cerca de três horas e NOSSA quase morri, mas queimei muitas calorias. A vista lá do alto é imperdível e a dica é visitar a montanha assim que você tiver o primeiro dia de sol sem nuvens na cidade. Mas, é, a vista com nuvens também rende boas fotos. hahaha Para os preguiçosos, fora de forma ou quem prefere deixar a aventura para lá, há o bondinho que leva até o topo e traz de volta. Ufa!

mareli
#girlpower no alto da montanha

Fizemos a trilha da Table Mountain pela manhã e precisávamos de um passeio mais relax para o final da tarde. Solução: tomar uma cider de buenas no Victoria & Alfred Waterfront. É aí, nesse porto, que você terá certeza de que a África do Sul não é nada do que imaginava! O Waterfront é um lugar surrealmente norte-americano.


eu não sei vocês, mas eu fiquei bem impressionada com Victoria & Alfred Waterfront

É de Victoria & Alfred Waterfront, aliás, que saem os barcos para Robben Island, prisão onde Nelson Mandela ficou preso por 27 anos e que é um marco na história sul-africana. Para visitar a ilha é preciso reservar antecipadamente aqui. Infelizmente não conhecemos o lugar, porque deixamos para decidir de última hora e, claro, nos enrolamos. Então, dica: pelo menos essa visita, não deixe para decidir lá.


o melhor café da manhã da cidade fica na New Brighton Bakery, juro

As vinícolas de Stellenbosch e o lado gourmet da Cidade do Cabo

Ah, a rota dos vinhos! wine estates: fazendas produtoras de vinho que oferecem serviços de degustação da bebida – e que podem incluir queijos. Lendo assim, tudo parece gourmet demais. Mas não é! É sim uma experiência deliciosa.


nem vinho, nem queijo: outras perdições dos wine estates

Visitamos Fair View, um dos wine estates mais comerciais da região. Acredite: pagamos um euro para experimentar sete vinhos e por mais um euro era possível provar queijos à vontade! Então separe um ou dois dias para aproveitar as vinícolas, que também contam com restaurantes, e deguste a vida beeem devagarzinho.

Bathhouses Muzeinberg
as famosas casas de banho de Muzeinberg

Exuberante por natureza: Boulders Beach e Cape Point

Nem só de Table Mountain vive a fama da região. Por lá, também é possível se aventurar em uma infinidade de passeios em meio a natureza: você pode nadar com tubarões brancos ou avistar baleias e golfinhos de um barco!


desafio do dia: não se apaixonar pelos pinguins de Boulders Beach

Separamos um dia para fazer um passeio de carro pela Baía Falsa, parando em pontos famosos como as casas de banho coloridas (e fotogênicas!) de Muizenberg; a Boulders Beach (R60 por pessoa), praia famosa pela água azul cor de céu onde é possível nadar com pinguins (se você tiver coragem de entrar na água geladíssima!)…


tomar sol com pinguins: na África do Sul você pode!

E, finalmente, Cape Point (R125 por pessoa), o famoso Cabo da Boa Esperança dos livros de história da quinta série. Todos imperdíveis!


meu companheiro de aventuras & eu em Cape Point <3

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